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» » » » O amor é resultado da interação de amizade, de desejo e de paixão

Um economista é alguém que conhece 100 maneiras de fazer amor, mas não conhece nenhuma mulher
Com a descoberta da inteligência emocional, as firmas estão avaliando seus executivos sob um novo critério: o dom de administrar bem sua própria saúde. Só assim, sem stress, trabalharão de acordo com sua capacidade máxima.
Isso significa encontrar um equilíbrio entre trabalho, família, férias. E entre trabalhar e dormir. Perceber o “óbvio ululante”: há vida fora do trabalho!
“Enfrente a doença emocional e espiritual do coração – solidão e isolamento. Ame mais e seja feliz – esta é a chave para ter melhor saúde”, recomendam os RH das firmas.
Você gostaria de ler sobre uma interpretação de economista a respeito da paixão, do casamento e do amor? Recordarei uma palestra de um sábio: Rubem Alves, professor emérito da UNICAMP, já falecido. Assisti sua Conferência sobre “Paixão e Casamento”, em Campinas, no dia 13 de abril de 1996.
Quero expiar meus pecados, vamos à recordação…
paixão é ver-se bem, vivo, belo e inteligente, nos olhos do outro. É uma experiência narcísea de êxtase, de gozo, emocional, com quem “abre nossos olhos”. O casamento é o desejo de enclausurar a paixão, sob o medo de perder esse momento divino, em que nós sentimos como deuses. A razão sabe que a paixão não é eterna. Para tê-la eternamente, os apaixonados tentam impedir sua fuga, através do casamento.
Os apaixonados querem se casar; lamentavelmente, os casados querem se apaixonar. Na visão pragmática de um economista, o casamento é um contrato prático, que estabelece uma obrigação recíproca, para troca de serviços por tempo indeterminado.
O problema da paixão é o tempo. Não se pode ficar apaixonado todo o tempo, pois paixão significa perda da razão, o que se choca com a necessidade econômica de sobrevivência cotidiana. Se as ações diárias tornarem-se dependentes das emoções estarão sujeitas a uma instabilidade imobilizadora. O casamento baseado só na paixão seria frágil. O casamento é o túmulo da paixão.
casamento é uma instituição da ordem social, ou seja, um comportamento humano baseado no dever. Subordinado ao dever (conjugal), torna-se estável. À mercê do sentimento da paixão seria pleno de incertezas. Isto seria prejudicial à divisão de tarefas que propicia uma vida melhor, mais produtiva, a dois.
A tragédia do casamento é ocupar-se somente do útil e não do dito fútil. Ele necessita do deixar fluir, do deleite com a arte de falar e escutar. Quando a sedução é pelas palavras, o amor não termina nunca. O casamento amoroso exige conversar: falar-e-ouvir.
paixão é ideal; o casamento, real. A confusão entre o real e o ideal nunca fica impune.
O economista sugere que essa união marital não só é gratíssima à sociedade como utilíssima para a vida? Aplica a teoria do valor-utilidade? A divisão conjugal de tarefas aumenta a produtividade familiar?
Na realidade, um contrato de casamento que se estabelece como perpétuo é contra a natureza, e por essa razão sofre freqüentes infrações. O fardo do casamento pesa tanto que é necessário que sejam dois a carregá-lo, e às vezes mesmo três…
Um casal feliz seria formado por um marido surdo e uma mulher cega. O casamento inicia como um romance, continua como um drama, termina como uma tragédia, é lembrado como uma comédia.
Assim, para a paixão se transformar em amor, durante um casamento, o casal deve aprender a brincar e rir juntos dessa transformação. Não serão mais apaixonados um pelo outro, mas serão grandes amigos afetivos até o fim de uma boa vida, compartilhando alegrias e tristezas solidariamente.
Na terça-feira, dia 23 de março de 2018, dei uma palestra para os colegas do CORECON-MG, no auditório do BDMG, em Belo Horizonte. Falei sobre Economia Comportamental, no caso a respeito do dilema entre Economia da Felicidade ou Economia da Boa Vida.
De acordo como os “economistas da felicidade”, uma separação tem efeito tão negativo sobre o bem-estar quanto a perda de 2/3 de seus rendimentos. E 50% da riqueza.
