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» » » Ex-presidente Lula: "A elite brasileira não sabe viver democraticamente numa sociedade em que ela não governe"

Por Miguel do Rosário, editor-chefe do Cafezinho

O Cafezinho tem a honra de publicar, em primeira mão no Brasil, uma entrevista exclusiva de Wellignton Calasans, correspondente do blog na Suécia, e comentarista de política internacional para rádios africanas, com o ex-presidente Lula.

O que vemos é um Lula extremamente sensível às questões geopolíticas envolvendo o Brasil e consciente das brutalidades judiciais crescentes que se levantam contra sua pessoa, brutalidades que expressam o medo das elites reacionárias de que o povo escolha novamente um programa de governo que privilegie os mais pobres e tenha como norte uma postura internacional soberana.

Lula, todavia, se mostra bastante convicto de que ainda é uma figura política necessária ao cenário eleitoral de 2018, e afirma que continua aprendendo com a vida. "Pode ficar certo que se eu tiver que voltar, eu voltarei muito melhor do que eu fui", assegurou ao jornalista Welligton Calasans.

O presidente lamenta o viralatismo do governo golpista, tentando fazer o Brasil retomar a postura colonizada e subalterna que manteve durante séculos, e que foi um dos fatores responsáveis por nosso subdesenvolvimento. E sugere responsabilidade aos golpistas quando pensarem os Brics, que nunca foi, segundo Lula, uma estratégia para se afastar diplomaticamente das nações ricas, mas uma maneira de fortalecermos os países em desenvolvimento e trazermos mais estabilidade econômica e política ao mundo.

Lula denunciou ainda o "Estado de Exceção" vivido no Brasil, com judiciário, ministério público e polícia federal agindo em conluio com uma "imprensa autoritária", rasgando a Constituição e envergonhando o Brasil lá fora.

O golpe travestido de impeachment e a perseguição judicial a si e a seu partido são a expressão mais concreta desse Estado de Exceção.

O presidente observou que a "elite brasileira não sabe viver democraticamente numa sociedade em que ela não governe".

É importante lembrar que hoje, diante da perseguição ilegal e antidemocrática que vem sofrendo das castas burocráticas, Lula entrou com uma ação-denúncia nas Nações Unidas.

Trecho da entrevista:

(...) nós temos um comportamento autoritário da imprensa brasileira, nós temos um comportamento equivocado de setores do Ministério Público Brasileiro, nós temos um estado de exceção com o comportamento da própria Polícia Federal, então nós estamos vivendo uma coisa nova no Brasil. Você sabe, o Brasil tem uma democracia muito nova. Ou seja, se nós pegarmos a indicação do Sarney pelo colégio eleitoral depois da morte do Tancredo Neves, 1985, nós temos 31 anos de democracia; se a gente pegar dia 5 de outubro de 1988, quando foi aprovada a Constituição, nós temos 28 anos de democracia. É muito novo. E parece que a elite brasileira não sabe viver democraticamente numa sociedade em que ela não governe. Ou seja, ela só acha que democracia é quando ela governa. Quando um partido como o PT ia completar 16 anos de governança, com uma mudança extraordinária na qualidade de vida do povo brasileiro, com uma evolução de conquistas da sociedade brasileira, eles resolveram então antecipar e dar um golpe como estão dando agora. Por isso, eu acho que nós estamos vivendo quase que um estado de exceção mesmo. Eu diria uma situação que envergonha o Brasil no mundo, porque o Brasil não está nem respeitando internamente a Constituição nem está respeitando a democracia.

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