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» » » » A autocrítítica que o PT deve fazer

Eis a tão querida “autocrítica”
Por Hydra, no GGN
Um dos maiores componentes da crítica é a possibilidade de usarmos uma referência externa para analisarmos supostos erros. Aliás, esse é um elemento crucial, desde que haja legitimidade dessa referência externa, que se constrói por processos que escapam a esse texto rápido, mas que têm em Bordieu, por exemplo, boa explicação.
A "autocrítítica", palavrinha da moda atual (como eram os processos revisionistas da esquerda pró-soviética e outras correntes na década de 60/70 do século XX) não possibilita tal expediente, porque ela vem contaminada por uma (auto) referência que compromete o julgamento de quem está vinculado aos erros na condição de agente, e logo, cede a tentação de justificá-los antes para depois aceitá-los e corrigi-los.
A (auto) crítica é, nesse sentido, sempre um dispositivo autoritário, a despeito da crença da esquerda-alice, ela mesma avessa a qualquer questionamento das suas certezas morais sobre ação política.
Um dos entraves da "autocrítica" é o vício teleológico, ou a síndrome do relógio quebrado, que "informa a hora certa duas vezes no dia", ou algo como "viram, nós avisamos".
Por imaginarmos que conhecemos o resultado e as causas, imaginamos, como erro (teleo)lógico, que os resultados sempre seriam os mesmos, diante das mesmas variáveis.
Esse é o mundo da esquerda-alice, que parece ter contaminado agora o PT.
Não se iludam com essa reunião do PT... é só o bom e velho jogo de posições e tendências retomando seu lugar (ainda bem) na vida do Partido, que mesmo destroçado, estuprado (e acusado por todos de ser o culpado pelo próprio estupro), ainda detém considerável capital político. 
Voltando ao PT e a (auto)crítica, eu acho que cabe antes perguntar:
1- O que nos envergonha, o alcance limitado do resultado das "reformas" no capitalismo barbárie que praticávamos até 2002, ou os meios utilizados para conseguir esses resultados, ainda que os consideremos modestos?
2- Existiam outros meios disponíveis com a correlação de forças que se apresentava? Era possível ir mais além?
3- Nosso país pode ser reformado ou restruturado sem um dissenso violento ou sem ruptura institucionais severas?
4- Os países que detêm a hegemonia mundial (eixo EUA-Europa) assistiriam nossos movimentos sem interferência ou intervenção?
5- Temos "cojones" para enfrentá-los?
6- Se os EUA abandonassem a política "da boa vizinhança" e resolvessem aplicar por aqui seus dispositivos militares, como fazem no Oriente Médio, para obter controle do Pré-Sal, o que seria de nós?
7- Até onde estamos dispostos a ir para tornar esse país o que queremos, e enfim, o que queremos?
O que se deve ter em vista, é que NENHUM, eu repito, NENHUM partido de esquerda, em nenhum lugar do planeta, avançará mais do que o pactuado em regras conservadoras para obter reformas significativas no modelo econômico e nas estruturas políticas de representação e estamentos normativos do Estado Capitalista.
E não sou eu que afirmo isso, é a História.
Não se muda com modelos de conservação em vigor. Ou melhor, não se muda até os limites de cada pacto consensuado entre as forças em litígio, e no caso do Brasil, esses limites sempre estiveram bem nítidos, é só olhar a cara da nossa sociedade machista, violenta, homofóbica, hipócrita, que ainda imagina, como alguns trouxas por aqui, que a polícia, por exemplo, é violenta apenas porque é integrada por sádicos.
Há consenso social transclassista para uso da violência dissimulada em desculpas como " morreu porque tava envolvido com tráfico", "também, vestida desse jeito, não queria ser abusada", ou "prender quem bebe e dirige é um exagero"...
Então, outra pergunta:
Se somos um partido que joga de acordo com as regras, inclusive aquelas que agora os moralóides apontam como "imorais", como alterar nossa concepção de Estado?
Vamos repetir ad nauseam, gostem ou não o gato e o coelho da esquerda-alice, o PT só chegou ao poder depois de "diluir-se" na platitude de alguns sensos comuns caríssimos ao mercado e a pauta da mídia: como controle da inflação, manutenção de contratos, liberdade de imprensa (leia-se nunca toquem nas concessões), austeridade fiscal e política monetária como eixo central da política econômica.
O texto acima é do tipo chuchu, a gente come (lê) porque stá aqui, mas não tem gosto de nada.
É claro que com Dilma ou sem Dilma o PT terá (SEMPRE) que avaliar e se reavaliar, aliás, é justamente isso que faltou até agora, mas sem expiações de culpa, porque:
- Fizemos o que podíamos, não acertamos em tudo, mas se não fôssem nós, as coisas estariam bem piores...E gostem ou não, a solução ou algum restinho de esperança ainda depende, quase que exclusivamente, se ainda temos paciência de apanhar, apanhar, apanhar de todos os lados, e resistir a mandar todos às favas...
Imaginem, por um exercício de elocubração que, diante de uma crise institucional, ou até mesmo caso de doença, Dilma já houvesse renunciado desde 2013?
Imaginem se écinho houvesse ganho em 2014? Ou pior, o traidor do Recife (que o diabo o tenha) e a joana d'arc da floresta (marina)?
Proponho um outro exercício de futurologia:
Lula ganha em 2018, base parlamentar igual ou menor, Congresso com espectro ainda mais sombrio e conservador, Donald Trump eleito e preço do petróleo em expansão...
E aí senhoras e senhores da esquerda carochinha, como diria Lênin, "O que Fazer"?

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