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Ex-procurador da República detalha as razões pelas quais o ex-presidente Lula foi condenado num regime de exceção

"Vimos que a competência criminal se fixa em razão do lugar: o lugar da infração ou o lugar do domicílio do réu. O foro competente para julgar a questão do tríplex atribuído a Lula seria então: ou Brasília, ou Guarujá, ou São Bernardo do Campo. Como é que esse caso foi parar em Curitiba?", diz o ex-procurador Sérgio Sérvulo da Cunha, que detalha todas as manobras para que o ex-presidente Lula caísse nas mãos de seus algozes. Leia abaixo:
O caso do tríplex em Guarujá, o juiz Sergio Moro e o juízo de exceção
Por Sérgio Sérvulo da Cunha, no Conjur
Vimos que a competência criminal se fixa em razão do lugar: o lugar da infração ou o lugar do domicílio do réu. O foro competente para julgar a questão do tríplex atribuído a Lula seria então: ou Brasília, ou Guarujá, ou São Bernardo do Campo. Como é que esse caso foi parar em Curitiba?
Bem, digamos que, na ação X movida contra vários réus, a competência se determinará pelo seu domicílio, e eles têm domicílio em comarcas diferentes.
Então, o juiz de uma dessas comarcas poderá ter estendida sua competência, para que possa julgar todos os réus, no mesmo processo. A isso pode-se chamar de conexão, ou continência. Se a ação penal já começou contra um dos réus, e depois tem início outra, contra outro, diz-se que há prevenção do primeiro juízo.
Qual a razão para que a competência de um juiz se amplie para outros casos assemelhados, seja por conexão, continência ou prevenção? A razão é a unidade processual: faz-se uma única instrução processual, profere-se uma única sentença. Proferida a sentença, caso surja depois — em Brasília, em Guarujá ou em São Bernardo — um novo caso que tenha pontos de contato com aquele, qual o juízo competente? O de Curitiba? Evidentemente, não. Porque a sua competência prorrogou-se apenas para aqueles casos, tendo em vista a unidade de sua instrução e julgamento. Não nasceu, daí, uma competência perpétua e universal daquele juízo, com relação a todos os casos assemelhados. E caso o juízo de Curitiba se arrogue essa competência, transforma-se-á em juízo de exceção.
Já tivemos juízo de exceção no Brasil durante a ditadura de Getúlio, com o Tribunal de Segurança Nacional, criado em 1936. Por isso, diz a Constituição brasileira, em seu artigo 5º-LVII: "Não haverá juízo ou tribunal de exceção".
Quando 12 membros do Ministério Público Federal formularam a denúncia quanto ao tríplex, entregaram a petição inicial diretamente ao juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba (o juiz Sergio Moro). Saltaram por cima do juiz distribuidor, dizendo, na própria petição, que havia conexão com dois outros processos daquela vara: os processos 500661729.2016.4.04.7000/PR e 5035204- 61.2016.4.04.7000/PR. Ao receber a denúncia, o juiz da 13ª Vara fez menção a vários outros processos, mas principalmente à Ação Penal 5083376­05.2014.404.7000, que envolvera a empresa OAS. E, ao proferir a sentença condenatória, declarou-se competente por prevenção, pois “a investigação iniciou-se a partir de crime de lavagem de dinheiro consumado em Londrina/PR e que, supervenientemente, foi objeto da ação penal n. 5047229-77.2014.404.7000”.
Aberrações como essas seriam facilmente corrigíveis, seja mediante apelação, em segunda instância, seja mediante correição por parte do Conselho Nacional de Justiça.
Não sei dizer — pelo menos até aqui — o que aconteceu no CNJ. Mas posso dizer o que aconteceu no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Criou-se, ali, uma turma de exceção, ao se atribuir a um único desembargador a competência para relatar todos os casos da "lava jato". Em outras palavras: criou-se, com isso, uma blindagem contra a parcialidade, a suspeição e os abusos de poder do juiz Moro. De modo que, sempre que fossem arguidas essas matérias, seriam sumariamente rejeitadas por essa turma. Escusado dizer que um juiz de exceção açambarca a competência de todos os outros juízes do mesmo grau. E que uma turma de exceção açambarca a competência de outras turmas do mesmo tribunal.
Também não sei dizer — pelo menos até aqui — o que aconteceu no Superior Tribunal de Justiça, que negou Habeas Corpus a Lula. Mas sei dizer o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Teori Zavascki, e depois o ministro Luiz Edson Fachin, foram instituídos ministros excepcionais da "lava jato". Só que, ali, a mão do gato operou com mais sutileza e ardil.
O que é a "lava jato"? Quem melhor a define é o juiz Moro — detentor da competência universal e excepcional nessa matéria — ao receber a denúncia do tríplex.
Alguém poderia alegar que não acredita no que estou dizendo porque isso seria uma ignomínia, inconcebível tratando-se de dignos e decentes magistrados. Eu lhe responderia assim: pense, meu caro, duas 
Sérgio Sérvulo da Cunha é advogado, autor de várias obras jurídicas. Foi procurador do Estado de São Paulo e chefe de gabinete do Ministério da Justiça.

