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» » » » A plutocracia brasileira tenta destruir o BNDES, que um dos sustentáculos da economia do Brasil

Por Mauro Santayana, na RBA
Na falta do que fazer, alguns segmentos da plutocracia brasileira, que têm proventos gordos – em muitíssimos casos, de mais que o dobro do Presidente da República – e que, ao contrário de nós, trabalhadores comuns e empreendedores, contam com estabilidade no emprego, insistem em dar lições aos "políticos" e meterem-se, sem um voto reles de quem quer que seja, a administrar indiretamente o país.
Enfurecidos, ideologicamente, com o Estado que os alimenta – desde que não se mexa em seu salário, carreiras e privilégios – eles querem agora “diminuir” e ajudar a arrebentar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos maiores símbolos do poder brasileiro – vejam, bem, da Nação, e não apenas do Estado nacional.
Esse é o caso da provável aprovação, pelo órgão de fiscalização da União, do pretendido repasse de R$ 100 bilhões do BNDES ao  Tesouro, aprovado pelo governo interino, para supostamente serem usados na “diminuição” da dívida pública.
Isso, em um momento em que a Selic está altíssima, e se acaba de obter, paradoxalmente, autorização do Congresso para um aumento de mais da metade desse valor – R$ 58 bilhões – para os salários do próprio Congresso e do funcionalismo público.
E em que se está procedendo também à criação, pelo Legislativo, de 14 mil novos cargos na administração federal.
Ora, quando uma nação está em crise – um mote já há tanto tempo quase monocórdico, e a principal razão citada pelo discurso de parte da mídia no apoio ao afastamento do governo anterior – é preciso incrementar, e não baixar, os recursos disponibilizados para a produção e a infraestrutura.
Logo, se há dinheiro para o funcionalismo, não se pode diminuir o valor destinado aos milhares de pequenos e médios empresários que dependem do BNDES para tocar seu negócio e às grandes empresas que têm acesso a  financiamento dessa instituição a fim de desenvolver – gerando, ou mantendo, milhões de empregos – o atendimento ao mercado interno e à exportação, cujo superávit tem crescido fortemente neste ano.
Ainda há homens probos e nacionalistas no PMDB, partido que protagonizou a luta pela redemocratização e que, bem ou mal, esteve ao lado do PT na administração federal nos últimos anos.
Essa conversa fiada de endividamento público – que sustentou a tragédia da privatização e da desnacionalização da economia brasileira nos anos 90, com a duplicação, em oito anos, da dívida líquida, a diminuição do PIB e da renda per capita em dólar, segundo números do Banco Mundial – e o aumento da carga tributária, é hipócrita e recorrente.
E sempre omite, convenientemente, que o país acumulou de 2002 para cá, com a colaboração também do PMDB que já estava no governo, e do próprio Ministro Henrique Meirelles, mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais, fora os US$ 40 bilhões pagos para liquidar a dívida com o FMI.
O propalado déficit de R$ 150 bilhões deixado pelo governo Dilma, aumentado  pela soma de compromissos a pagar nos próximos anos, representa – embora o PT e o PMDB, seu aliado nessa conquista, de forma incompetente não o digam – apenas cerca de 10% da quantia que o Brasil possui em moeda norte-americana, como quarto maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver – lembramos mais uma vez, no site oficial do tesouro USA: http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt
Mas, isso, a parcela da mídia conservadora, entreguista e parcial, que agora ataca, incessantemente, as grandes obras realizadas nos últimos anos com aporte e financiamento do BNDES, não o diz.
Como não diz que o BNDES é uma instituição bem administrada, que deu lucro de R$ 6,2 bilhões no ano passado, de R$ 8,5 bilhões em 2014, de R$ 8,15 bilhões em 2013, de mais de R$ 8 bilhões em 2012, de R$ 9 bilhões em 2011, de R$ 9,9 bilhões em 2010.
E esses resultados, não contam?
Sem falar nas centenas de bilhões de reais emprestados no período, que deram, origem a um incalculável número de empregos e de negócios, movimentando toda a economia do país.
Uma estratégia que foi fundamental para evitar que a crise mundial de 2008 – que, de certa forma, ainda não acabou – não nos alcançasse violentamente antes. E imprescindível, também, do ponto de vista geopolítico, para projetar o “soft power” brasileiro para fora de nossas fronteiras, ajudando na expansão de grandes empresas nacionais no exterior, que agora também estão sendo destruídas, pela mesma plutocracia, por absoluta ausência de bom senso e de visão estratégica, e manifesta e deletéria arrogância.
Brasil do Dinheiro, e os “burocratas” – que existem, sim, com todo o respeito pelo conjunto dos funcionários públicos brasileiros – da nova aristocracia “concursista” nacional – bons em pagar cursinho, mas não em entender o país, a História e as disputas geopolíticas internacionais – precisam compreender que um banco de fomento como o BNDES, que chegou a ser o maior do mundo nesta década, é um instrumento de poder e de persuasão tão forte quanto um submarino atômico ou um porta-aviões – se houvesse uma belonave desse tipo que pudesse ser vendida pelo preço que vale o banco – ou os R$ 100 bilhões que está se alegando que precisam ser “devolvidos” ao Tesouro Nacional.
