Slider

Opinião

Política

Notícias

Economia

Esporte

» » » » Nunca julgue uma decisão apenas com base no resultado de um único caso

Rolf Dobelli, no livro “A arte de pensar claramente”, pergunta: “Como reagem os meios de comunicação de massa ao homem de sucesso em investimentos?”. Responde: irão se atirar sobre esse animal humano para descobrir seus “princípios de sucesso”. E irão encontrá-los:
  1. talvez o sujeito de sucesso tenha tido mais herança do que os outros;
  2. talvez se coloque em seu canto sem badalação para elaboração de uma estratégia correta;
  3. talvez se coloque, frequentemente, em crônicas sociais para atrair bons sócios; ou
  4. talvez faça longas pausas de reflexão enquanto reflete a respeito de o que fazer.
Alguma receita de sucesso ele tem de ter, não é? Afinal, como poderia apresentar um desempenho tão fulminante? Um sujeito que, durante anos, sempre apostou certo é um ignorante? Impossível!

Essa história dos investidores ilustra o viés de resultado: nossa tendência a avaliar decisões com base no resultado — e não com base no processo anterior à decisão. Um erro de pensamento que também é conhecido como falácia do historiador.

Do ponto de vista atual, obviamente, pois tudo indicava que o que aconteceu era iminentemente esperado – e deveria ser prevenido. Todavia, somente em retrospectiva os sinais parecem tão claros. Na época, havia uma enorme quantidade de indicações contraditórias. Algumas apontavam para um rumo; outras, não.

Para avaliar a qualidade da decisão prática, é necessário colocar-se na situação de informação daquela época em que ela foi tomada e abstrair tudo que soubemos posteriormente a respeito, sobretudo, o fato de que aquilo, que aconteceu efetivamente, é a prova de o que deveria acontecer.

É comum cair no viés de resultado quando as amostras são muito pequenas. O resultado correspondente a um ou poucos experimentos nada prova.

Como, então, avaliar especialistas? Você só poderá julgá-los corretamente se entender alguma coisa da profissão deles e observar minuciosamente sua atividade ser preparada e realizada, ou seja, na medida em que você julgar o processo, e não o resultado. Ou então, em segundo lugar, se partir de um número de amostras bem maior do que algumas poucas decisões. Julgar os profissionais com base em um resultado seria não apenas negligente, mas também antiético.

Moral da história: nunca julgue uma decisão apenas com base no resultado de um único caso. Um resultado ruim não significa automaticamente que a decisão foi errada — e vice-versa.


Portanto, em vez de questionar uma decisão que se mostrou errada ou de se gabar por uma decisão tomada que talvez tenha conduzido ao sucesso por puro acaso, é melhor entender por que você decidiu desse modo. Por razões sensatas e compreensíveis? Nesse caso, você fará bem em agir da mesma forma da próxima vez. Mesmo que, da última, não tenha tido sorte. (Por Fernando Nogueira Costa)

«
Next
Postagem mais recente
»
Previous
Postagem mais antiga

Nenhum comentário:

Leave a Reply