Leonardo Boff afirma, com toda razão, que o ex-presidente Lula é um preso político

O teólogo Leonardo Boff criticou a decisão da juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, de impedi-lo, junto com o ativista e Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, de realizar uma visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A decisão dela é a expressão do Estado de exceção que estamos vivendo. A argumentação é muito pífia, ela diz que Esquivel estava de passagem e a Lei Mandela, que ela diz não desprezar, tem que ser interpretada segundo cada país, deve ser lida e ponderada e não tem caráter absoluto", apontou, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria na Rádio Brasil Atual.
"Ela não se dá conta, por isso é um espírito pequeno, da magnitude de um Prêmio Nobel da Paz com 87 anos, que tem entrado nas prisões do mundo inteiro, já que é um grande promotor dos direitos humanos. Em todos os países, mesmo os mais rígidos, sempre encontrou as portas abertas."
Boff conta que foi a Curitiba tentar visitar o ex-presidente em função de uma missão religiosa, na qual pretendia levar dois livros de cunho espiritual a Lula. Mas foi impedido. "Conversei com os policiais que diziam 'temos ordens de cima'. Não pude deixar uma carta nem me deixaram entrar no espaço", contou.
O teólogo relatou ainda as dificuldades que teve para se locomover até o lugar em que esperou por uma resolução para saber se poderia ou não realizar a visita. "Tenho problema no joelho, quatro próteses, e era uma subida. O carro podia me levar até lá em cima e retornar, mas não deixaram o carro entrar. Pedi: 'não posso andar, tenho dificuldades, o senhor faz esse favor?'. 'Ordens de cima, não passa carro nenhum'. Até brinquei: 'então o senhor me leva nas costas?'. E tive que subir me arrastando."
Para Leonardo Boff, a prisão do ex-presidente não tem fundamento jurídico. "Lula não é um político preso, é um preso político. (Sua prisão) Não é consequência de um ato judicial, mas de um ato político, querem impedir a candidatura dele, liquidar com o partido. São as velhas elites do atraso que nunca aceitaram um operário ocupar a presidência da República. Nunca aceitaram que os de baixo subissem um degrau", pontuou.
"E o pior de tudo, que acho grave por que não é da tradição brasileira, o ódio, o desprezo que devotaram aos escravos, transferiram a esses da periferia que são pobres. Como diz Jessé de Souza, não só os marginalizam e humilham, querem tirar deles a dignidade de nem mais sentir-se cidadãos e pessoas humanas. Isso é de uma perversidade iníqua que ofende qualquer sentimento humanitário. Vemos o nível de degradação ética e espiritual a que chegou essa elite do atraso."
Boff disse que, de acordo com pessoas que estiveram com o ex-presidente, ele está tranquilo. "Conversei com gente que esteve com ele e disseram que está com ânimo alto porque manteve a mesma rotina que tinha fora. Faz as duas horas de ginástica, dorme o que tem que dormir, guarda os ritos que fazia, lê muito, está profundamente tranquilo."
Ele também destacou o clima do acampamento Lula Livre, ressaltando não apenas a presença de quem está acampado no local mas também a grande circulação de pessoas de fora. "Para surpresa minha, percebi uma grande alegria no povo, de estarem juntos, ter a mesma causa", falou. "Lembro uma frase do (Emiliano) Zapata, grande libertador, revolucionário do México: se o Estado comete injustiças contra o povo, o povo tem direito de não dar paz ao governo."
Esquivel volta sem resposta
Adolfo Pérez Esquivel também participou da conversa com Boff por telefone. A caminho do aeroporto de Curitiba para retornar a Buenos Aires, ele concordou com Boff a respeito da condição do ex-presidente. "Para mim, Lula é um preso político que tratam de evitar que dispute a eleição. Isso é grave para a democracia, não só do Brasil mas de toda a América Latina, porque a mesma metodologia já foi usada em outros países como Honduras, Paraguai e Haiti. E por isso digo que o Brasil vive um Estado de exceção", afirmou.
"Temos que trabalhar a acompanhá-lo e a todo povo do Brasil. Acompanhar Lula é acompanhar o povo mais necessitado", completou. De acordo com a advogada Tânia Mandarino, o argentino viajou sem ter resposta de seu primeiro pedido de visita (que não era baseado na Lei Mandela. "Esquivel foi embora do Brasil sem receber a prestação jurisdicional como requerida no início da semana com a prioridade especial devida a um idoso de 87 anos, como assegura a lei brasileira", argumentou a advogada.
Ontem, Tânia afirmou ter visto componentes de sadismo na conduta da juíza. "Absurdo dos absurdos, quando a juíza apreciou primeiro o pedido que foi posto depois, opusemos embargos de declaração pedindo que antecipasse o pedido de visita. Ela só respondeu sadicamente os embargos e não comentou sobre o pedido de visitas. Disse que não há urgência e, resumindo, 'problema do Esquivel se ele está só de passagem'." (


