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» » » » Veja porque o Joesley entregou as fitas que o comprometem e as flechadas no pé de Rodrigo Janot

Por Luis Nassif, no GGN

De fonte do Ministério Público Federal, diretamente envolvida com a Lava Jato, fica-se sabendo que a existência das gravações já era conhecida há tempos.

Quando houve a entrega dos primeiros grampos, a busca feita pelo MPF capturou também gravações adicionais, possivelmente as que foram divulgadas estes dias. Os advogados da JBS pediram insistentemente que não fossem consideradas. E, aparentemente, a PGR acatou o pedido.

Com o final do mandato de Rodrigo Janot criou-se um dilema. Do lado da PGR o receio de que, entrando, a nova PGR Raquel Dodge procedesse a uma auditoria e descobrisse conteúdos comprometedores. Do lado, de Joesley, o receio de que a PGR entregasse as fitas antes da passagem do bastão. Quando a Polícia Federal botou a mão nos grampos reservados, o calco entornou.
Foi o que levou Joesley a se adiantar e entregar as gravações, com a vaga esperança de não ser acusado de esconder provas.

Com a formalização da entrega, não houve outro caminho a Janot que convocar um grupo de trabalho para uma audição de emergência. E, aí, apareceram os diálogos comprometedores sobre o ex-procurador Marcello Miller.

Ou Janot já sabia do conteúdo e disfarçou, ou não sabia e se assustou. No apuro, imaginou a estratégia mais desastrada: uma coletiva para assumir o controle da narrativa do episódio, criando suspeitas que fossem mais bombásticas do que os fatos concretos envolvendo ele e Miller. E aí se enrolou todo lançando as suspeitas sobre o Supremo Tribunal Federal.

Valeu-se dos mesmos estratagemas do auge da Lava Jato, em que conseguia escandalizar até pum de delator, desde que meramente mencionasse o nome de Lula e Dilma.

Os tempos são outros. De um lado, jornais que dependem fortemente da publicidade oficial trataram de se lançar com gana sobre seu pescoço. A tentativa de um copy-paste para acelerar uma denúncia contra Lula e Dilma, visando reconquistar as manchetes, não deu certo. Apenas jornais menores, como o que se tornou O Globo, deram destaque ao factoide.


Nos seus estertores, Janot conseguiu dar uma flechada no pé. Aliás, várias flechadas.

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