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» » » Aumento das taxas de juros nos Estados Unidos derruba as principais moedas do mundo

A perspectiva de que o Federal Reserve (banco central norte-americano) promova três aumentos das taxas de juros no ano que vem levou o dólar a menos de quatro cents da paridade com o euro. A divisa europeia chegou a ser negociada a 1,0395 dólar uma hora antes da abertura de Wall Street, refletindo a expectativa de que o Fed será mais agressivo do que se previa. Há 14 anos não se registrava tal cotação.

O dólar se valorizou quase 1% sobre o euro quando foi revelado que, numa pesquisa interna, 11 dos 17 integrantes do conselho do Fed anteveem juros de pelo menos 1,5% nos EUA no final de 2017. Entre eles, cinco conselheiros preveem inclusive um índice mais alto. O ritmo da progressão até taxas de juros mais normais seria semelhante em 2018 e 2019.
    No Brasil, o dólar também opera em alta em relação ao real nesta quinta-feira. No início da tarde, a moeda norte-americana subia 1,37% e era vendida a 3,37 reais.Juros maiores nos Estados Unidos tendem a puxar o dólar para cima em relação a moedas emergentes como a brasileira. A elevação dos juros americanos fazem os investidores tirarem seu dinheiro de países emergentes – que pagam juros mais altos, embora apresentem mais riscos - e levarem para os EUA. Com menos dólares no Brasil, o real tende a ficar mais fraco e o valor da moeda norte-americana sobe.

    Segundo o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, o mercado já estava esperando pela decisão do Fed, mas não pelos possíveis incrementos consecutivos nos juros em 2017. “Com isso podemos esperar um dólar bem mais valorizado no próximo ano”, afirma. Até o momento, o Banco Central do Brasil não anunciou nenhuma intervenção no mercado de câmbio. O aperto monetário nos EUA também repercutiu na Bolsa de Valores de São Paulo. No início da tarde, o Ibovespa caía 0,71%, a 57,801 pontos.

    No México, a cotação da divisa mexicana está há meses em seu máximo patamar histórico. A vitória de Donald Trump na eleição presidencial foi a confirmação de um cenário que se manterá no meio termo, e a decisão do Fed reforça essa situação, sem, no entanto, piorá-la. A reação do mercado de divisas foi leve. A moeda norte-americana fechou a sessão em 20,38 pesos, alta de 0,05%.

    Nesta quinta-feira, com a mensagem digerida, o dólar registrou outra alta de 1% em relação a uma cesta de moedas. O movimento em dois dias, portanto, é muito forte, e os bancos de investimento dão como certo que a divisa norte-americana alcançará a paridade com o euro no começo do ano que vem. O encarecimento do preço do dinheiro poderia ser inclusive mais abrupto se a promessa de cortes tributários e aumento dos investimentos feita por Donald Trump estimular a inflação.

    A alta dos juros e a expansão dos estímulos fiscais é o caminho oposto ao que está sendo seguido pela Europa, que acaba de prorrogar a compra de bônus para sustentar o crescimento e a inflação. Esta divergência alimenta ainda mais a valorização do dólar e complica a aposta numa recuperação do euro em curto prazo. Some-se a isso a incerteza causada pelo complexo calendário político de curto prazo no Velho Continente.

    Há apenas uma semana, o euro era negociado a quase 1,08 dólar. Nos últimos dias, antes da decisão sobre os juros, a moeda europeia sofria para se manter em 1,065. O câmbio a 1,04 dólar é visto como uma marca sólida, mas não se descarta que caia novamente a 1,03 nos próximos dias, se os dados econômicos reforçarem a ideia de sustentabilidade do crescimento e do emprego.

    Efeito nas empresas

    Essa escalada, alimentada também pela perspectiva de maiores retornos, pode afetar a margem de lucro das grandes empresas exportadoras, por reduzir a competitividade dos seus produtos, que se tornam mais caros. Existe, além disso, o temor de que a valorização possa restringir as condições financeiras para as dívidas em dólares. Isso obrigaria o Fed a ser mais precavido com futuras altas dos juros.

    A combinação de juros mais altos e moeda valorizada pode esfriar o entusiasmo vivido em Wall Street após o resultado da eleição presidencial. As empresas nos setores de materiais, energia e as mais expostas aos juros são as que mais sofrem. A situação, entretanto, beneficia os bancos, porque melhoram as expectativas de lucros.(Do El Pais)

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