Slider

Opinião

Política

Notícias

Economia

Esporte

» » » » Em meio ao combate à corrupção no Brasil, Osasco/SP poderá eleger um corrupto como prefeito da cidade

Por Zambarda de Araujo, do DCM

Rumo ao segundo turno neste domingo (30), o município de Osasco tem dois candidatos a prefeito: o atual Jorge Lapas (PDT) e  Rogério Lins (PTN).

O segundo deles, vereador favorito para vencer a disputa, tornou-se personagem de destaque de um esquema de corrupção com funcionários fantasmas na Câmara Municipal.
Há quatro meses, o Ministério Público expediu um mandato de busca e apreensão em 10 gabinetes de vereadores em Osasco. Um dos investigados no escândalo foi o próprio Rogério Lins, sob a acusação de manter funcionários fantasmas em sua gestão.

Na internet, o vereador e correligionários divulgaram que nada foi provado contra ele, e também nada apreendido. No site do MP, no entanto, há dois processos contra Lins. Um deles mostra que houve apreensão de documentos.

O processo corria em segredo de Justiça e tornou-se público. O DCM teve acesso aos documentos.


Na acusação, consta que Lins é investigado por improbidade administrativa ao manter funcionários fantasmas dentro de seu gabinete.

O Ministério Público apreendeu aproximadamente 20 folhas de presença do gabinete do candidato Rogério Lins no dia 9 de junho de 2016. A abertura e o fechamento dos registros dos funcionários públicos da Câmara funcionam do dia 20 do mês corrente até o dia 19 do mês seguinte.

O promotor Gustavo Albano Dias da Silva solicitou um mandato de busca e apreensão com objetivo de recolher documentos nos gabinetes e em mais outros 20 locais relacionados aos vereadores investigados, incluindo residências e estabelecimentos comerciais que os acusados frequentavam. O material de presença aponta para um esquema de corrupção de funcionários públicos na Câmara Municipal de Osasco.

De acordo com a lei, o ponto deveria ser registrado às 9hrs da manhã com 15 minutos de tolerância máxima. No dia da execução da ordem judicial, a Polícia Militar chegou aproximadamente 9h40, depois do horário de entrada dos funcionários e da tolerância. A PM fechou o prédio para averiguação e apreensão dos documentos juntamente com diversos Promotores de Justiça.


No local havia só havia por volta de 70 funcionários durante a operação, com ausência aproximadamente 500 pessoas que deveriam estar trabalhando efetivamente na Câmara naquele dia. Uma grande aglomeração de funcionários ficou do lado de fora do recinto. Eles chegaram supostamente atrasados e foram impedidos de entrar.

Dos mais de 500 funcionários da Câmara Municipal de Osasco, pelo menos 250 são investigados como fantasmas, apadrinhados políticos dos vereadores da cidade. Os acusados são pessoas que contribuíram nas campanhas eleitorais, seja doando dinheiro, apoio politico ou pedindo votos.

Dentro do gabinete de menos de cinco metros quadrados do vereador Rogério Lins, há 20 funcionários registrados. De acordo com a documentação apreendida, pelo menos 12 deles dão indícios claros que de que são fantasmas, porque ora preencheram todos os dias sem comparecer ao trabalho, ora deixaram de registrar corretamente no ponto.Chama a atenção a forma sequencial das assinaturas dando indícios que os tais funcionários assinavam em um único dia todas as presenças.

O funcionário Sergio Di Pace Di Nizio, líder do PRP e aliado de Lins, não estava com todas as presenças registradas. E sua esposa, que também faz parte dos quadros de funcionários do gabinete candidato em Osasco, Patricia Cabrera Pereira Di Nizio, também estava com a folha de ponto apresentando ausências em dias úteis.

A reportagem entrou em contato com a ONG SAZULO no Jardim de Abril, em Osasco, onde foi informada que o assessor parlamentar Jhonny Diego, pago pela Câmara, dá aulas de dança e informática em horários que deveria estar trabalhando no gabinete de Rogerio Lins. O candidato é patrono da organização e seu funcionário foi exonerado e continua trabalhando na SAZULO.

Na documentação apreendida no dia 9 de junho consta que funcionários já tinham trabalhado dia 10. Portanto não são apenas listas de ponto com ausência de assinaturas que configuram fraude.

Lins é aliado de Gelson Aparecido de Lima (ex-PT), Rubens Furlan (PSDB), ex-prefeito Francisco Rossi (PR), Celso Giglio (PSDB) e outros vereadores que são investigados no mesmo processo pelo MP de Osasco. Alguns deles possuem impugnação por crimes eleitorais e vários deles eram base do governo Jorge Lapas do PDT, mas por motivos diversos resolveram romper com Lapas e participar da campanha eleitoral de Lins.

Um dos funcionários fantasmas investigados é Guilherme Fernandes de Lima, pouco conhecido em Osasco e na própria Câmara. Ele é filho de Gelson de Lima, o coordenador da campanha do candidato Lins.  Gelson foi braço direito do ex-deputado João Paulo Cunha do PT, que foi condenado no escândalo do Mensalão.

Guilherme foi exonerado no dia 3 de outubro.

Da base de Jorge Lapas do PDT, Gelson de Lima foi abandonado pelo atual prefeito de Osasco e se aliou a Rogério Lins. O impeachment da presidente Dilma Rousseff e o enfraquecimento do PT foram fatores que levaram Lapas a romper com alguns dos funcionários fantasmas e apadrinhados, que procuraram um novo candidato que pudesse vencê-lo nas urnas.

A reportagem apurou junto ao Fórum de Cotia que outro apoiador de Lins, Sérgio Folha, o presidente da Câmara Municipal, é investigado por nepotismo ao empregar parente na Câmara de Osasco no gabinete do vereador Rogério Silva.

Em São Paulo, o principal apoio de Rogério Lins vem de Paulinho da Força, do Solidariedade, que apoiou João Doria como prefeito pelo PSDB. Doria, o prefeito eleito de São Paulo, gravou um vídeo em solidariedade ao candidato. O governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político, tirou fotografias.

De acordo com o instituto Paraná Pesquisas em parceria com a Jovem Pan, Lins (PTN) aparece com 34,8% das intenções de voto contra apenas 22% de Lapas (PDT).

«
Next
Postagem mais recente
»
Previous
Postagem mais antiga

Nenhum comentário:

Leave a Reply