No Brasil, os divórcios ocorrem mais na crise de meia-idade de acordo com os gêneros: homens em torno de 43 anos e mulheres em média com 40 anos. Casamentos que chegam ao fim por meio de divórcios formais, concedidos em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais, segundo o IBGE, duram em média 15 anos.
Então, se casam em torno de 25 anos e se separam na crise de meia-idade. Esta surge quando ambos, antes de assumirem a grande responsabilidade, inclusive psicológica, de se tornarem os provedores dos pais, avaliam se são de fato felizes. Nessa metade da vida, em geral, obtiveram já uma certa realização profissional. Mas adquiriram maturidade, isto é, capacidade de autodeterminação autônoma?
Porém, cerca de 1/3 dos casais se separam antes de completarem 5 anos de casamento e, desses, 1/5 não chegam nem a completar 2 anos.
Divórcios de casais: 
  1. com filhos menores de idade: 1/2;
  2. somente com filhos maiores de idade: 17%;
  3. com filhos maiores e menores de idade: 8%;
  4. e sem filhos: 1/4.
Mulheres divorciadas responsáveis exclusivas pela guarda de filhos são 4 em cada 5.
Falácia do Custo Irrecuperável é o (falso) argumento para não se interromper uma relação matrimonial que sabidamente não está dando certo como se esperava costuma ser: “se interrompermos agora, terá sido tudo em vão”.
Aquilo que imaginamos pode dar certo ou não. É racional deixar a qualquer momento o caminho tomado, interrompendo um projeto que não anda bem, arcando com consequências menos piores do que perseverar, ou seja, menor custo de oportunidade. O que é correto em um contexto deixa de ser em outro: o certo no passado pode se tornar errado no presente. Têm de se reconhecer isso e não insistir em uma vida infeliz.
Lembrei-me de tudo isso quando li a entrevista do filósofo francês Francis Wolff concedida à Daniela Fernandes (Valor, 29/03/18). Ele é autor do livro “Não Existe Amor Perfeito” (Edições Sesc, trad. Paulo Neves, 128 págs., R$ 36).
Professor emérito de Filosofia da prestigiosa École Normale Supérieure de Paris (a “Normal Sup”, fundada em 1794 e de onde saíram 13 prêmios Nobel franceses), Wolff também dirigiu a cadeira de filosofia antiga da Universidade de São Paulo (USP) nos anos 80.
Quem nunca sonhou com um amor ideal? Se alguém ainda está em busca disso, é melhor desistir, já que não existe amor perfeito. Mas nem por isso é preciso se desesperar: apesar de o amor ser sempre imperfeito, é possível ter uma vida amorosa bem-sucedida em longo prazo“Não é porque um amor é imperfeito que ele não pode ser feliz ou durável”
Na obra, Wolff investiga o tema do amor entre casais sob um ângulo diferente: a definição desse conceito. Se não faltam expressões do tipo “amar é….”, amplamente exploradas na literatura nos últimos séculos, o exercício é mais complexo do que se pode imaginar.
“Não acho que haja crise do casamento, e sim o contrário. Antigamente, o casamento era independente da relação amorosa”
Ele trabalha com Ciência da Complexidade, quando afirma que o amor é resultado da interação de três componentes heterogêneos:
  1. a amizade,
  2. o desejo e
  3. a paixão.
Mas isso está longe de ser uma receita em que basta colocar os ingredientes. É uma “fusão instável“, diz Wolff, em que cada elemento tem proporções variáveis, que continuam mudando com o tempo. Acrescento: embora tenha dependência de trajetória, por exemplo, filhos que solidificam a união.
“Os amores não cessam de evoluir. São histórias. É essa instabilidade que quis analisar.”
Nem sempre um dos três componentes está presente. É o caso dos amores sem desejo, sem paixão ou sem amizade. “Há uma variabilidade infinita de formas de amor”, afirma o filósofo.
De clássicos como “Fedra”, “Romeu e Julieta” ou “Tristão e Isolda”, passando pelo romance “Bela do Senhor“, de Albert Cohen, ao filme “O Império dos Sentidos“, de Nagisa Oshima, o livro “Não Existe Amor Perfeito” tem inúmeros exemplos das variadas formas de amor, onde um dos componentes é mais forte do que os outros.
Cada história tem suas fragilidades. Mesmo os amores conceitualmente completos, com um pouco de cada componente, podem não ser intensos. “O amor pode dar prazeres e alegrias, conforme os casos e conforme os dias”, diz Wolff.
