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» » » » Ator e humorista Gregório Duvivier diz que o prenome de Temer é Fora

Vitor Nuzzi, da RBA - Fernando Morais, que completará 70 anos daqui a uma semana, e Gregório Duvivier, que fez 30 em abril, conheceram-se hoje (15) e convergiram nas avaliações sobre o governo Dilma Rousseff, o interino Michel Temer, o Congresso e os percalços da democracia – e também em certa dose de autocrítica a posições assumidas, ou abandonadas, pelo PT no poder. Para o ator e humorista Duvivier, uma das raízes da crise atual está no que ele chama de "problema psicanalítico" do Brasil, que não lida com seu passado. "O Rio fez o Museu do Amanhã num lugar onde aconteceu comércio de escravos. Não tem museu do ontem", comentou. Já o escritor e jornalista avalia que, em dois meses, o governo interino causa ainda mais prejuízo à cidadania e aos direitos dos trabalhadores do que em duas décadas de ditadura. E acredita que os articuladores de golpe só se darão por satisfeitos se neutralizarem a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.
O encontro entre os dois ocorreu na manhã desta sexta-feira, em seminário promovido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que precede a conferência estadual da categoria. Morais lembrou sua origem bancária: seu primeiro emprego com carteira assinada, 55 anos atrás, foi como contínuo no extinto Banco da Lavoura de Minas Gerais. Ali também começou sua carreira no jornalismo, escrevendo para o house organ do banco. "Não podia imaginar que, de barba branca, fosse de novo enfrentar uma ditadura", afirmou, prometendo "dedicar o que resta de energia a escorraçar essa gente". "A única maneira de nós sairmos desse buraco é nos dedicarmos em tempo integral a derrubá-los. Não podemos dar sossego a essa escória."
Ele citou uma relação ("Muito superficial, sem nenhum estudo") de medidas do governo "usurpador" liderado por Temer que trazem prejuízos ao país e aos trabalhadores: reforma da Previdência, exclusão da Petrobras da exploração do pré-sal, "arrebentar o Mercosul", esvaziamento do banco dos Brics ("O banco já está sendo desidratado pelo Brasil"), corte de benefícios sociais, entrega do Banco Central a um "jurista", no sentido de cobrador de juros, Ilan Goldfajn, sócio do Itaú, e entrega da Secretaria de Segurança Institucional a um general (Sérgio Etchegoyen) cujo pai foi acusado pela Comissão Nacional da Verdade por violação de direitos humanos na ditadura e com um tio responsável pela "Casa da Morte" em Petrópolis (RJ).
Morais destaca ainda os ataques à Empresa Brasil de Comunicação. "O objetivo é transformar a EBC numa agência de propaganda do Palácio do Planalto ou fechar as portas", afirmou. O escritor cita mais medidas: redução do SUS, correção de gastos sociais limitada à inflação do ano anterior, diminuição dos investimentos do programa Minha Casa, Minha Vida e "desidratação" do BNDES ("Um banco de fomento, para financiar desenvolvimento, projetos") e do Fundo Soberano.
Outra providência do governo interino, aponta, é tentar silenciar a mídia alternativa pelo corte de verba publicitária. "A grande imprensa o governo não precisa censurar. A grande imprensa é sócia (do golpe)", afirma Fernando Morais, para quem a internet, hoje, equivale em alguma medida à imprensa "nanica" atuante durante a ditadura.
A postura do governo atual também é semelhante à do período autoritário, compara. "A primeira medida que os militares tomaram para secar a fonte dos jornais foi econômica, foi pressionar os anunciantes. Por outro lado, os grupos de extrema-direita botavam bomba em bancas que vendiam jornais alternativos. Não chegamos nas bombas (agora), porque não tem mais banca de jornais, porque estamos na internet."
Para ele, o golpe ainda não foi concluído. Isso só acontecerá, diz Morais, "quando inabilitarem o Lula para disputar a próxima eleição". E não há necessidade de prisão, complementa. "Não precisa a parafernália que o juiz Moro tem feito. Um deslize, 10 reais, e você transforma o Lula em ficha-suja e o inabilita". O escritor considera necessária uma autocrítica aos governos petistas por não terem avançado na democratização da mídia e continuar abastecendo as principais empresas com "generosas verbas" públicas. "Nós cevamos durante anos o corvo que está comendo hoje os nossos olhos", afirmou.
Caos institucional
Gregório Duviver também fez essa ressalva ao PT. "Em vez de investir em TV pública, investiu na Globo. Foi um autoboicote." Ele criticou o partido por ajudar a eleger, nesta semana, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara. "Se é golpe, como é que está apoiando golpista?", questionou. Ao mesmo tempo em que considera "uma imbecilidade" a tentativa de demonizar o PT, o ator afirma que "a tal da realpolitik tem de ter algum limite".

O atual "caos institucional", como ele define, tem como principal causa o Poder Legislativo. "O Congresso é 90% homem, 97% branco, 99,9% heterossexuais, formada por empresários. Quando você vê essa cara, comparada à maioria do povo, você percebe que o Congresso não representa o povo brasileiro, representa o dinheiro brasileiro. O presidente do Brasil não se sustenta sem dois terços do Congresso. O impeachment é basicamente o Legislativo tirando o presidente, sem crime. A gente está num estágio muito primário da nossa democracia."
Ao chamar Temer de "ser das sombras", Duvivier disse que o presidente interino não precisa de popularidade. "Não precisa do povo, porque não governa para o povo", afirmou, acrescentando que setores homofóbicos e racistas se veem representados no atual governo, que representa a chamada plutocracia. "Ninguém fala 'fica, assume, viva, Temer'. Parece que o prenome dele é Fora", ironizou.
Duviver e Morais convergiram novamente ao destacar o papel contestador da arte e o ataque do governo Temer à área da cultura. "O principal inimigo do humor é o medo (da morte, da opressão). A cultura está nesse mesmo lugar, vai contra o medo", afirma o ator. "Ridendo castigat mores", emenda o escritor, traduzindo: "É com o riso que você castiga os temores".

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