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Deputados estaduais de Minas Gerais negam título a João Doria, prefeito de São paulo

Por quatro votos a dois, a Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa rejeitou nesta quarta-feira (23) conceder o título de cidadão honorário de Minas Gerais ao prefeito de São Paulo, João Doria Jr (PSDB).
Votaram contra o título ao tucano, Agostinho Patrus (PV), Cristiano Silveira (PT), Arnaldo Silva (PR) e o presidente da Comissão, João Magalhães (PMDB). Votaram a favor, Sargento Rodrigues (PDT) e Dirceu Ribeiro (PSDB).
O documento previa um pedido de providências ao governador Fernando Pimentel (PT) para a concessão do título. Com a rejeição, o pedido será arquivado. Para fazer jus à homenagem, seria necessário que antes o prefeito de São Paulo "fizesse algo por Minas Gerais", disse o deputado João Magalhães.
Autor do requerimento, o deputado Gustavo Corrêa lamentou "profundamente" a decisão dos colegas. "Não tiveram o zelo de buscar a trajetória dele anterior à Prefeitura de São Paulo. Jamais me opus a conceder título a alguém. A preocupação deles é só política, só se reeleger", afirmou o parlamentar. (Com o 247)

Delator da Lava Jato afirma que tem provas de prática de corrupção de José Serra e Aloysio Nunes Ferreira

O empresário Adir Assad, que assinou na segunda-feira (21) acordo de delação premiada com o MPF, entregará aos investigadores extratos que, segundo ele, comprovam transações feitas para "gerar" dinheiro para empreiteiras pagarem propina em obras do PSDB em São Paulo.
Entre essas obras estão o Rodoanel e a ampliação da marginal Tietê, na capital, projetos administrados pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), ligada ao governo de São Paulo.
Assad admitiu que usou mais de uma dezena de empresas de fachada para fazer contratos fictícios com grandes empreiteiras. As construtoras pagavam às empresas dele por serviços inexistentes, como de terraplenagem –Assad chegava a simular a prestação dos serviços, colocando máquinas no canteiro de obras.
Segundo o delator, quem indicou a ele as empreiteiras para efetuar as transações foi Paulo Vieira da Silva, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa no governo do tucano José Serra, hoje senador da República.
Assad disse nas tratativas do acordo de delação que Paulo Preto relatou a ele que operava para tucanos paulistas, como Serra e o ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Eles negam.
O delator não relatou encontros diretos com esses políticos, que têm foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal), somente com Paulo Preto, o suposto intermediário. Por isso, seu acordo foi costurado com integrantes do Ministério Público Federal de São Paulo, Rio e Curitiba que atuam na primeira instância.
O delator ofereceu aos procuradores mais de 50 anexos, documentos que trazem os temas que ele pretende abordar em seus depoimentos. Ao menos um deles tem o ex-diretor da Dersa como alvo principal, apurou a Folha.
As informações são de reportagem de na reportagem de Reynaldo Turollo Jr Folha de S.Paulo. (Com o 247)

Colunista da Folha de São Paulo afirma que Alexandre de Moraes mostrou gratidão a Temer ao negar pedido da OAB

Em sua coluna nesta quinta-feira, o jornalista Bernardo Mello Franco mostra como a atuação de Alexandre de Moraes no Supremo segue agradando e afagando seus antigos aliados.
"O ministro Alexandre de Moraes não pode ser acusado de ingratidão. Nesta quarta, ele negou um mandado de segurança da OAB para destravar os pedidos de impeachment de Michel Temer. Entre os 11 integrantes do Supremo Tribunal Federal, Moraes é o único que deve a nomeação ao atual presidente. (Com o 247)
(...)
Em mais uma incrível coincidência, o algoritmo do Supremo sorteou Moraes, logo ele, para relatar o mandado de segurança. O ministro matou no peito. Arquivou o caso numa canetada, alegando que o Judiciário não pode interferir num assunto "interna corporis" do Legislativo.
Moraes foi o primeiro ministro da Justiça do governo Temer. Depois da morte de Teori Zavascki, o presidente o presenteou com uma cadeira no Supremo, onde poderá ficar até 2043. Há cinco meses no tribunal, o ministro não se julgou impedido de reforçar a blindagem do ex-chefe.
Desde que vestiu a toga, Moraes tem tomado decisões que agradam seus ex-colegas de governo e do PSDB. Em junho, ele deu um voto decisivo para tirar da cadeia a irmã e o primo de Aécio Neves. No mesmo mês, paralisou o julgamento da ação que pode restringir o foro privilegiado dos políticos. Os papéis adormecem em seu gabinete há 84 dias, para a alegria de réus e investigados."

A Polícia Federal deflagra a 45ª fase da Lava Jato tendo como alvo filho de ministro do TCU

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira a 45ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Abate II. Nessa  fase da Abate, um dos alvos é Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU). Alvo de um dos quatro mandados de busca e apreensão, Cedraz é acusado de participar de reuniões nas quais o esquema de pagamento de propinas a agentes da Petrobras teria sido planejado.

Junto com outro advogado, o filho do ministro, de acordo com nota da Polícia Federal, recebeu comissões pela contratação da empresa americana Sargent Marine pela Petrobras, em troca de pagamentos em contas na Suíça mantidas por uma offshore. Procurado em seu escritório, o advogado Tiago Cedraz não foi encontrado para comentar as acusações. Não há nenhum mandado de prisão na operação desta quarta, que consiste em quatro buscas, nas cidades de Brasília, Salvador e Cotia (SP).