A seguir, os principais trechos da entrevista concedida em sua casa, em Paris.
Valor: Boa parte do seu livro analisa os diferentes métodos e as dificuldades para definir o amor. Por que é tão difícil definir esse conceito?
Francis Wolff: Escrevi este livro como um desafio para definir uma das noções mais indefiníveis. Na Filosofia, há um exercício clássico que consiste em definir conceitos, e há noções consideradas, geralmente, como indefiníveis. É o caso do tempoHá duas razões para o amor ser um conceito particularmente indefinível. A primeira é porque se trata de uma noção que só tem sentido na primeira pessoa. Um sentimento, uma paixão, uma relação, uma aventura pessoal e tudo que diz respeito à primeira pessoa dificilmente entra em categorias. A segunda é porque não sabemos exatamente em qual grande categoria o amor pode ser catalogado: sentimento, emoção, paixão, relação… Além disso, o amor é algo diacrônico, são sempre históriasnão é algo fixo. É por isso que há muitas histórias de amor e que esse é o principal tema de romances, filmes e peças teatrais. O amor está continuamente em evolução: a de quem ama e a de quem é amado.
Valor: É essa evolução constante que influencia a compreensão do que é o amor?
Wolff: Com o tempo, os sentimentos são mais ou menos intensos e, sobretudo, podem mudar completamente, evoluir em função dos sentimentos do outro. É isso que torna o amor interessante: o fato de ser uma noção instável. É essa instabilidade que quis analisar.
Valor: O senhor diz que há três componentes para definir o amor entre um casal: amizade, desejo sexual e paixão. Para existir o amor, pelo menos dois desses elementos são necessários. Por quê?
Wolff: Desejo, paixão e amizade são o que chamo de fronteiras externas do amor. Eles só se tornam componentes internos do amor se não forem únicos. Exemplo: uma paixão só se torna amorosa se ela se colorir de desejo ou de amizade. Caso contrário é apenas paixão, pode ser ciúmes ou ódio, há paixões que não têm nada a ver com o amor. Em geral, há uma parte dos três componentes. Mas essa proporção é sempre variável a qualquer momento e durante toda a história. Ao dar uma definição do amor, pode parecer que estou dizendo às pessoas que é dessa forma que é preciso amar. Mas não quis delimitar o amor em um modelo normativo único. É por isso que digo: no limite, dois componentes podem ser suficientes. O importante é que tão logo esses elementos se juntam, eles se tornam irreconhecíveis, como em uma receita culinária. Quando a amizade se torna desejosa, ela vira outra coisa. É uma fusão que faz nascer uma nova relação que se chama amor.
Valor: O que acontece quando falta um dos três componentes?
Wolff: É o que chamo de amores defectivos, nos quais, sem dúvida, há amor, mas não existe algo que pensamos necessário ao amor comum. Há grandes amores em que não há ou não existe mais desejo erótico. Pode ser por esgotamento do desejo, do Eros, como no caso dos velhos amantes que vivem um amor fusional que cessou de ser físico. Há formas de amor potentes e violentas nas quais a amizade terminou e se tornou o contrário disso, mas continua existindo paixão e desejo sexual. São os amantes que não param de brigar, que não conseguem viver juntos, mas um não consegue ficar sem o outro. Na fusão dos três componentes, é possível que um deles possa tender para zero.
Valor: Os amores imperfeitos podem ser duradouros?
Wolff: É claro que os amores imperfeitos, ou defectivos, são ainda mais instáveis do que os outros. Prefiro utilizar nesse caso a expressão “amores defectivos” porque, a meu ver, todo amor é imperfeito. Isso porque todo amor resulta da fusão de elementos heterogêneos que não vão na mesma direção, o que, consequentemente, torna essa mistura instável. Mas não é porque um amor é imperfeito que ele não pode ser feliz ou durável. Não existe amor perfeito, mas existem amores felizes. E há amores duradouros. Não podemos dizer, antecipadamente, que o amor vai durar mais porque há mais amizade, mais paixão ou mais desejo na relação.
