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» » » » » Luiz Gonzaga Belluzzo afirma que o ex-presidente Lula é de centro, um aglutinador


Considerado entre os melhores economistas heterodoxos do país, Luiz Gonzaga Belluzzo é pessimista ao analisar a conjuntura para 2018 acreditando que a virulência do debate político nas redes sociais apenas aprofundará um fenômeno que já identificou em um recente artigo: a radicalização esmagando cada vez mais a centro-esquerda e centro-direita do país.
"Há clima social típico de uma sociedade dilacerada", observa em relação ao que houve nas eleições 2002/2006. "As redes não são exatamente a ágora ateniense. Como [Marshall] McLuhan já disse, o meio é a mensagem", pontua o economista que desistiu de ter uma conta no Facebook: 
"Olho as redes e confirmo minha convicção: Thomas Hobbes é o cara. O homem hobbesiano entrega-se ao isolamento e se transforma em um ser antissocial e, portanto, inumano. Na outra face do descolamento dos especialistas estão inscritas as certezas de 140 caracteres". 
O modelo digital de comunicação colabora para a articulação de ideias com baixa reflexão. Um exemplo disso é como Lula é reiteradamente classificado como "um radical político" nas redes sociais, coisa que Belluzzo, que trabalhou como consultor pessoal de economia durante o governo petista, discorda fortemente: "[Lula] está longe de ser um radical. É um mediador". 
Segundo Belluzzo, o que Lula tem representado para uma grande parcela da população, mais pobre, na verdade é a perspectiva de melhora da qualidade de vida. "Eu estive um mês no Nordeste no Norte de Minas, e nessas regiões a votação do Lula vai ser maciça". 
Acompanhe a seguir alguns trechos da entrevista:
Valor: Há esperança de as coisas melhorarem em 2018?
O debate político em curso sugere que não há mediação democrática entre os dois polos que estão se formando. Diante dessa polarização e da forma como está evoluindo, acho que é ilusório imaginar que a eleição possa acomodar as tensões. Essas tensões são a expressão política de um conflito social, sempre latente nas sociedades modernas urbano-industriais. O conflito tornou-se universalmente mais agudo na era da globalização. No Brasil, foi revigorado pelo avanço do atraso das classes dominantes e de seus seguidores. É isso mesmo, o avanço do atraso. Basta ler as pesquisas e observar com certo distanciamento o que está ocorrendo. Escrevi outro dia que centro-direita e centro-esquerda estão sendo esmagadas pela radicalização. O Lula, por exemplo, está longe de ser um radical. O Lula é um mediador, mas a concentração de votos nele representa um repúdio ao retrocesso social deflagrado pela política econômica adotada a partir de 2015. Eu estive um mês no Nordeste no Norte de Minas, e nessas regiões a votação do Lula vai ser maciça.
Que polarização é essa?
Entre os ricos, bem-nascidos, e os pobres que avançavam. Modestamente, mas avançavam. Vou repetir o que disse o bilionário americano Warren Buffett, ainda nos anos 90. "Nós [os ricos] promovemos a luta de classes e estamos ganhando". No mundo desenvolvido do pós-guerra, foi possível mediar esse conflito com o avanço da democracia e a ampliação dos direitos sociais e econômicos. Mas, nas últimas décadas, o discurso do mérito aparece cada vez mais como justificativa para a desigualdade. Sempre reaparece, mas desta vez está reaparecendo de maneira muito aguda.
(...)
Ganhei a oportunidade de estudar no colégio São Luís, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na Faculdade de Filosofia, Letras também da USP. Em uma corrida de mil metros, saí com uma enorme vantagem. Mérito? Essa diferenciação social não se dá apenas pela renda e riqueza, é muito baixo o peso conferido pelos meritocráticos aos valores da igualdade e liberdade. Esses valores do Iluminismo, da Revolução Francesa, do liberalismo político não comovem os que ocupam o poder real no Brasil. Por outro lado, é preciso avaliar como estão se conformando as aspirações das pessoas mais frágeis economicamente. O Valor publicou na semana passada uma pesquisa qualitativa com pessoas das classes C e D.
Valor: Eles querem de volta a vida que tinham na época de prosperidade econômica do governo Lula?
Isso. Cada vez que falam em populismo eu tenho arrepios. Populismo é uma palavra sem conceito. Ela pretende dizer que os "esclarecidos" - entre aspas - votam de maneira racional, não por interesse próprio. Dizem que os desvalidos e os mais pobres estão atacando o orçamento na defesa de seus interesses. Já, os especialistas, esses não, eles encarnam a racionalidade. Eliminam a contraposição de interesses e vão jogar Lego com o produto potencial e o teto de gastos. Não por acaso, no mundo há uma onda de desconfiança com os ditos especialistas.

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