Pai de Tiago Cedraz, o ministro Aroldo Cedraz se envolveu em uma controvérsia na semana passada. Levantamento produzido pela rádio CBN mostrou que Aroldo e colegas do TCU passam até um terço do ano viajando para o exterior com dinheiro público. Em 2017, Cedraz seria o campeão de viagens, com 61 dias neste ano, incluindo uma ida de 12 dias à ONU, para um evento que durou apenas um. Procurado pela rádio, o ministro afirmou que suas viagens seguiram os trâmites regulares do TCU. (Do MSN Notícias)

Polícia de São Paulo investiga morte de empresário que ia delatar tucanos na Lava Jato

A Polícia Civil de São Paulo investigará como "suspeita" a morte do fundador da OAS e detentor da maior parte das ações do grupo, o empresário Cesar de Araújo Mata Pires, de 67 anos. Ele morreu na manhã de ontem enquanto caminhava na pista de cooper do estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo. Mata Pires tinha problemas de saúde e a hipótese inicial é que tenha sofrido um infarto. Ele estava próximo de fechar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Alvo da Lava-Jato por corrupção e formação de cartel na Petrobras e em recuperação judicial, a OAS está empenhada no fechamento de um acordo de leniência para evitar sua declaração de inidoneidade - sanção que, se imposta, a excluirá de disputar concorrências públicas.
A morte do empresário Cesar Mata Pires foi registrada no 14º Distrito Policial de Pinheiros. O boletim de ocorrência foi intitulado "morte suspeita" por determinação da delegada de plantão, Carina Santanielli.
Por se tratar de morte suspeita, o caso será encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, que vai instaurar inquérito policial para esclarecer a causa da morte.
A investigação será amparada por laudo produzido por legista do Instituto Médico Legal (IML), a partir da realização de um exame necroscópico - procedimento em que os órgãos da pessoa são examinados.
"Eu estava correndo com uma aluna e vi um senhor caído próximo da área da piscina. Ele estava desacordado, roxo, e chamei um dos médicos que ficam dentro do estádio, que tentou reanimá-lo com um desfibrilador", contou o personal trainer Rodolfo Vieira.
"O médico disse que o homem estava sem pulso e eu liguei para o [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da prefeitura de São Paulo] Samu, mas a ambulância demorou, levou 17 minutos para chegar", relatou Vieira.
Como o 247

O jornalista Elio Gaspari afirma que o Michel Temer e o Aécio Neves estão destruindo o PSDB

Em sua coluna nesta quarta-feira, o jornalista Elio Gaspari responsabiliza Michel Temer e Aécio Neves pela implosão do PSDB.
"Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati jamais poderiam ter imaginado que apoiando a deposição de Dilma Rousseff, substituindo-a por Michel Temer, levariam o partido para sua pior crise, correndo o risco da implosão. O vice-presidente da chapa de Dilma está esfarelando o tucanato com a ajuda de Aécio Neves, o candidato do PSDB derrotado em 2014.
Com todos os seus defeitos, o PSDB não é um partido qualquer. Ele foi criado por Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, Franco Montoro e José Richa. Noves fora a qualidade biográfica desse grupo, eles abandonaram o PMDB, porque prevalecera a caciquia do governador paulista, Orestes Quércia.
(...)
Enquanto os tucanos mandaram em Brasília, sempre houve quem defendesse um endurecimento do jogo com o PMDB. Tratava-se de contrariar seus pleitos, elevando a tensão, na certeza de que o partido de Temer seria capaz de tudo, menos de romper com o governo. A ideia nunca foi em frente. Numa trapaça da História, Temer está na Presidência e fez com os tucanos o que eles não tiveram coragem de fazer com ele.
Elevou a tensão e obrigou o PSDB e seus valorosos intelectuais a decidir se são valentes a ponto de apoiar programas e abandonar cargos.
Para Tasso Jereissati, isso não é ameaça, é conforto. Para Temer, a briga com Aécio Neves é um presente dos deuses. O PSDB, dividido, poderá encolher, dando ao PMDB o direito de sonhar com o seu espólio. Não foi uma vingança planejada, era apenas inevitável." (Com o 247)

Ciro Gomes diz que o lado bandido do PSDB não aceita Tasso Jereissati como presidente do partido

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) saiu em defesa do presidente nacional interino do PSDB, Tasso Jereissati, que vem sendo alvo de ataques por correligionários tucanos que desejam sua saída do cargo. “O lado bandido do PSDB não aceita o Tasso”, afirmou, em entrevista ao Blog do Eliomar no Aeroporto Pinto Martins, nesta terça-feira (22). 
“O Tasso é um cara paciente, mas tem sido sabotado desde sempre pelo PSDB. Era o candidato natural do PSDB a presidente e o Fernando Henrique deu rasteira nele. Ele que montou a equipe do Real, por exemplo. Na sequência podia ter sido candidato e o Serra sabotou. Varias vezes podia ser ministro e eles nunca permitiram e aí está ai o flagrante: a sabotagem e a agressão a ele”, disse.
O ex-governador do Ceará analisou ainda que Tasso poderia ser o nome tucano para disputar a presidência, mas “por ser sério demais, o PSDB jamais o aceitou”. Para ele, atualmente, o melhor nome do PSDB para a disputa é o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Um cara da direita respeitável, digamos assim”.  (Com o 247)
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Saiba quanto ganham os servidores públicos federais em 2017


Ana Conceição (Valor, 17/08/17) informa que quase um quarto (23%) dos servidores ativos do Executivo federal recebe salário acima de R$ 13 mil, segundo dados do Ministério do Planejamento. Mais de 70% deles têm vencimentos superiores a R$ 5 mil, o valor que o governo pretende estabelecer como salário máximo inicial para as novas contratações a fim de economizar R$ 18,6 bilhões em cinco anos.

Essa é uma das medidas apresentadas pelo governo golpista e neoliberal para, supostamente, fazer o ajuste fiscal devido à queda da arrecadação tributária, consequência da Grande Depressão que ele mesmo aprofundou. Ao reduzir a remuneração de ingresso nas carreiras, o servidor federal levaria mais tempo para chegar a receber valores como R$ 13 mil daqueles 23% de funcionários, ou os R$ 16,9 mil do salário de ingresso na carreira de diplomata, por exemplo, que é uma carreira meritocrática da elite dos funcionários de Estado em qualquer país.

O Executivo federal tem cerca de 610 mil funcionários ativos, segundo o dado mais recente disponível no boletim estatístico do Planejamento. Desses, 2,4% ganham até R$ 2.000 mensais, pouco menos do que ganha, em média, o trabalhador do setor privado no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a remuneração média do brasileiro era de R$ 2.106 em junho de 2017.

