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» » » » A intolerância dos golpistas para com os desenvolvimentistas


Nomeada por um governo golpista, a economista Maria Silvia Bastos Marques não tem pudor de tomar posse como nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): carreirismo…

Como um dos fundadores do Centro Celso Furtado, e abominando o discurso de ódio e intolerância ideológica predominante, aqui e agora, eu me solidarizo com o teor da seguinte mensagem que recebi da minha amiga Glorinha:

“Venho pensando no quanto a classe média se deixou enganar nesse processo de impeachment… Não quero fazer análise, pois o silêncio dela a mim me parece conter uma certa vergonha, pois eu a cada dia que passo mais envergonhada fico por ela…

Esta semana, entreguei para o Centro Celso Furtado uma pesquisa que demoramos dois anos para concluir: eu, o Prof. Victor Araújo, a Profa. Hildete e o Calos Renato. Estudamos o BNDES entre 1982 e 2004, haja vista que já tínhamos publicado, em 2010, o período compreendido entre 1952 e 1982.

Na pesquisa que agora realizamos, sob minha coordenação, além da análise de desempenho, entrevistamos treze ex-dirigentes do BNDES, que generosamente nos mostraram o que pensam sobre as privatizações, pois estas foram, durante algum tempo, o principal envolvimento do Banco, já que eram uma inovação em seu histórico papel.

Nos explicaram também como foi trabalhar com análise de crédito; porque foram utilizadas as chamadas “moedas podres”, que poucos sabem que favoreceu a troca de não recebíveis por recebíveis; instrumentos e conceitos contábeis utilizados; como o BNDES começou a financiar o agronegócios; como o Banco, depois de ter privatizado a Vale, no governo Lula da Silva recomprou suas ações….

Enfim, fizemos, do meu ponto de vista, com a decisiva colaboração de nossos entrevistados — dos quais nenhum deles é filiado ao PT, mas alguns são filiados ao PSDB e ao PMDB — um belo resgate de um debate que, no Brasil, mais uma vez permanece no campo ideológico.

Entregamos o trabalho para o Centro Celso Furtado na quinta feira, e na sexta feira a Mª. Silvia Bastos Marques, atual presidente do BNDES, nomeada pelo governo interino, deu uma “ordem de despejo” ao Centro Celso Furtado, que funciona nas dependências do Banco.

Qual é o seu argumento? “O Centro Celso Furtado foi uma criação do governo Lula e critica as privatizações”, assim foi publicado no Estadão!

Eu me pergunto: esse é um argumento que deva ser utilizado pela presidente de um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo?! Que até então acolheu um Centro de pesquisas que abriga a biblioteca do maior economista brasileiro, com reconhecimento mundial? Que retoma o debate acadêmico sobre as concepções do desenvolvimento econômico, trazendo pensadores nacionais e internacionais para esse debate?

O que isto tem a ver com o Lula? A não ser o fato dele, um operário, ser mais sensível ao debate do que uma economista formada na FGV-RJ?

Bom, estou começando a achar que daqui a pouco vão começar a nos prender, por termos uma visão crítica a respeito dos caminhos e descaminhos do desenvolvimento brasileiro.

A economista que ocupa a presidência do BNDES, atualmente, me fez sentir vergonha da minha profissão!

Entrevistei vários economistas que conduziram as privatizações e nenhum deles teve uma postura dessas, mesquinha, própria de quem não está preparada para conduzir uma instituição do Estado brasileiro, seja qual for a noção de banco de desenvolvimento que a Mª. Silvia possua.

Se ela não gosta do debate, deveria pelo menos aprender com aqueles companheiros que estiveram em outros governos à frente do BNDES. Mais liberais ou mais “desenvolvimentistas”, todos, sem exceção, mostraram a nós pesquisadores do Centro Celso Furtado a concepção que tinham do papel do BNDES no desenvolvimento brasileiro.



Gloria Moraes
DSc. Engenharia de Produção
Professora de Economia da Universidade Mackenzie – Rio

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