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» » » » Eduardo Cunha, o grande manda-chuva do parlamento brasileiro, chorando se foi

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Bernardo Mello Franco analisa a trajetória que levou o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a pedir sua renúncia da presidência da Câmara. Para o jornalista, a ousadia, ganância e ambição de Cunha fizeram com que ele se tornasse um dos políticos mais poderosos das últimas décadas, mas também aceleraram sua queda.
 
Ao longo de sua carreira política, Cunha aprendeu a manejar o submundo do Congresso e a forjar alianças com lobista e grandes empresários. Depois, se aproveitou da desarticulação do governo de Dilma Rousseff para tentar voos mas altos, assumindo a presidência da Câmara e criando "uma bancada particular maior do que qualquer partido". 
 
Mello Franco diz que ele se fragilizou ao comprar brigas simultâneas com o Palácio do Planalto, com Renan Calheiros, presidente do Senado, e com Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Por último, afirma que o único objetivo da renúncia é evitar a cassação de seu mandato e "uma mudança forçada para Curitiba". 
 
Leia mais abaixo:
 
Da Folha
 
 
Bernardo Mello Franco
 
Na história recente do Brasil, é difícil encontrar outro personagem com a ousadia, a ganância e a ambição de Eduardo Cunha. As três características o ajudaram a se tornar um dos políticos mais poderosos das últimas décadas. Ao mesmo tempo, aceleraram sua queda, consumada nesta quinta (7) com a renúncia à presidência da Câmara.
 
Cunha construiu a carreira nos bastidores, à sombra de padrinhos como Fernando Collor, Anthony Garotinho e Michel Temer. Aprendeu a manejar o submundo do Congresso e forjou alianças com lobistas e grandes empresários. Assim se transformou em intermediário entre os donos do dinheiro e políticos em busca de financiadores de campanha.
 
A desarticulação do governo Dilma abriu espaço para voos mais altos. O deputado farejou a oportunidade, candidatou-se à presidência da Câmara e impôs uma derrota humilhante ao Planalto. Ao assumir a cadeira, criou uma bancada particular maior do que qualquer partido e passou a sonhar até com a Presidência.
 
A Lava Jato interrompeu a ascensão meteórica, mas Cunha não jogou a toalha. Chantageou governo e oposição e, ao se sentir rifado pelo PT, abriu o processo de impeachment como ato deliberado de vingança.
 
A ousadia que o ajudou a abrir portas já havia começado a atrapalhá-lo. O deputado se fragilizou ao travar brigas simultâneas com o Planalto, o presidente do Senado e o procurador-geral da República. Conseguiu derrubar o governo, mas não foi capaz de parar as investigações. Ao virar a bola da vez, acabou abandonado pelos aliados de ocasião.
 

Sua queda era negociada havia semanas, mas ele insistia em negar as articulações. Ontem voltou a mentir ao dizer que sai para "pôr fim à instabilidade" na Câmara. Na verdade, seu único objetivo é tentar evitar a cassação e uma mudança forçada para Curitiba. No último ato, Cunha só surpreendeu numa coisa: conhecido pela frieza, embargou a voz e chorou diante das câmeras. 

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