Com tantos servidores em ofícios distintos, o quadro do Executivo é muito heterogêneo. Nas maiores remunerações de nível superior estão médicos e veterinários de alguns órgãos, que começam ganhando R$ 16.411 e chegam a R$ 29.135 no fim da carreira. Mas um médico do IBGE pode ganhar de R$ R$ 3.690 a R$ 7.784 por 20 horas semanais. Na outra ponta, o salário inicial de um auxiliar executivo em metrologia e qualidade do Inmetro é de R$ 1.467, um dos menores do Executivo.

Carreiras de Estado, como agente da Polícia Federal, ganham de R$ 11 mil a R$ 17 mil. Mas um auditor fiscal do Trabalho pode receber bem mais, de R$ 19,2 mil a R$ 27,9 mil. Um inspetor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem vencimentos que variam de R$ 16,9 mil a R$ 24,1 mil.

Na diplomacia, os salários começam em R$ 16,9 mil (primeiro e segundo secretário e ministros de primeira e segunda classe) e vão até R$ 24,14 mil. Já um oficial de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem vencimentos mensais de R$ 16,2 mil a R$ 23,6 mil.

Embora os maiores salários estejam nas carreiras que exigem nível superior, um agente de combate a endemias, de nível médio, pode receber R$ 5,5 mil, enquanto um agente da Abin, também de nível médio, chega a ter vencimentos de pouco mais de R$ 10 mil. Da mesma forma, o nível superior tem salários mais baixos que os intermediários.

Na menor faixa de remuneração estão os professores de magistério superior com carga de 20 horas, que ganham R$ 2,2 mil mensais em início da carreira, o mesmo que um professor do ensino básico e do tecnológico. A remuneração final desses cargos é de R$ 3.213. Isto revela o descalabro do estado da educação no Brasil.

A estrutura de cargos e carreiras do Executivo ficou muito mais complexa a partir de 2003 e isso se reflete nos salários. Em 2002, diz, havia 39 cargos e carreiras de nível superior, número que atualmente chega a 242. No nível intermediário, o número subiu 21 para 137 e, no auxiliar, de oito para 48.

Houve necessidade de valorizar determinadas carreiras para desenvolver políticas públicas que atendiam ao projeto político de um Governo Social-Desenvolvimentista da época. Desde então, mudou o perfil do servidor federal.

O número de funcionários com nível superior aumentou e, em determinado momento, instado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o governo teve que regularizar a situação contratual de muitos servidores que trabalham de forma precária, o que levou também a aumento no número de funcionários da União.

Segundo o Planejamento, 40% dos servidores ativos têm curso superior, outros 14% têm doutorado, 11%, mestrado e 10% especialização. Portanto, comparar com a “renda média do brasileiro” com o objetivo de destruir a carreira meritocrática dos servidores públicos é típica da má fé dos neoliberais brasileiros que se infiltraram no aparelho de Estado com oportunismo político propiciado pelo golpe.

A estrutura de salários que decorre desse grande número de cargos também se tornou mais complexa. Cada categoria de servidores negocia seus reajustes separadamente. Diante disso, não dá para tratar o serviço público federal de maneira homogênea, referindo-se ao salário de entrada de R$ 5.000 proposto pelo governo golpista. É uma estupidez de má fé que retira uma perspectiva profissional dos jovens recém-formados em Ensino Superior.

A remuneração no serviço público é diferente, uma parte é salário básico. outra é gratificação, vencimentos que vão sendo incorporados. Isso varia muito.
Na OCDE, a participação dos trabalhadores sob o regime parcial em relação ao total no mercado é de 15,5%. No Brasil, é equivalente a 6,1%. No setor privado, o salário pago por hora trabalhada para quem tem jornada parcial é mais elevado (cerca do dobro da hora da jornada normal) assim como o nível de escolaridade que faz esse tipo de opção, o que se reflete em aumento de produtividade.

Os cálculos do Ministério do Planejamento mostram ainda que, se 1% dos servidores públicos aderirem à jornada reduzida, que será incentivada com pagamento de meia hora a mais de serviço, a economia anual com a medida pode variar de R$ 185 milhões a R$ 291 milhões. No cenário mais otimista, se 10% dos servidores aderirem à jornada reduzida, a economia seria de R$ 2 bilhões a R$ 3,1 bilhões.

Recentemente, o governo golpista anunciou uma série medidas para diminuir os gastos com pessoal, a segunda maior despesa da União, perdendo apenas para a Previdência Social. Por medida provisória, o governo neoliberal vai realizar um Programa de Demissão Voluntária (PDV) no serviço público.

A mesma MP criou incentivos para redução da jornada de trabalho, para quatro ou seis horas, com remuneração proporcional e para licença não remunerada. No caso da redução da jornada, o benefício é o pagamento de meia hora adicional. Atualmente, o salário médio do servidor corresponde a R$ 10.071. O salário médio de 30 horas semanais (seis diárias) é de R$ 7.553. Com o incentivo, o valor sobe para R$ 8.183.

Os sábios-tecnocratas oportunistas apostam muito nessa medida de redução de despesa com a jornada reduzida. O PDV é a ruptura do vínculo empregatício. Portanto, você tem que estar muito seguro do que espera no setor privado, negócio próprio. A tendência é de que possa haver um sequenciamento. A pessoa primeiro adere a redução de jornada, começa a testar a possibilidade, depois pede licença incentivada e talvez, por fim, o PDV.

No último PDV realizado pelo governo na década de 90, cerca de 5 mil servidores aderiram ao programa. Se esse número se repetir, a economia com essa medida pode chegar a R$ 1 bilhão por ano.

Além dessas iniciativas, o governo golpista e neoliberal estuda mudanças em benefícios dos servidores públicos, como o auxílio-moradia. No entanto, é muito difícil acabar com esse tipo de benefício pois há risco de judicialização. Mas há espaço para fazer aprimoramentos e diminuir os gastos. Está sendo analisada a possibilidade de adiar por um ano o reajuste previsto para 2018 a fim de ajudar no cumprimento da meta fiscal do ano que vem.

Com a aprovação do teto para o crescimento do gasto público, que passou a ser limitado à inflação, a equipe econômica “precisar olhar o todo”, como por exemplo, as carreiras e os salários pagos.

