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» » » » O crítico de cinema Pablo Villaça afirma que o MBL é uma milícia fascista

O crítico de cinema Pablo Villaça comentou a pressão feita pelo Movimento Brasil Livre sobre a Queermuseum - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, promovida pelo Santander Cultural de Porto Alegre, cuja consequência foi o encerramento da exposição. O MBL incitou ataques contra o banco nas redes sociais e também conclamou os internautas a fecharem as contas no banco em protesto.
Em post no seu perfil no Facebook, o crítico de cinema diz que o MBL usa o pretexto da luta contra a corrupção para agir como uma milícia fascista. Agora, segundo Villaça, o grupo age de forma censora, querendo definir o que é arte ou não. (Com o 247)
Confira o texto de Pablo Villaça
O MBL nasceu no rastro das manifestações de 2013 como uma organização que, de acordo com seus fundadores, era apartidária e tinha como propósito principal o fim da corrupção no país. Não demorou muito para que se descobrisse que parte de suas ações contou com dinheiro vindo de partidos como o PMDB, o DEM e o PSDB[1]; eles passaram a ter acesso às galerias do congresso em momentos-chave recebendo crachás de forma irregular de líderes partidários[2]; não hesitaram em fazer aliança com Eduardo Cunha pela "moralização" e pelo "impeachment", resultando na infame foto com o deputado cassado[3]; e, claro, logo depois vários de seus membros foram eleitos para cargos públicos filiando-se a partidos como PSDB, DEM e PRB.

Mas estavam apenas começando.
Desde então, o MBL basicamente passou a agir como uma milícia de extrema direita, fazendo patrulhamento ideológico em escolas[4], atacando as ocupações estudantis que protestavam contra a absurda reforma educacional[5,6,7], divulgando o endereço residencial do falecido ministro do STF Teori Zavascki e incitando tumultos diante de sua casa e de parentes[8], espalhando propositalmente notícias falsas e desinformação (negando-se a desmenti-las ou, no mínimo, a oferecer algum embasamento para estas)[9], e, claro, produzindo e distribuindo memes contendo estatísticas falsas e calúnias contra opositores [se eu fosse linkar todos aqui, consumiria toda a Internet; basta visitar a página do grupo].
Mas quando julgávamos que o MBL (o "m" é de "milícia") não poderia ficar pior, eles dizem "hold my beer" e começam a pregar a pura censura, atribuindo a si mesmos a autoridade para determinar o que é Arte ou não e o que merece ser exposto ou não.
Foi o que fizeram com a exposição Queermuseum - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, promovida pelo Santander Cultural de Porto Alegre: protestando contra o que consideraram "zoofilia", "pedofilia", "putaria" e "sacanagem", o MBL passou a fazer pressão sobre o Santander Brasil pra que fechasse o espaço, incitando pessoas do país inteiro a encerrarem suas contas no banco como forma de forçar a instituição a atendê-los[10]. Pior: agrediram verbalmente os frequentadores da exposição - e ao menos um agência do banco foi pichada.[11]
Como não poderia deixar de ser, logo ganharam apoio do prefeito de Porto Alegre, o tucano Nelson Marchezan Jr., que teve apoio do grupo "apartidário" em sua eleição. Marchezan, vale lembrar, é o mesmo prefeito que foi à justiça exigir que protestos contra sua gestão fossem proibidos - e foi atendido.[12]
O mais triste? O Santander Cultural CEDEU ao MBL e encerrou a exposição, que contava com obras de Portinari, Adriana Varejão, Lygia Clark e Alfredo Volpi. A justificativa publicada por eles [13] é o mais puro retrato da submissão diante da censura - e o fato de a nota admitir que esta é a primeira vez que interferem em um evento é a prova de como esta milícia conservadora, estúpida e hipócrita está começando a moldar de forma perigosa o país. Aliás, é inacreditável que o instituto inclua em seu texto a seguinte passagem: "Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana."
Ora, o propósito da Arte não é "gerar inclusão" nem "reflexão positiva", mas expressar a visão de artistas e, se possível, provocar o público a refletir sobre esta - positiva ou negativamente. SEMPRE vai haver alguém ofendido por uma obra; se começarmos a usar este critério como base para condená-las, nada sobrará. Nada. Se o MBL ou qualquer indivíduo não aprova algum evento cultural, tem a simples opção de NÃO VISITÁ-LO - ou mesmo de defender que as pessoas o boicotem. Mas encerrá-lo? Jamais. Uma das coordenadoras do MBL justificou suas ações com o tipo de frase característica de quem combina ignorância e intolerância: "Não entendo que isto seja arte".[14]
Aliás, um dos integrantes do MBL que liderou a ação contra a exposição chegou a declarar: "“O curador dessa obra, Gaudêncio Fidelis, esse cara deveria estar preso”.
PRESO. Porque fez curadoria de uma exposição que ofendeu o MBL, que imediatamente reagiu com duas de suas características básicas: autoritarismo e violência.
Além, claro, do falso moralismo - e, como notou o roteirista Fernando Marés de Sousa em seu Twitter, é bom lembrar que um dos FUNDADORES do MBL, Pedro Ferreira, é cantor da banda Bonde do Rolé[15], cujo repertório inclui, entre outras coisas, esta preciosidade:
"Do piupiu do meu priminho eu puxava a pelezinha
Desde os três aninhos eu mostrava a calcinha
Se nasci pra ser devassa, ser devassa pode crer
Põe a jeba na minha frente que eu te mostro o que é fuder

Vem o puta pobre
e sessenta real a chupeta da sandrinha, aaah

Nêgo crescia os "óio" quando via a periquita
Batia na minha cara e botava a xalxixa(sic)
Punha o dedo no meu cu pra ver se tinha oxiúro
Subia e toma sol, nego lotava a laje e o muro"[16]

Hum. "Desde os três aninhos eu mostrava a calcinha", diz a letra da música do fundador do grupo que acusou uma exposição de "pedofilia".
Mas não se preocupe, Pedro Ferreira, pois não tenho qualquer intenção de pregar que você seja preso ou proibido de se apresentar. Ao contrário da milícia que fundou, sei respeitar as diferenças e valorizo a liberdade de expressão e artística.
Aliás, não é tristemente irônico que o MBL tenha conseguido censurar uma exposição sobre DIVERSIDADE? Nada mais apropriado para sintetizar a natureza deste grupelho fascistoide.
É hora de reagirmos. E uma boa forma de começar é apoiando o ato de repúdio à decisão covarde do Santander: https://www.facebook.com/events/905454412938548/?hc_location=ufi
Ou então teremos que nos acostumar à ideia de um país que tem, como norte cultural, a "sensibilidade" de pessoas que enxergam em Alexandre Frota um exemplo de artista.

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1 comentários:

  1. milicia de vagabundos, num pais serio, essa raça imunda ja estaria alojada a sete palmos embaixo da terra

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