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» » » » Saiba porque os bancos lucram muito mesmo com a economia em recessão

Por Fernando Nogueira da Costa

A oferta de crédito depende da demanda representada pelo ritmo de produção, porém, as duas outras funções dos bancos – captar e administrar recursos de terceiros e viabilizar o sistema de pagamentos – só indiretamente depende do crescimento da renda, pois a circulação monetária e financeira se mantém na depressão. Não se cria ativos novos, mas continuam as transferências de propriedades dos ativos existentes.
O lucro líquido do sistema bancário representa 60% do resultado antes da tributação (32%) e distribuição da participação nos lucros (8%). Ele emerge de diversos componentes listados a seguir a partir de dados do terceiro trimestre de 2017.
As receitas de intermediação financeira somam rendas de operações de crédito (59% do total), títulos e valores mobiliários (35%), arrendamento mercantil (1%), derivativos (-1%), câmbio (1%), aplicações compulsórias (4%).
As despesas de intermediação financeira ocorrem com captação (64% do total), repasses (16%), arrendamento mercantil (2%), provisão para créditos de difícil liquidação (18%).
Dentro do resultado bruto de intermediação financeira, a diferença entre essas receitas e despesas representa 30%. Esse resultado equivale a 63% da proxy do faturamento bancário, rendas de prestação de serviço 25% e rendas de tarifas bancárias 12%. Esse “faturamento” supera em 48% as despesas totais compostas por despesas de pessoal (43%), administrativas (45%) e tributárias (12%). O resultado de participações em coligadas representa apenas 4% a mais no “faturamento”.
Em geral, no ano passado, os maiores bancos reduziram a concessão de crédito. A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, considerados os atrasos superiores a noventa dias, manteve trajetória de queda, embora pequena, situando-se em 3,2% (-0,5 p.p. doze meses). Com a reversão de parte das provisões para devedores duvidosos (18% das despesas financeiras), o resultado melhorou.
A taxa de juro real ex-post no ano de 2016 foi 7,4% e no ano passado 6,8%, representando as duas maiores taxas desde 2007. Com a muita lenta e gradual tendência de queda da taxa de juro nominal Selic, a média anual em 2017 foi 10,3%, remunerando muito bem a carteira de títulos e valores mobiliários dos bancos.
Cada banco gigante possui seu nicho de mercado, que recebe foco especial, mas todos exploram:
  1. uma grande rede de varejo que permite captar com menor percentual do CDI,
  2. os milhões de cartões de crédito e débito com os quais ganha taxas de desconto nas vendas de varejo e explora crédito rotativo,
  3. o baixo risco do crédito consignado (74% para aposentados, 16% para funcionários públicos, 10% para empregados no setor privado), que representa 65% do crédito pessoal,
  4. o crédito imobiliário que permite relacionamento fidelizado com os clientes em longo prazo, inclusive para venda de outros produtos financeiros,
  5. o crédito para veículos com a garantia da alienação fiduciária,
  6. os seguros de vida, residencial e automóveis, Previdência Complementar, etc.
Também gestão de ativos das grandes fortunas em Private Banking e soluções para corporações são fatores explicativos do bom desempenho bancário, bem como a administração de fundos e a atuação internacional.
Quanto às Receitas de Prestação de Serviços (RPS), o caso do Itaú em 2017 ilustra bem sua importância (R$ 32,885 bilhões) e de que atividades é oriunda: cartões de crédito (38%), serviços de conta corrente (21%), administração de recursos de terceiros (11%), operações de crédito e garantias prestadas (10%), serviços de recebimento (5%), assessoria econômico-financeira e corretagem (4%), outros (3%), América Latina exceto Brasil (8%). Comparando, seu Resultado de Seguros equivale a 19% do valor da RPS.
Porém, a complexidade do sistema financeiro nacional emerge das interações de seus diversos componentes. No ano passado, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 3.086 bilhões com queda de -0,6% em doze meses. O saldo de pessoas físicas (R$ 1.649 bilhões) representava 53,4% e o de pessoas jurídicas (R$ 1.437 bilhões) 46,6% em dezembro de 2017. A relação crédito/PIB alcançou 47,1%, comparativamente a 49,6% no final de 2016.
Em dezembro, o custo médio das operações de crédito ativas do Sistema Financeiro Nacional, aferido pelo Indicador de Custo do Crédito (ICC), situou-se em 21,4% a.a. (-1,4 p.p em doze meses), com redução no crédito livre (-4 p.p.), nas mesmas bases de comparação, situando-se em 34,4% aa e estabilidade no direcionado em 8,9% a.a..
O spread do ICC, que corresponde à diferença entre o ICC e o custo de captação médio das operações ativas na carteira de crédito, situou-se em 14,1 p.p. no mês (recuo de 0,4 p.p. em doze meses), registrando redução no crédito livre (-1,6 p.p, para 25,3 p.p.) e estabilidade no crédito direcionado (em 3,5 p.p.).
A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, que se refere às operações contratadas no mês, situou-se em 25,6% a.a. em dezembro (-6,6 p.p. em doze meses). Na carteira livre, o custo médio alcançou 40,3% (-11,9 p.p. em doze meses), a maior redução em doze meses da série mensal, iniciada em março de 2011. No crédito direcionado, recuo de 9,1% (-1,5 p.p. em doze meses).
No crédito às famílias, a taxa de juros média situou-se em 31,9% a.a. (-10,1 p.p. doze meses), a menor taxa desde dezembro de 2014. Nas contratações com recursos livres, redução de 17,3 p.p. em doze meses, destacando-se os recuos, no ano, no cartão de crédito rotativo (regular: -231,8 p.p. e não regular: -118,3 p.p.), refletindo as mudanças normativas adotadas a partir de abril. No crédito direcionado, a taxa situou-se em 8% (-2,4 p.p. em doze meses), destacando-se a redução nos financiamentos imobiliários (-2,9 p.p. anual), notadamente nas operações com taxas de mercado (-4,4 p.p. no ano).
Na carteira de pessoas jurídicas, o custo médio alcançou 16,8% a.a. (-3,3 p.p. em doze meses). Nas contratações com recursos livres, a taxa recuou para 21,5% a.a. (-6,6 p.p. em doze meses), destacando-se as reduções em desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão e capital de giro. No crédito direcionado, a taxa recuou para 10,8% a.a. (-0,1 p.p. em doze meses).
O spread geral do sistema financeiro, calculado a partir das taxas de juros das concessões do mês, situou-se em 18,9 p.p. em dezembro (-3,8 p.p. em doze meses). No crédito livre, o indicador alcançou 31,8 p.p. (-8,5 p.p. em doze meses), enquanto, no crédito direcionado, o spread se manteve em 4,3 p.p. em dezembro (+0,6 p.p. anual). O spread no crédito a pessoas físicas declinou 7 p.p. no ano, para 25,4 p.p., enquanto nas operações a pessoas jurídicas recuou -1 p.p. no ano, alcançando 9,8 p.p. em dezembro.

A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, considerados os atrasos superiores a noventa dias, manteve trajetória de queda, situando-se em 3,2% (-0,5 p.p. doze meses). A redução ocorreu tanto no segmento das famílias (-0,4 p.p.), para 3,5%, quanto no de empresas (-0,6 p.p.), para 2,9% em dezembro.

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