A despesa com pessoal total no Brasil (Estados, municípios e União) corresponde a 10,5% do PIB e é próxima a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 10% do PIB, mas superior quando analisada em relação ao total da despesa e receita.

Por outro lado, o quantitativo de servidores em relação ao total da força de trabalho é menor no Brasil (5,6%) no que na OCDE (9,6%). Isso pode estar mostrando que os salários dos servidores públicos são mais altos do que os praticados nos países da OCDE. Isso pode refletir, talvez, uma distorção salarial para justificar o corte dos incentivos nas carreiras meritocráticas.

A despesa de pessoal com Estados e municípios tem crescido de forma bastante expressiva em comparação com a da União. Portanto, o gasto da União é alto, mas não descontrolado.

Em percentuais do PIB a despesa tem ficado relativamente estável, ou seja, outras despesas cresceram num percentual mais elevado que pessoal. Porém o indicador mudou. Com o novo regime fiscal, o parâmetro é a inflação. Logicamente tem que compatibilizar a despesa com pessoal outras áreas tão importantes quanto como saúde e educação.

Afinal de contas, diz o “sábio-tecnocrata” estúpido, “o objetivo do Estado não é contratar servidores, mas sim atender melhor a população”. Ele não sabe que prestação de serviço público exige a presença do “produtor” diretamente em contato com o “consumidor”, i.é, o cidadão?! Por exemplo, professores com alunos, médicos com pacientes, policiais com a população, etc.

Polícia Federal atribui propina de R$ 2 milhões da OAS ao senador José Agripino (DEM-RN)

Relatório da Polícia Federal atribui propina de R$ 2 milhões da OAS ao senador José Agripino (DEM-RN). A PF vê envolvimento do parlamentar e do empreiteiro Léo Pinheiro em irregularidades no financiamento do BNDES destinado a obras na Arena das Dunas, estádio em Natal para a Copa de 2014.
A Polícia Federal concluiu nesta segunda-feira, 21, o inquérito 4141 do Supremo Tribunal Federal, instaurado para apurar eventual participação de recebimento de vantagens indevidas por parte de um senador da República.
Em nota, a PF informou que a investigação apurou a participação do Senador pelo Partido Democratas, José Agripino Maia, ‘na solicitação e recebimento de vantagens indevidas da empresa OAS em troca de seu auxílio político na liberação de recursos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -BNDES direcionados à construção da Arena das Dunas, em Natal/RN, no ano de 2013’.
O recebimento das vantagens ilícitas se deu tanto por meio de doações eleitorais oficiais, que foram direcionadas ao diretório, como por meio de repasses em espécie, que transitaram por contas do próprio investigado e também por contas de familiares, entre os anos 2012 a 2014, totalizando a quantia de pelo menos R$ 2 milhões.
A Polícia Federal informou que a investigação baseou-se no resultado da análise de mensagens de texto extraídas do celular de José Adelmário Pinheiro Filho, bem como nas informações colhidas na delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do carregador de malas Rafael Angulo Lopez, além do exame de mais de mil páginas de documentos, a inquirição de diversas pessoas, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados. (Com o 247)
Abaixo, reportagem da Reuters:
(Reuters) - A Polícia Federal indiciou o senador José Agripino (DEM-RN) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro devido ao recebimento de propina da empreiteira OAS em troca de auxílio político para liberação de recursos do BNDES voltados à construção da Arena das Dunas, em Natal, para a Copa do Mundo de 2014, informou a PF na noite de segunda-feira.
"O recebimento das vantagens ilícitas se deu tanto por meio de doações eleitorais oficiais, que foram direcionadas ao diretório, como por meio de repasses em espécie, que transitaram por contas do próprio investigado e também por contas de familiares, entre os anos de 2012 a 2014, totalizando a quantia de pelo menos 2 milhões de reais", disse a polícia em comunicado.
Além do senador, que é o atual presidente do DEM, também foram indiciados pela PF o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Leo Pinheiro, e Carlos Thompson Costa Fernandes, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte à época dos fatos.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve como base depoimentos em delação premiada do doleiro Alberto Youssef e de seu sócio Rafael Angulo Lopez, além da análise de mensagens de texto extraídas do telefone celular de Leo Pinheiro, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados e depoimentos de diversas pessoas.
Por ter um senador da República entre os alvos, o inquérito corre dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Não foi possível fazer contato de imediato com os indiciados.
A construção do estádio de Natal para a Copa do Mundo, que custou cerca de 400 milhões de reais, também é alvo de outra investigação da PF que resultou na prisão em junho do ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Veja em que o PMDB vai se transformar

Do Blog do Amarildo

Para o jornal Valor, da Globo, Michel Temer faz o Brasil sofrer isolamento internacional

O fiasco da política externa brasileira no governo de Michel Temer já é inegável até para a Globo, uma das principais fiadoras do golpe. Manchete do Valor desta terça explora o assunto.
Auxiliares diretos de Michel Temer recorrem à tumultuada agenda doméstica para justificar a baixa visibilidade da política externa brasileira. Na verdade, o país vive um momento de claro isolamento por parte das lideranças globais. Nos 15 meses em que está no cargo, Temer viajou pouco e tem recebido bem menos líderes estrangeiros no Brasil do que seus antecessores em igual período. Segundo registros do Itamaraty, vieram ao Brasil nove chefes de Estado durante o governo atual, mas vários deles vieram para as Olimpíadas e nem foram a Brasília. Ontem, Temer recebeu o presidente do Paraguai, Horacio Cartes.
A informação que mais incomoda o Itamaraty é que chefes de Estado ou de governo como o americano Barack Obama, a alemã Angela Merkel, o francês François Hollande e o canadense Justin Trudeau fizeram giros pela América Latina ignorando o Brasil. Foi o que aconteceu também com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que visitou quatro países da vizinhança. Benjamin Netanyahu escolheu só Argentina e México para a viagem inédita de um primeiro-ministro de Israel à região, embora o Brasil tenha comunidade judaica mais numerosa. (Com o 247)
As informações são de reportagem do Valor.

