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» » » » Michel Temer se compara a um golpista. Na verdade, ele sabe que é um golpista

Por Alex Solnik, no 247
 Temer disse ao “O Globo” como se sente ao sentar-se à mesa presidencial:
— Eu me sinto aqui como Carlos Magno. Quando eu tinha 11 anos de idade, eu ganhei um livro chamado “Carlos Magno e os 12 cavaleiros da Távola Redonda” e eu li aquele livro e era assim: os doze cavaleiros”.
   Temer deu um tremendo fora – ou melhor, três - ao se comparar ao primeiro imperador romano.
   Primeiro, por se comparar a um imperador, dando a entender que chegou ao poder sem votos; segundo, por se comparar a um imperador que usurpou o trono de seu irmão; terceiro, por se comparar a um imperador golpista.
   Quando o rei Pepino, o Breve, morreu, a 24 de setembro de 768 a herança e a coroa foram divididas entre seus dois filhos, Carlos Magno e Carlomano.
   Os dois foram coroados reis, cabendo a cada um reinar sobre metade da imensa região herdada que ia da França à Alemanha.
   Carlos recebeu a parte original de Pepino como prefeito (o segundo cargo abaixo do de imperador), a Nêustria, a Aquitânia ocidental e a parte norte da Austrásia, enquanto Carlomano recebeu a parte originalmente pertencente ao seu tio, a parte sul da Austrásia, a Septimânia, a Aquitânia oriental, a Borgonha, a Provença e a Suábia, além das terras na fronteira com a Itália.
   Três anos depois da coroação, em 771, Carlomano morreu misteriosamente no palácio de Samoussy, que era de seu irmão.
   Em vez de seus filhos herdarem as terras em que reinava, Carlos Magno se apossou delas, tornando-se dono e rei único de todo o reino que seu pai mandara dividir.
   Deu um golpe nos sobrinhos, portanto.
   Se Temer não quer ser chamado de golpista por que insiste em estabelecer conexões com o tema, confessando agora admirar um imperador sem escrúpulos?
   Que fora, Temer!

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