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» » » A Polícia Militar de São Paulo agride covardemente estudantes da Unesp em Bauru/SP

Covardia!!!!! Polícia Militar ataca e tortura estudantes em Bauru
A República Risca-Faca, moradia coletiva de 12 alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, com nove anos de existência, tornou-se um local de tortura, sofrimento e dor na noite de domingo (15/05). Trinta e cinco jovens realizavam um churrasco na casa, quando receberam a “visita” da Polícia Militar, que pedia para que o som fosse desligado.
Os meninos atenderam imediatamente à ordem policial, mas isso não impediu o festival de violências que foram a partir daí despejadas sobre eles.
Chutes, cacetadas, bombas de efeito moral e spray de pimenta, além de tiros de bala de borracha foram desfechados dentro de casa, terror total, contra estudantes (meninas e meninos) que apenas faziam um churrasco numa noite de domingo, em uma república estudantil.
No total, seis jovens (quatro meninos e duas meninas) acabaram feridos. Um deles levou socos no olho que o deixaram desfigurado e terá de fazer uma cirurgia de reconstrução. Outro levou um direto no nariz, que o deixou com uma suspeita de fratura e um coágulo. Um amigo foi alvejado por um tiro de escopeta calibre 12, municiada com bala de borracha, disparado a menos de um metro de sua perna. Tomou 7 pontos. Uma menina foi atingida por disparo de bala de borracha na perna e por golpes com cassetete nas costas. Outra menina levou um golpe com cassetete na cabeça. Fora as escoriações e contusões generalizadas nos corpos. Todos passaram por exame no Instituto Médico Legal da cidade.
No total, 11 viaturas da PM participaram da ação, incluindo uma da Força Tática. De acordo com informações obtidas no local com o Comando de Força Patrulha (CFP), tenente Fernando Achiles, viaturas foram ao local para checar denúncia de perturbação de sossego.
Eis o relato de um rapaz, estudante de jornalismo e morador da casa, presente durante toda a repressão:
“A polícia apareceu por volta das 22h45. A informação chegou no fundo da casa. “Desliga o som!” Desliguei. Coloquei a cabeça para fora e vi um dos meninos que mora comigo sendo puxado para fora por um policial militar enquanto outro amigo tentava separar. Vi esse primeiro sendo trazido para dentro da casa enquanto o policial soltava um chute. Saí de casa e comecei a conversar com um segundo PM. O primeiro policial, num estado de ânimo e exaltação inacreditável, esguelava: “Eu quero aquele moleque!, hoje vocês vão conhecer a Polícia Militar do Estado de São Paulo!”
Enquanto eu e outros amigos tentávamos argumentar, vi uma menina amiga nossa ser agredida com o cassetete por um dos PMs. Perguntei se era hábito deles a covardia e a agressão gratuita a mulheres. Tomei o primeiro soco, na cabeça.
Atordoado, cometi a inocência de correr para dentro de casa, na ilusão de que eles não invadiriam a nossa casa. Capaz. Dois entraram na minha cola, me derrubaram já dentro de casa contra o portão da garagem, e, então, o espancamento. Uma porrada com cassetete no braço esquerdo e outra no ombro direito, um chute na coxa, mais tantas porradas que eu não sabia de onde estavam vindo e nem onde estavam pegando. Me encolhi no chão em posição fetal tentando proteger o estômago enquanto me mandavam deitar com o rosto no chão. Ali, deitado, ouvi o primeiro disparo.
A menos de um metro de distância, um dos PMs mirou e atirou com sua arma de bala de borracha na canela de um amigo que estava com os braços abertos, indefeso. Um segundo disparo e um terceiro enquanto eu era algemado. Um deles ricocheteou na mesma amiga que apanhara ainda no começo disso tudo. Namorada, amigas e amigos implorando para que parassem a barbárie. Reforço. Um total de 11 viaturas para um churrasco de domingo.
Bomba de efeito moral e gás de pimenta comendo solto. Já algemado e na viatura, um jab frontal bem no nariz, a bermuda suja de sangue, o cuspe vermelho; a espera angustiante na viatura em frente à casa que me acolheu e que eu residi nos últimos cinco anos.
No caminho à delegacia, o medo. Para onde vão me levar? O que vão fazer comigo? Eu vou virar estatística? E aí os flashs constrangidos… Calma! Eu não sou nem pobre, nem preto e nem isso aqui é favela. Eu sou universitário. Isso é bairro de classe média. Não vão fazer nada comigo, não é capaz.
Mais uma hora na viatura em frente à delegacia. Do lado de fora, meus espancadores apontam e dão risada enquanto eu ouço o rádio da polícia. Vagabundo, lixo, maconheiro, sai da viatura, lava o rosto, vai pra salinha, chá de cadeira. O amigo que também foi detido e espancado pede para fazer uma ligação. Não, não tem ligação. Ameaças, advogado, mais espera e incerteza. Acusações: desacato, perturbação da ordem, resistência e desobediência.”
Ao “Jornal da Cidade”, a polícia disse que os PMs foram ofendidos, que os alunos jogaram-lhes um copo com cerveja e que o disparo de da arma com bala de borracha aconteceu porque “um dos jovens tentou pegar a espingarda”.
Os estudantes espancados respondem:
“Não houve copo de cerveja sendo arremessado. Não teve nenhum policial agredido. Não teve — óbvio! — ninguém tentando tirar arma de policial. Teve uma cena de guerra na Risca-Faca, teve uma instituição militar lidando com despreparo e violência com um churrasco que envolvia, se muito, 30 pessoas. Teve muita mentira, teve viatura parando no caminho para dar mais uns tapas, teve tiro com arma de borracha à queima roupa, teve mulher e homem apanhando, teve gás de pimenta, bomba de efeito moral, invasão de propriedade sem flagrante ou mandado, ofensas e ameaças de toda a sorte, uma mídia porca. Mas eles avisaram: era dia para a gente conhecer a Polícia Militar do Estado de São Paulo. A gente teve uma amostra.”

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