Veja porque juízes passaram a ganhar muito mais que o teto

“Teto” e captura do patrimônio público
Por Luiz Carlos Bresser Pereira, em seu FACEBOOK
Nesta semana a remuneração dos magistrados afinal se transformou em escândalo. O jornal O Estado de S.Paulo informou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso autorizou o pagamento de cerca de meio milhão de reais a um juiz. Naturalmente o juiz se defendeu afirmando que tinha direito ao montante recebido porque ele se refere a vantagens legais que deixou de receber. Ao mesmo tempo, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, assinou portaria que obriga os tribunais de todo o país a publicarem a folha de pagamento dos magistrados de forma detalhada incluindo todos os benefícios.
Parece uma boa reação do Poder Judiciário à captura do patrimônio público que continuam a fazer altos servidores públicos, principalmente juízes e procuradores. Parece, mas não creio que seja. O que o Supremo Tribunal Federal deveria fazer é tornar efetivo o teto de remuneração dos servidores públicos que a emenda constitucional 19, de 1998, estabeleceu.
Nessa emenda cujo autor original fui eu, em minha qualidade de então ministro do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, foi estabelecido o “teto” dos servidores públicos: a remuneração dos membros do Supremo Tribunal Federal da época. Fizemos então um grande esforço para que ficasse claro que esse teto era “absoluto”, ou seja, incluía toda e qualquer vantagem recebida pelo servidor.
A emenda dizia o seguinte no art. 37 inciso XI:
“XI – a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal”.
O texto está claríssimo. Em 2003, a emenda 41 manteve inteiramente esse texto, apenas estabelecendo um segundo teto para servidores dos estados e municípios – a remuneração do governador e do prefeito.
O esforço que então fiz para que nada ficasse por fora envolveu a discussão do texto com um grande número de pessoas, inclusive o presidente dos Supremo Tribunal Federal de então, o Ministro Sepúlveda Pertence, que me auxiliou com sua competência jurídica a tornar claro e sem exceções o teto de remuneração dos servidores.
Entretanto, em 2010, o Conselho Nacional de Justiça e o Supremo Tribunal Federal reconheceram a legalidade de uma série de vantagens além do teto. Dessa maneira aumentaram a remuneração dos altos servidores públicos que já alta em comparação com outros países; dessa maneira capturam de forma “legal” o patrimônio público – algo frequente nas sociedades modernas.
Em um trabalho de 1997 propus que depois de terem sido definidos e relativamente assegurados os direitos civis, os políticos e os sociais, respectivamente nos séculos XVIII, XIX e XX, no final deste século estava se definindo um quarto direito de cidadania: os “direitos republicanos dos cidadãos” – o direito que cada cidadão tem que o patrimônio público seja utilizado para fins públicos. A violência aos direitos republicanos não é simples corrupção; é principalmente a violência contra o patrimônio público que é definida como “legal”. É tanto a violência contra o tesouro público como contra o ambiente, que é também público. O que fazem o juiz de Mato Grosso e todos os servidores que recebem mais do que o teto é desrespeitar esse quarto direito. Fazem-no seguindo uma “interpretação” do Poder Judiciário que ignora a Constituição e legaliza o privilégio.

Ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Sergipe, Lula afirma que a elite sempre negou educação para o povo

Em discurso no município de Lagarto, onde recebeu o título Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Sergipe, nesta segunda-feira, o ex-presidente Lula destacou os avanços do Brasil na educação superior no seu governo e no de Dilma Rousseff, sobretudo na região Nordeste.
"Das 18 universidades que criamos, sete ficam no Nordeste. E todas têm campus nas cidades do interior. O Nordeste hoje tem 20% dos alunos universitários do país, ultrapassando pela primeira vez a região Sul. Como vocês sabem, o número de universitários passou de três milhões para mais de oito milhões. E ainda é pouco. Esse país precisa compreender de uma vez que educação não é gasto, é investimento. E universidade não pode ser privilégio", disse Lula.
Ele criticou a falta de investimento em educação depois do golpe parlamentar que afastou Dilma em 2016. "A primeira universidade do Brasil só veio em 1930 e não foi nem para atender aluno, mas o rei da Bélgica, que exigia um Honoris Causa. Até a metade do século 20, a maioria da população brasileira Ainda era analfabeta. Negar o acesso à educação de qualidade sempre foi um jeito de perpetuar a desigualdade neste País. Foi por isso que investimos tanto em educação durante nosso governo".
Lula ainda destacou o emprenho do ex-governador Marcelo Déda pela educação em Sergipe.
"O Brasil precisa conhecer o sistema de Lagarto, que associa ensino e as políticas públicas de saúde. O coroamento desse processo é a atuação dos alunos no hospital universitário de Lagarto. Destaco também o impacto da instalação da universidade aqui em Lagarto, que movimenta mais de 100 milhões por ano no comércio local. A ideia de instalar o campus aqui em Lagarto jamais teria saído do papel se não fosse meu valoroso compadre, o ex-governador Marcelo Deda. Marcelo Deda tinha verdadeira inquietação em atender seus compromissos com o povo sergipano", lembrou o ex-presidente. (Com o 247)
Assista na íntegra o discurso do ex-presidente Lula: 

O PMDB vai mudar para MDB, mas vai continuar uma raposa

Do Blog do Amarildo

O ex-presidente Lula afirma que a Globo foi uma das principais articuladoras do golpe no Brasil em 2016


Do Brasil de Fato  - Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato enquanto percorre nove estados nordestinos de ônibus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comenta os motivos do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência e quem está por trás dessa conspiração. Lula comenta ainda a necessidade de o povo se manter em luta contra os retrocessos e por democracia, e seguir acreditando na política. Sobre a posição do governo Temer sobre a crise venezuelana, dispara: "É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela". Confira abaixo.

Na sua opinião, qual foi o motivo do golpe contra Dilma Rousseff?

Na verdade, as forças conservadoras nunca aceitaram o resultado das eleições de 2014. A direita se recusou a respeitar a escolha democrática da população. Um dia depois da eleição, já começou a sabotagem ao governo Dilma e a conspiração para derrubá-lo. Foi pauta-bomba em cima de pauta-bomba na Câmara e no Senado para inviabilizar a economia, para assustar investidores e consumidores, enquanto os projetos do governo, tão necessários ao país, não passavam ou eram completamente desfigurados. O que está cada vez mais claro, hoje, inclusive para muita gente que foi enganada pelas mentiras da imprensa, é que não foi um golpe só contra Dilma ou o PT. Foi um golpe contra a educação e a saúde públicas, contra os direitos dos trabalhadores e aposentados, para privatizar as empresas públicas e o pré-sal, para desnacionalizar a Amazônia. Um golpe contra o país.