Valor: O que pode tornar o amor durável?
Wolff: Acredito que é a sua capacidade de se renovar. Ou seja, a capacidade de aceitar que os sentimentos evoluem e mudam: que haja menos paixão, menos desejo, ou que por momentos haja mais amizade. Os amores menos duradouros são aqueles em que o casal quer ficar sempre no mesmo momento de sua história. Na maioria das vezes, são os primeiros momentos ou os instantes em que eles estimavam que havia um tipo de equilíbrio perfeito, o que geralmente é ilusão retrospectiva: um pensa em um grande momento e o parceiro pensa em outro. Os amores defectivos, nos quais falta um componente, também podem ser duráveis. Às vezes, é o que os torna patológicos, como em certas formas de amor alimentadas em permanência pelo ciúme ou paixões eróticas sem amizade. Isso se torna uma forma de neurose que os amantes não conseguem sair. Nesse caso, é lamentável que seja duradouro.
Valor: A amizade tende a ser o principal componente para que o amor tenha mais chances de durar?
Wolff: Como o amor é uma fusão instável de três tendências, ele pode, em certos momentos, ser mais passional, com mais desejo, ou mais amical. É instável porque esses três componentes não têm as mesmas características. Por definição, o desejo não tem nada de recíproco. A amizade é diferente dos outros componentes. Podemos desejar alguém que não nos deseja, mas não podemos dizer ser amigos de alguém que não é nosso amigo. Até mesmo no Facebook não podemos ser amigos de quem não quer isso. A amizade é uma relação, o que não é o caso do desejo e da paixão. Na realidade, o elemento estabilizador é a amizade. Como diz Platão, a amizade é o cocheiro que comanda dois cavalos rebeldes, o desejo e a paixão. Além disso, existe uma ética na amizade, justamente porque é algo recíproco.
Valor: A reciprocidade no amor é uma melhor garantia de felicidade, mas o senhor diz, no entanto, que isso nem sempre resulta em boas histórias de amor e que é aí que os romances acabam…
Wolff: Dizemos com frequência que as pessoas felizes não têm histórias. A reciprocidade não é nunca simetria. Se A ama B e é correspondido, tanto melhor, mas é improvável que A ame B da mesma maneira que B o ama. E, sobretudo, é provável que A ame B de uma certa maneira hoje e que ele o amará de forma um pouco diferente no futuro. É a instabilidade não apenas de cada um, mas também da relação, mesmo quando ela é recíproca, que faz com que ela seja assimétrica e continue. Ela se transforma, melhora, piora, vai sempre em outra direção. Então, a reciprocidade não é a perfeição. É o tema do livro. Mesmo quando os amantes pensam ter atingido o máximo da relação amorosa, é, às vezes, uma ilusão porque eles não viveram isso da mesma forma. É algo que vai evoluir e os amorosos devem aceitar as transformações. Uma história de amor pode ser feliz sob a condição de que ninguém espere a perfeição.
Valor: O fato de não atingir a perfeição não é a causa de sofrimentos?
Wolff: Quando há paixão, há sofrimento. O apaixonado está sempre exaltado e sofrendo. Se não houver paixão no amor, ele não tem relevo, intensidade. Mas, quando ela existe, há sofrimento porque o apaixonado nunca está satisfeito, ele quer cada vez mais do outro. Ao mesmo tempo, a paixão reforça a relação amorosa, é o que lhe dá às vezes uma dimensão mais irreal, fora do comum.
Valor: Mas a paixão e o desejo se enfraquecem com o tempo, quando não desaparecem…
Wolff: Em geral, sim. No início das histórias, às vezes o desejo vem aos poucos ou a paixão nasce após o desejo ou a relação de amizade. Isso também depende da idade dos amorosos. Adolescentes podem ter muito desejo e paixão, mas que duram pouco. A longo prazo, o desejo tende a declinar e a paixão se transforma mais, ela pode ser obsessiva no início e se tornar progressivamente fusional, como os casais que pensam sempre na primeira pessoal do plural. É uma forma de paixão que se acalmou e se tornou uma fusão.
Valor: Na França, 45% dos casamentos terminam em divórcio. No Brasil, a proporção é de um terço. O casamento mata o amor, como defendem alguns escritores e pensadores?
