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» » » » Ao invés de investigar os culpados e beneficiários da corrupção, o Geraldo Alckmin (PSDB) usa CPI para perseguir e intimidar investigadores

Ao invés de investigar os verdadeiros culpados e beneficiários da corrupção envolvendo a compra de merenda pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, a CPI instaurada na Assembleia Legislativa – composta majoritariamente de aliados de Alckmin - tem constrangido delegados e promotores, e encampado a nova versão dos acusados, de que foram as autoridades que ameaçaram dar voz de prisão a quem não denunciasse deputados metidos no esquema.

Nesta terça (16), a CPI convocou  o ex-vice presidente da Coaf (Cooperativa Orgânica da Agricultura Familiar) Carlos Alberto Santana da Silva e o ex-vendedor Carlos Luciano Lopes. Ambos alegaram que foram “coagidos” por delegados da Polícia Civil para acusar "peixes grandes", ou seja, os políticos envolvidos no pagamento de propina em troca de contratos com o governo. O principal deles seria o presidente da Assembleia, deputado Fernando Capez (PSDB).

Lopes, por exemplo, disse à CPI, depois de ser convocado para uma reunião com o governo estadual, que foi trancado na cozinha e perguntado por delegados sobre como tinha sido sua noite na cela. “E que queriam os grandões. Se fosse pra eu não falar nada, nem iam me ouvir e eu ia ficar preso”. O ex-vendedor admitiu, contudo, que somente após a entrada no esquema de Marcel Júlio, ex-assessor de Capez, é que os contratos começaram a ser fechados.

Silva, por sua vez, “disse que recebeu um papel com o depoimento já escrito e que foi mandado assinar pelo promotor Leonardo Romanelli, sob ameaça de prisão.”  Mas também admitiu que tinha "ouvido falar" que propina paga a Marcel Júlio era destinada a Capez, além de outros deputados, como os federais Baleia Rossi (PMDB), Nelson Marquezelli (PTB) e Duarte Nogueira (PSDB).

Na semana passada, a CPI ouviu os delegados que iniciaram a investigação. Mário José Gonçalves, José Eduardo Vasconcelos e Paulo Roberto Montelli foram acusados publicamente pelo deputado Barros Munhoz de prevaricação e de tentativa de prejudicar politicamente o governo Alckmin.

O deputado Alencar Santana (PT), único oposicionista de Alckmin na CPI, disse que o governador está utilizando "a máquina" para acusar os investigadores da máfia da merenda.

Leia mais detalhes na reportagem da RBA.

Por Rodrigo Gomes, na RBA

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o esquema de superfaturamento e pagamento de propina a servidores públicos e políticos em contratos da merenda escolar no governo Geraldo Alckmin (PSDB) ouviu hoje (16) dois ex-funcionários da Cooperativa Orgânica da Agricultura Familiar (Coaf) que buscaram incriminar os delegados e promotores do caso e livrar os deputados estaduais e federais da acusação de recebimento de propina.

O ex-vice presidente da Coaf Carlos Alberto Santana da Silva e o ex-vendedor Carlos Luciano Lopes alegaram que foram coagidos por delegados da Polícia Civil para acusar "peixes grandes". "Me trancaram na cozinha e perguntaram como tinha sido minha noite na cela. E que queriam os grandões. Se fosse pra eu não falar nada, nem iam me ouvir e eu ia ficar preso", relatou Lopes.

No entanto, ao apresentar um áudio do depoimento em que Lopes teria sido pressionado a "dizer o nome de deputados senão seria preso", o que se ouve é que os delegados estão realmente exaltados, mas exigindo que ele fale toda a verdade. "Você vai voltar aqui segunda-feira e vomitar toda essa porra. Se não vier vamos te buscar", diz um dos delegados, que não é identificado.

Embora diga que foi forçado a dizer os nomes de deputados, Lopes admitiu que somente após a entrada de Marcel Júlio – ex-assessor do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Capez (PSDB) – no esquema é que os contratos começaram a ser fechados.

Já o ex-vice presidente disse que recebeu um papel com o depoimento já escrito e que foi mandado assinar pelo promotor Leonardo Romanelli, sob ameaça de prisão. E que ele devia falar o que sabia do Capez, que havia sido citado como recebedor de propina no esquema.

Silva disse, porém, que somente a parte relativa aos deputados não seria verdade. Mas que tinha "ouvido falar" que os valores pagos a Marcel Júlio, ex-assessor de Capez, eram para o deputado. E que também tinha "ouvido falar" o nome de outros deputados, como os federais Baleia Rossi (PMDB), Nelson Marquezelli (PTB) e Duarte Nogueira (PSDB). No entanto, alegou que não acredita que o dinheiro fosse para eles, mas sim para o ex-presidente da Coaf Cássio Chebabi.

Além disso, o advogado dele, Rogério Valverde, se confundiu ao explicar a pressão sobre o cliente para dizer certos nomes. Primeiro disse que esse momento não foi filmado no depoimento. Depois que ele foi filmado lendo o depoimento escrito pelo promotor. E depois que ele foi filmado respondendo perguntas, que citou os deputados, mas que assinou depoimento com alterações.

O deputado estadual Alencar Santana (PT) disse que o governador Geraldo Alckmin está utilizando "a máquina" para acusar os investigadores da máfia da merenda. "Não tenho dúvida que foi traçado um roteiro. Os ouvidos mudaram os depoimentos depois de passar pela Corregedoria Geral da Administração. Os deputados também falaram na Corregedoria. No entanto, o Ministério Público não os ouviu", afirmou.

Durante todo o depoimento de hoje na CPI, os deputados da base do governador fizeram questionamentos sobre a conduta de delegados e promotores. O deputado Barros Munhoz (PSDB) voltou a acusar os delegados Mário José Gonçalves, José Eduardo Vasconcelos e Paulo Roberto Montelli, que prestaram depoimento na semana passada, de prevaricação e a dizer que eles e os promotores querem "prejudicar o governo e os deputados".

Antes dos ex-funcionários da Coaf, prestou depoimento na CPI o promotor Herbert Vítor, que foi acompanhado pelo vice-procurador geral de Justiça, Nilo Spínola Salgado Filho. Várias vezes ele também foi constrangido pela base de Alckmin, sob questionamentos de ter abusado da autoridade contra os investigados. Ele negou.

Para Santana, os investigadores não coagiram os depoentes. "Eles citaram textualmente que após a atuação do Marcel, ex-assessor que dizia agir em nome do Capez, os contratos saíram", afirmou. Para ele, chama atenção que os investigados que iniciaram as denúncias, como ex-dirigente da Coaf João Roberto Fossaluza, ou o ex-presidente da entidade Cássio Chebabi não compareçam. "Quem tem coisa importante a dizer não vem? É estranho".

Amanhã (17) a comissão vai se reunir para ouvir Fossaluza a portas fechadas. Ele alegou estar sob ameaça de morte e pediu proteção ao depoimento. Além dele serão ouvidos os ex-funcionários da Coaf Caio Pereira Chaves, Adriano Miller, Emerson Girardi, Aluísio Girardi e Carlos Eduardo.

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