Como o Sr. avalia o papel da mídia e, especialmente, da Globo no golpe?

Os grandes monopólios de comunicação foram decisivos para o golpe. A Rede Globo, em particular, foi um dos seus principais articuladores e a sua grande propagandista. O golpe não teria sido possível sem o ataque sistemático e a sórdida campanha de desmoralização que a Globo fez ao governo Dilma e ao PT. Para facilitar o golpe, ela ajudou a abafar as acusações contra os lideres golpistas (a blindagem a Aécio Neves é um exemplo flagrante disso), que só viriam a aparecer depois que a presidenta foi derrubada. A Globo não hesitou nem mesmo em se aliar a Eduardo Cunha para sabotar o governo e o protegeu de modo escandaloso até que ele terminasse o seu serviço sujo. Ela vendeu ao país a falsa ideia de que os problemas nacionais foram criados pelo PT, e que bastaria afastar o PT do governo – mesmo ferindo a lei e a democracia – para que o Brasil virasse uma maravilha. Hoje, com a mesma cara de pau, ela tenta convencer os trabalhadores e o povo pobre de que as pessoas vão viver melhor sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria.

O juiz Sérgio Moro condenou o Sr. na ação sobre o apartamento do Guarujá. O Sr. também está sendo alvo de outros processos. Por que essa perseguição da Justiça?

O juiz Moro, na sentença que me condenou, diz que o tal apartamento não é meu, mas que isso não importa. Responsáveis pela Lava Jato já disseram que não há provas contra mim, mas que eles têm a convicção pessoal de que eu sou culpado. Todo mundo sabe que um principio básico do direito, que é sagrado em todas as verdadeiras democracias, é que o ônus da prova cabe ao acusador, não ao acusado. Para outros, esse principio vale. Para mim, não. Minha inocência está mais do que provada nos autos, Minha inocência está mais do que provada nos autos, mas isso simplesmente não é levado em consideração. Tenho 40 anos de vida pública, de dedicação aos trabalhadores, aos pobres, ao país. Será este o meu crime? Ter tirado o Brasil do mapa da fome? Não posso me conformar com tanta arbitrariedade. Qual a razão dessa partidarização da justiça? Chego a pensar que os que deram o golpe não podem admitir que o Lula concorra novamente à Presidência...

Caso seja eleito, quais são as medidas que o Sr. tomará para melhorar a vida do povo e os rumos do país?

É cedo para falar como candidato, muito menos como eleito. Antes, precisamos impedir que os golpistas destruam os direitos sociais arduamente conquistados pelo povo brasileiro na última década. E impedir que eles privatizem a preço vil as empresas públicas. E também é preciso garantir que as próximas eleições sejam de fato livres e democráticas. Um novo governo, legítimo, que tenha uma visão progressista do país, pode perfeitamente tirar o Brasil do atoleiro em que ele esta hoje. Nós já governamos o país e provamos na prática que o Brasil pode ser uma nação soberana, com verdadeiro crescimento econômico, geração de empregos, distribuição de renda, inclusão social e ampliação das oportunidades educacionais em todos os níveis. Para isso, é preciso acreditar que as classes populares não são um problema, e sim uma solução. Quando os pobres da cidade e do campo puderem voltar a comprar é que o comércio vai vender e a indústria produzir e, com isso, o investimento vai retornar. Será muito importante também elegermos um Congresso melhor que o atual, com mais representantes dos trabalhadores, dos camponeses, das mulheres e dos jovens.

O que o Sr. recomenda em termos de organização e foco à Frente Brasil Popular para avançarmos na luta contra os retrocessos e por democracia?

A Frente é uma coisa extraordinária, porque reúne diferentes setores da sociedade para pensar o Brasil e lutar pela sua transformação. Ela tem sido fundamental na resistência aos retrocessos políticos e sociais. O foco da Frente está correto, combinando formulação e mobilização permanente. Penso que é muito importante também a gente explicar para a população o que estamos defendendo. É preciso dar esperança ao povo de que outro Brasil é possível e que, com um governo popular, dias melhores virão.

Por tudo isso que o Brasil tem vivido, muita gente não acredita mais na política. O que devemos fazer diante dessa desesperança?

A gente não tem o direito de desistir. A minha mãe me ensinou isso. A gente tem sempre que lutar. Tenho 71 anos e não quero desistir. Não desisti de sobreviver ao nascer em uma região onde muitas crianças morrem antes de completar cinco anos. Não desisti de organizar os trabalhadores durante a ditadura. Construí com meus companheiros o maior partido político da América Latina e fui presidente do Brasil por dois mandatos. Se eu consegui tudo isso sem diploma universitário, sem pai rico, por que alguém jovem deve desistir? Se você acha que a política está­ ruim, entre na política e tente ser você mesmo o militante ou dirigente político que você sonha para o Brasil.

Hoje, quem são os principais adversários para termos um país com justiça social, solidário e com oportunidade para todos?

Eu acho que hoje tem muita gente ressentida no Brasil, muita gente que está de mau humor, achando que o egoísmo vai resolver alguma coisa. Tem muito empresário que quer tirar direitos dos trabalhadores e aposentados sem perceber que se o trabalhador e o aposentado não tiverem dinheiro, não vão consumir o que ele produz. A grande força da nossa economia é o mercado interno. Então ele pode achar que vai se dar bem sendo inimigo dos trabalhadores e no final as vendas dele vão cair. Tem gente que se ressente da melhora de vida dos mais pobres e quer um país para poucos, só para um terço da população. Tem gente que defende quase a volta da escravidão. Essas pessoas precisam entender que isso não é bom nem para elas, porque um país para poucos é um país fraco, inseguro, instável. Um país assim não atrai nem investidor estrangeiro, atrai só parasita em busca de riqueza rápida, que vem extrair recursos naturais ou comprar empresas baratas. Uma sociedade solidária não é apenas uma questão de justiça – ainda que isso seja o mais importante – mas também de necessidade. Quando os pobres e os trabalhadores melhoram de vida, toda a sociedade vida.