Wolff: No passado, o casamento significava algo em termos sociais, religiosos, institucionais e familiares. Às vezes tinha papel de repressão, com o casamento forçado. Na literatura, há inúmeras histórias de infelicidade no casamento e de amor fora dele. Há, na tradição ocidental, uma contradição entre a instituição matrimonial e o amor propriamente dito. As coisas mudaram em meados do século XX com a invenção do casamento por amor. É uma das grandes revoluções morais do século XX. Já que os amores não duram e o casamento deve supostamente durar, o resultado é que haverá divórcios. Não acho que haja crise do casamento, e sim o contrário. Antigamente, o casamento era independente da relação amorosa. Como não tem a mesma duração das instituições sociais, é normal que divórcios se multipliquem.
Valor: Há uma impressão de que as relações amorosas se tornaram mais efêmeras, e os casamentos, cada vez mais curtos…
Wolff: Há uma impaciência moderna. Acho que é um sinal da diminuição do poder das instituições, da redução do poder da sociedade sobre as pessoas e do aumento do individualismo moderno. Em todos os países onde o casamento deixou de ser uma obrigação religiosa e social, as pessoas se sentiram mais livres, em particular as mulheres. Isso indica uma liberação individual, e não uma maior instabilidade do amor, que sempre foi instável e não deve ser confundido com instituições como o casamento e a família, que são independentes do amor.
Valor: Os sites e aplicativos de encontros contribuem para tornar as relações amorosas mais efêmeras?
Wolff: Em certo sentido, é verdade. Cada um vive sua vida. Isso é também o fruto da urbanização, não há mais relações de vizinhança. Não tenho certeza de que a multiplicação das relações virtuais significa um espalhamento das relações amorosas. O certo é que podemos multiplicar facilmente os encontros de uma noite só. Mas não altera nada. Segundo estatísticas, poucas relações virtuais resultam em uma verdadeira relação que pressupõe, segundo minha tese, vários componentes. A amizade se constrói, o desejo é efêmero, e a paixão é raramente à primeira vista. Acho que é preciso tempo, condições e um contexto excepcional, e isso não muda nada em relação à definição profunda do amor, apesar de os encontros serem mais fáceis na internet, mas também mais superficiais.
Valor: Muitos jovens iniciam hoje a vida amorosa pela internet, diretamente com discussões sexuais e pornografia. Isso muda algo em relação ao amor?
Wolff: Penso que há algo de universal no amor, em todas as culturas, épocas e literaturas – tudo externo ao amor é o que varia. Certos historiadores afirmam não ser possível falar de amor em geral porque em certas civilizações não existe o que nós chamamos de amor. Quero dizer que tudo pode mudar, as formas de paquera, de encontros, tabus e regras. O caso Harvey Weinstein [produtor de cinema americano acusado de estupros] vá talvez mudar as formas de sedução. Tudo o que diz respeito ao social e ao cultural é variável, incluindo as novas formas de encontros virtuais. A revolução do casamento por amor foi uma mudança bem mais importante do que a virtual que estamos vivendo.
Valor: É mais difícil amar hoje?
Wolff: Acho que não porque nunca foi fácil amar. De uma certa forma, isso nos torna mais exigentes porque há mais opções de parceiros, comparado à época em que os encontros eram mais raros. Acredito que isso não muda nada em relação ao conceito do amor: ele encontra sempre os mesmos obstáculos, que são a fusão de tendências heterogêneas e, sobretudo, dinâmicas instáveis e assimétricas.
PS:
Argumentei, durante a palestra, que muitos casamentos se encerram por causa do despreparo do casal. Em muitos casos, pela educação machista recebida, o homem não tem nem conhecimento de que a mulher passa por diversas fases reprodutivas durante a vida, da infância até a idade adulta. Entretanto, nem todos homens (e talvez mesmo as mulheres) sabem como funcionam esses ciclos.
Confira a seguir como funcionam as fases da vida reprodutiva feminina, quais são as características de cada uma delas e as chances de gravidez para cada período.