Tanto é que não existe, no grupo das dez maiores economias do planeta, entre as quais voltamos a nos incluir na última década, nenhum país poderoso que não possua – vide o Eximbank, dos Estados Unidos, o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão – o seu próprio BNDES, ou que tenha alcançado a posição que ocupa, no concerto das nações, sem um igualmente forte e poderoso banco – estatal – de fomento e de desenvolvimento.
Se banco estatal fosse sinônimo de incompetência, as maiores instituições do mundo não pertenceriam ao estado – verifique o ranking: http://www.relbanks.com/worlds-top-banks/assets , e os três maiores bancos do planeta não seriam de um país comunista, a República Popular da China  – e a Caixa Econômica Federal não teria acabado de ultrapassar o Itaú esta semana, passando a figurar, logo depois do Banco do Brasil, como a segunda maior instituição bancária brasileira.
Por mais que se tente convencer os incautos do contrário, bancos particulares visam, antes de mais nada, ao lucro. Enquanto bancos públicos visam – ou deveriam visar, sempre, se os deixassem trabalhar em paz – o desenvolvimento de seus países, e crescem, principalmente no varejo, porque fazem empréstimos de menor valor e menor risco, e portanto, mais democráticos – a custos menores, para seus tomadores.
Mas uma vez, o Brasil do Dinheiro, dos  grandes comerciantes, agricultores, pecuaristas e fabricantes, e de seus filhos que eventualmente entraram para a plutocracia graças à valorização das carreiras de Estado propiciada pela visão estratégica e republicana de governos que aprenderam a desprezar e odiar, apoiados pelo mesmo PMDB que está no poder atualmente, precisam aprender a viver com – e a respeitar – o Brasil do Futuroo Brasil dos interesses estratégicos e perenes da Pátria e do povo brasileiro; o Brasil das grandes hidrelétricas; das gigantescas plataformas de petróleo; dos caças supersônicos; dos submarinos convencionais e atômicos; das bases de submergíveis; das rodovias de alta velocidade; das ferrovias, como a norte-sul, que já une Anápolis, em Goiás, a Itaqui, no Maranhão;  das hidrovias; dos cargueiros aéreos militares; de aceleradores de partículas, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron; a maior parte, obras que  foram realizadas nos últimos anos, com apoio do partido que está agora no governo – lembramos mais uma vez – e o financiamento do próprio BNDES.
Brasil do Futuro, dos blindados, dos mísseis de saturação, dos novos rifles de assalto que disparam 600 tiros por minuto, da terceira maior usina hidrelétrica do mundo – que recentemente começou a operar na Amazônia – não pode, nem deve depender de bancos privados – cujo objetivo primordial é o lucro e não o fortalecimento da pátria – para financiar esse tipo de projeto.
Projetos estratégicos, que podem eventualmente até atrasar e até aumentar de preço, como ocorre em outros países, têm de ser vistos como etapas necessárias, mesmo que nem sempre bem-sucedidas, do processo de fortalecimento nacional.
Ou quanto a plutocracia brasileira acha que foi jogado “fora” em dinheiro pelos Estados Unidos, com financiamento público, em tentativas fracassadas, até que eles conseguissem chegar à Lua, ou desenvolver armas atômicas, ou sua primeira frota de submarinos ou de bombardeiros estratégicos, ou o computador e a internet?
E no financiamento do New Deal, um projeto, antes de mais nada, social, que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão, em que estava mergulhado desde o início da década de 1930?
Ou alguém ainda acha que os Estados Unidos vão  destruir, algum dia,  suas principais empresas, todas ligadas  ao esforço de defesa e com o complexo industrial-militar, e interromper seu projeto de hegemonia, por causa de conversa fiada de falsos fiscalistas e monetaristas, pseudo-escândalos de corrupção, ou contos da Carochinha como o da Operação Mãos Limpas – cujo êxito está sendo historicamente desmentido por outra operação,  que investiga o escândalo da Mafia Capitale, de 10 bilhões de euros, na Itália?
Os militares da reserva, os industriais e os empresários brasileiros, os trabalhadores, os milhares de empreendedores que possuem um Cartão BNDES, e que sabem muitíssimo bem a diferença das taxas de financiamento cobradas por esse banco e aquelas da banca privada – e os próprios funcionários da instituição e das empresas em que ela possui participação – precisam se mobilizar para fazer ampla campanha em defesa do BNDES, começando com um manifesto-slogan, com o tema de "não toquem no BNDES".
O Brasil não pode permitir que o desmonte dos pilares estratégicos que sustentam e podem fazer avançar o projeto de desenvolvimento nacional, comece logo por nosso maior banco de fomento, sem o qual não teríamos nos projetado para a nossa área de influência – a África e a América Latina – e ainda estaríamos relegados a ser um país apenas, e eminentemente, agrícola e servil.
Querem – e nossos concorrentes estrangeiros iriam vibrar se isso ocorresse – afundar o porta-aviões da economia brasileira.
E cabe aos setores mais responsáveis e organizados da sociedade civil, em nome também de nossos filhos e netos, se organizar e lutar, para evitar que isso ocorra.

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