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» » » » Para o sociólogo Emir Sader, a direita quer se livra de Michel Temer para salvar o golpe

Por Emir Sader, no 247 
Setores de direita, cada vez mais, se põem ansiosos com os destinos do governo Temer, que eles instalaram mediante um golpe. Alguns dizem abertamente que com ele não dá mais. Outros vacilam, às vezes dizem que esse governo terminou, outras preferem mantê-lo do que se aventurar a uma mudança, com os riscos de uma eleição direta e a vitória de Lula.
Do que tratam é de salvar o golpe, para o que talvez tenham que sacrificar Temer. Ser contra Temer não é ser contra o governo do golpe, que faz passar, a ferro e fogo, o pacote de medidas regressivas, antipopulares, antidemocráticas e antinacionais. Quando o fogo se alastra sobre o governo Temer e centenas de parlamentares estão chamuscados, tentam, no Congresso, avançar na aprovação de medidas neoliberais, como se não estivesse passando nada no país e no governo. Quem chegasse ao Brasil e fosse direto ao Congresso, acreditaria que existe um governo legal, que a situação é de normalidade e de estabilidade.
Mas não é nada disso o que acontece. Temer não governo já há quase dois meses. A única coisa que faz é tentar se defender das acusações cujas evidências são cada vez mais evidentes e que devem levar ao fim do seu governo. Ele só usa os recursos do governo para comprar apoios. Dane-se o país, contanto que ele se salve, que não seja enxotado do governo e termine preso como outros dos seus comparsas.
A direita precisa derrubar Temer como condição para tentar salvar o golpe. Fica cada vez mais claro que se inclinam por algum outro político corrupto, mas que possa, pelo menos por algum tempo, de forma não tão precária como Temer e talvez com um governo com outros políticos igualmente corruptos, buscar a salvação do golpe.
O grande empresariado está contente, embora apreensivo. Contente com a política econômica levada a cabo a favor dos bancos e com as medidas aprovadas contra os trabalhadores e as políticas sociais. A única coisa que lhes interessa é seguir blindando ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e seus banqueiros, para que defendam seus interesses. Em princípio prefeririam que tudo fique como está. Estão pela continuidade de Temer, fechando os olhos para tudo o que acontece ao governo. Os governos, para eles, são reles instrumentos para realizar seus interesses. Não importa que esteja à cabeça do governo. Mas temem, cada vez mais, eleições, democracia, povo. E este governo tem lhes garantido isso.
Mas uma direita que se uniu no golpe e deu apoio unânime a esse governo só pode temer, cada vez mais, a democracia, o voto, o povo. Sabem que se condenam a novas derrotas e, desta vez, de forma mais acachapante, porque queimaram seus possíveis candidatos e os partidos que lhe foram fieis.
Precisam salvar o golpe e por isso talvez tenham que se render que é necessário sacrificar Temer, que já lhes deu o que podia dar – um álibi para dar o golpe e tirar o PT do governo. Mas querem uma solução indolor, rápida, segura. A confiança deles parece recair no atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem se mostrado uma garantia para eles, absolutamente subserviente ao que eles têm precisado. Mesmo se ele também é acusado de corrupção, não tem, ainda, as evidências que hoje recaem contra Temer. Por um tempo poderá tocar os projetos no Congresso e, talvez, as reformas políticas com que pretendem blindar as eleições de 2018 – fim do voto obrigatório, voto distrital, alguma forma de parlamentarismo, retorno do financiamento privado de campanhas.
Para a democracia, ou se salva o golpe ou se salva o Brasil. Não há coincidência alguma entre os que lutam pela democracia e os que querem apenas substituir Temer por algum outro político golpista. O golpe esgotou sua primeira fase, em que se valeu dos políticos corruptos do PMDB para derrubar o PT e instaurar uma equipe neoliberal para dirigir a economia do país.
Agora querem passar a uma segunda etapa, com o golpe recauchutado, bloqueando ao mesmo tempo as possibilidades de vitória de Lula e o retorno da democracia e de um Brasil com desenvolvimento e com distribuição de renda. É claro que querem isso e precisam disso. Mas não é claro que consigam, porque queimaram muitas naves, esgotaram o consenso anti-corrupção e anti-PT. O país volta a centrar suas atenções e preocupações nas questões sociais, a ante-sala que levou o PT ao governo e a quatro vitórias consecutivas. Ou se salva o golpe ou se salva o Brasil.

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