Muitas vezes os políticos ficam decidindo a vida dos brasileiros e do país fechados em escritórios em Brasília. O Sr. já fez muitas viagens pelo interior do Brasil, em caravanas como esta agora no Nordeste. O que o Sr. aprendeu sobre o nosso povo nessas experiências?

Aprendi que o povo brasileiro é de uma força e de uma grande generosidade, e que não se pode governar o país de Brasília, da Avenida Paulista ou da zona sul do Rio de Janeiro. Para alguém que vive nessas regiões, um programa como o Luz Para Todos pode não significar nada. Mas ele levou energia, trouxe para o século 21 milhões de brasileiros. Sem luz, um jovem não pode estudar. Sem se alimentar, com uma boa merenda na escola, o jovem não pode estudar. Criamos o Programa de Aquisição de Alimentos, que apoia o agricultor local e reforça a merenda com comida saudável, hoje isso está sendo destruído. A criança tem que comer, mas também tem que ter roupa para ir à escola. O Bolsa Família exige para o recebimento do benefício que a criança frequente a sala de aula. Sem transporte, um jovem da zona rural não pode estudar. Criamos o programa Caminhos da Escola, que levou ônibus escolares pelo interior do Brasil. Sem água, como se pode viver, ainda mais estudar? Instalamos milhões de cisternas no sertão. E se não tem faculdade próxima, como estudar? Ampliamos as universidades, os institutos federais de ensino, as escolas técnicas, levando elas para o interior. Foram centenas de novas extensões universitárias em todos os estados do país. A Bahia tinha só uma universidade federal hoje tem quatro. Eu conheço pessoalmente o tamanho desse país, que ele não é pequeno, e quem o governa não pode ter a mente nem a alma pequena. Tem que ouvir o povo, colocar o pé na estrada, conversar, procurar soluções, dar força para a sociedade civil. E tem que abrir o palácio ao povo, fazer a sociedade civil participar da construção das soluções para o país.

Como o Sr. avalia as ameaças do governo dos EUA diante da situação da Venezuela? Como o Brasil deveria ter atuado no processo de paz na Venezuela?

É inadmissível que Donald Trump faça ameaças militares à Venezuela. Aliás, a qualquer país, em qualquer região do planeta. A Venezuela tem direito à sua autodeterminação. É o povo venezuelano que deve decidir livremente o destino do país. Se há uma crise institucional, que se busque superá-la por meio do diálogo e da negociação política, mas respeitando sempre os governantes que foram eleitos pelo voto popular, dentro das regras democráticas, como era o caso do presidente Hugo Chávez e é o caso do presidente Nicolás Maduro. Em 2003, quando a Venezuela vivia uma crise semelhante, eu mesmo propus a formação de um grupo de países amigos da Venezuela, bastante plural, que acabou contribuindo para o restabelecimento da normalidade e da paz. Hoje, infelizmente, o Brasil não tem nenhuma autoridade moral para ajudar. É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela. Quando tivermos novamente um governo democrático e popular, o Brasil voltará a colaborar, sem interferências indevidas na soberania dos vizinhos, para consolidar a paz e a estabilidade democrática na América do Sul.

O cantor Raimundo Fagner diz que o Aécio Neves lhe deve explicações

O cantor cearense Raimundo Fagner, um dos maiores nomes da música brasileira, cobrou um pedido de desculpas do senador Aécio Neves (PSDB), presidente afastado do PSDB. 
Em entrevista ao jornalista Sérgio Martins, da Veja, demonstrou ter se sentido enganado pelo tucano. "Aécio não apenas me decepcionou, mas foi muito triste. Sou amigo dele e essa amizade nunca vai deixar de existir. Mas o que eu me envolvi com ele, o que eu acreditei...o que eu subi em palanque para ele, desde a campanha dele para deputado. Me envolvi em todas as suas campanhas, as pessoas acharam até estranho porque ele era um garoto e eu já era um nome consagrado", reclamou Fagner. 
"Eu emprestei muito esse trabalho para o Aécio. Para mim, foi uma punhalada. Eu não merecia isso porque emprestei o meu respeito e pisou na bola legal. Aécio me deve desculpas pessoalmente", disse o cantor. (Com o 247)

O ex-presidente Lula afirma que volta ao mapa da fome porque para o governo de Michel Temer pobre não é gente