Menarca

A primeira menstruação (menarca) é o fim da infância (puberdade) e um dos períodos mais marcantes da vida reprodutiva feminina.
Não existe uma idade fixa para que ela aconteça, mas varia dos 10 aos 15 anos.
A menstruação dura em torno de 3 a 8 dias. Os ciclos podem ser irregulares no início, mas normalizam com o passar do tempo, após o amadurecimento do eixo hormonal.
Nessa fase, ocorrem inúmeras mudanças no corpo feminino, já que tem início a produção de hormônios pelos ovários (estrogênio e progesterona). Essas alterações podem ser visíveis ainda na puberdade: estirão de crescimento, aumento dos quadris, aparecimento de pelos pubianos e desenvolvimento das mamas.
A primeira menstruação indica que a adolescente está ovulando, por isso já é possível engravidar.

Menacme

É o período em que a mulher se encontra em idade fértil. Inicia-se com a puberdade e vai até a menopausa.
Nessa fase da vida, a mulher pode ficar grávida e, quanto mais cedo, maior a chance de gravidez. O declínio da chance ocorre depois dos 35 anos de idade.

Climatério

É o período de transição do período fértil para o período não reprodutivo. A primeira fase do climatério ocorre a partir dos 40 anos, quando o ciclo menstrual reduz, embora o fluxo possa ser abundante. A segunda fase ocorre por volta dos 50 anos; nessa etapa, o ciclo fica mais longo, e o fluxo, bem menor. É nessa fase que as ondas de calor e a irritabilidade começam a surgir.
Durante o climatério, a mulher também pode ganhar peso, por isso é importante manter hábitos saudáveis durante toda a vida para evitar ganhar muito peso nessa fase.
Todas essas mudanças ocorrem por causa do estrógeno. A produção desse hormônio pelos óvulos é drasticamente reduzida durante a fase de transição. A ausência do estrógeno é a responsável pelas ondas de calor, alteração da libido e perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose.
Na fase do climatério, ocorrem ciclos menstruais irregulares, por isso existe uma pequena chance de engravidar. Para se ter uma ideia, até os 35 anos de idade, as chances de gravidez são de 85% por ano. Dos 40 aos 44 anos, quando tem início o climatério, esse índice pode cair para 10% a 15%.

Perimenopausa (45-50 anos)

Ocorre de 2 a 3 anos antes da última menstruação. Nessa fase surgem ondas de calor, transpiração intensa, dificuldade para dormir e irritabilidade.

Menopausa

A menopausa é outra importante fase na vida de uma mulher. Ela marca o fim da menstruação e da ovulação, portanto já não é possível engravidar naturalmente.
A menopausa é definida pela última menstruação e por isso é conhecida retrospectivamente, depois de 12 meses. Assim, é a última menstruação.

Pós-menopausa (48-65 anos)

Desencadeia alterações significativas no organismo da mulher, como perda da libido, maior propensão a infecções urinárias, aumento do risco de câncer de mama, osteoporose, doenças cardíacas e depressão.
Muitas mulheres optam pela reposição hormonal para suprir a falta do estrogênio e diminuir os efeitos dessa ausência brusca no corpo. Entretanto, é fundamental procurar a orientação de um ginecologista para verificar as melhores condições da terapia hormonal durante o climatério e a menopausa.
Como você pôde perceber, a fertilidade feminina envolve diversas fases que ocorrem durante toda a vida da mulher. E a manutenção de uma vida equilibrada, aliando alimentação saudável e exercícios físicos, é fundamental para manter a saúde em dia e passar por essas fases com mais qualidade de vida.

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