Por Claudia Motta, da Rede Brasil Atual
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (19) que o Brasil está sem governo e que políticas públicas que vinham mudando a qualidade de vida da população do Nordeste vêm sendo abandonadas. Em ato político que marcou a passagem da Caravana Lula pelo Brasil por Feira de Santana, a 100 quilômetros de Salvador, Lula fez a defesa de políticas públicas para o Semiárido e para a agricultura familiar durante os períodos de seu governo e de Dilma Rousseff. “Saímos de quase R$ 2 bilhões de financiamento da agricultura familiar para R$ 30 bilhões, quando a Dilma deixou o governo. Valorizamos o pequeno produtor, demos crédito para ele evoluir na sua capacidade produtiva”, disse.
Ao se referir aos períodos prolongados de seca que caracterizam grande parte das áreas do Nordeste, Lula citou 1,4 milhão de cisternas construídas na região nas gestões petistas e enfatizou que nenhum governo pode se resignar diante de obstáculos climáticos. Ironizou a falta de atitude de poderes públicos – “nunca vi o governo do Canadá dizer que ia acabar com a neve; eles estabeleceram uma política de convivência com o inverno rigoroso” – e afirmou que a preocupação com a vida das pessoas precisa pautar as políticas de Estado. “Começamos a provar que ninguém precisa morrer de sede se tiver um governo responsável. A água é mais que um direito, é uma necessidade e o Estado não tem o direito de permitir que as pessoas se submetam a indústria de caminhões pipa”, destacou.
“Governar qualquer um governa, cuidar do povo é que é difícil. Olhar para uma pessoa pobre, humilde e enxergá-la como um ser humano que precisa de carinho. É para essa gente que um Estado governa, é para essa gente que temos de dar atenção, não para os grandes empresários da vida”, disse, ovacionado pela multidão que tomava a Praça Estação da Música. “Se você der R$ 20 para uma pessoa humilde, ela fica agradecida e vai levar comida para dentro de casa. O rico vai abrir uma conta bancaria e fazer investimento lá no exterior”, comparou. “Nós podemos consertar esse país. A gente tinha saído do Mapa da Fome da ONU e agora voltamos. Porque para essa gente que governa o país, pobre não é gente, pobre é estatística. Quando vê estatística com 14 milhões de desempregados, aquilo é só um número. Para nós são seres humanos. Por isso estou fazendo essa caravana.”
A iniciativa de percorrer 25 cidades dos nove estados do Nordeste tem a finalidade, ressalta o ex-presidente, de “conversar com o povo”. “Ouvir, aprender e levar tudo que a gente ouvir e o que recebe de documento para fazer um programa para construir o futuro de vocês”, afirmou a centenas de agricultores que ocupavam o espaço vindos de cidades vizinhas. “Nosso programa não será feito com base em pesquisa eleitoral, mas naquilo que o povo brasileiro quer para o Brasil. Porque o que nós percebemos, é que o país está quebrado”, disse.
Feira de Santana foi a última cidade do estado a ser visitada pela caravana que começou na sexta-feira (17) em Salvador e passou por Cruz das Almas e São Francisco do Conde. “A verdade é que nós não temos governo. Mas temos de ter clareza que para o Brasil voltar a andar, a gente precisa, nesse momento de crise, levantar a cabeça, não desanimar. O Brasil tem jeito, esse país é extraordinário e já provou que através da agricultura familiar a gente pode sustentar a alimentação de 204 milhões de pessoas. O que nós queremos é saber quem é que está plantando feijão, arroz, alface, cenoura, pimentão, pepino, quem está criando peixe. É isso que sustenta esse país. É isso que dá dignidade a vocês”, destacou Lula.
Neste domingo (20), a caravana chega Sergipe, onde permanecerá por três dias. Antes de chegar à capital, Aracaju, o ex-presidente passará por Estância, Lagarto, Itabaiana e Nossa Senhora da Glória. 
Sintonia
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Gisélia e o companheiro: orgulho de trabalhar na roça. Auana emocionada: 'Antes, a gente, pobre, trabalhava para os outros'

Muitos camponeses que acompanhavam o ato público diziam estar ali para ver e matar a saudade do seu “ex”. Para Auana, trabalhadora rural de Conceição da Feira, era também a realização de um sonho: vê-lo. “Antes, a gente, pobre, trabalhava para os outros. Hoje, pobre pode ser patrão. Antes, a gente tomava conta do gado do rico, hoje podemos comprar o nosso. Rico e pobre trabalhando lado a lado. Isso é emocionante. Por isso eu sou fã de Lula”, diz, sem conter o choro.
Com um cesto cheio de verduras da sua horta orgânica para entregar ao ex-presidente, Giselia, do distrito de Ijaíba, comunidade de São Domingos, era só orgulho de sua trajetória de vida. “Tenho orgulho de trabalhar na roça, lavradora, produzir alimentos 100% naturais, sem agrotóxicos. Sou de uma família humilde. Minha mãe sempre trabalhou na roça, me criei na roça. Minha mãe levava a gente, ficávamos na cabana, embaixo do sol, no carro de mão. Isso foi um exemplo de vida.”
A ligação com a terra e seus valores é patrimônio familiar. “Fui amadurecendo, passo a passo no solo. Hoje sou casada, tenho duas filhas e vou passando para elas a importância de um agricultor, para que elas aprendam a valorizar o rural. A importância de crescer e se orgulhar do DNA delas, de lavradora”, conta Giselia. 
Essa relação também faz parte da história de Maria Natividade, mãe de cinco, avó de outros cinco, moradora de uma fazenda no município baiano de Inhambupe. “Sou trabalhadora rural, filha de trabalhador rural, nunca saí da agricultura familiar, nunca trabalhei de empregada para ninguém, vivo da agricultura”, diz. 
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A 'margarida' Maria Natividade: 'Estamos passando dificuldade, mas o sol vai voltar a brilhar. E a gente vai à luta'
Integrante do movimento Marcha das Margaridas, Maria foi uma das delegadas à Conferência de Mulheres, em maio de 2016, detidas num avião em Brasília sob a “acusação” de fazer manifestação em defesa do governo Dilma na aeronave. “Eu estava com minhas amigas. Sofremos, mas como trabalhadoras rurais fomos à luta e ficamos até o final do evento. Voltamos para casa todas em paz.”Plantadora de feijão, milho, batata, abóbora, amendoim e laranja, ela expressa reconhecimento em relação a suas conquistas. “A vida do agricultor familiar melhorou muito, ganhamos conhecimento, a gente chega a todos os lugares. Tenho um filho de São Paulo, ele tá voltando e eu espero que ele se encaixe aqui com a gente, porque o lugar dele é aqui na zona rural, onde ele nasceu. Estamos passando um pouquinho de dificuldade agora, mas tudo isso é uma chuva, vai passar e o sol vai brilhar. E a gente vai à luta, vamos continuar plantando porque, se a roça não planta, a cidade não janta.” 
Agricultura familiar sustenta 90% dos municípios do Brasil

A agricultura familiar tem a gestão da propriedade compartilhada pela família, que tem na atividade produtiva agropecuária a principal fonte geradora de renda.

O agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, ao mesmo tempo seu local de trabalho e moradia. A diversidade produtiva também é marca desse setor.

Segundo dados do Censo Agropecuário de 2006, 84,4% do total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem a grupos familiares. São aproximadamente 4,4 milhões, sendo que a metade na região Nordeste.

A agricultura familiar, de acordo com o censo, é a base econômica de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes; responde por 35% do produto interno bruto nacional; e absorve 40% da população economicamente ativa do país. São esses orgulhosos brasileiros, com DNA de lavradores, os responsáveis pela produção de 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 21% do trigo do Brasil. Na pecuária, estão com 60% da produção de leite, além de 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos do país. Por isso, não duvide: se a Dona Marina Natividade não planta, a cidade não janta mesmo!