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Ouça a entrevista de Leonardo Boff:

Do ex-presidente do Supremo, Ayres Brito: "Pois, é... Eu não teria prendido o Lula"

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto se manifestou contra a prisão do ex-presidente Lula. Segundo o colunista Lauro Jardim, no programa de Roberto D'Avila que vai ao ar nesta sexta-feira, 20, às 21h30, na Globonews, Ayres Britto foi perguntado sobre a prisão de Lula e respondeu assim:
"Pois, é... Eu não teria prendido o Lula."

A Globo prendeu o ex-presidente, mas não irá prender o desejo do povo brasileiro de ver o Lula livre

Embora tenha conseguido sequestrar o Poder Judiciário para levar adiante seu projeto de golpear a democracia e pender o ex-presidente Lula, a TV Globo não consegue aprisionar o que os brasileiros pensam e, muitas vezes, gritam.
Nesta sexta-feira 20, um caso emblemático provou isso. A vencedora do programa Big Brother Brasil (BBB), Gleisi Damasceno, do Acre, gritou "Lula livre", durante transmissão ao vivo, quando deixou a casa. O caso ganhou imensa repercussão nas redes sociais.
A conta de Lula no Twitter parabenizou a jovem, postando uma foto do ex-presidente com Gleici e a frase "Quando é no voto, a gente ganha sempre. Parabéns Gleici!".
Recentemente, outro caso envolvendo a Globo demonstrou que até seus funcionários veem com ressalvas a cobertura da emissora. O jornalista Chico Pinheiro, âncora do Bom Dia Brasil, teve um áudio vazado em que demonstra solidariedade a Lula e faz críticas a Sergio Moro e à própria cobertura da Globo.
A empresa tentou reprimir manifestações políticas de esquerda por meio de um comunicado do diretor de Jornalismo, Ali Kamel (Com o 247).

Lula diz para a vencedora do BBB18 que quado é no voto o PT sempre ganha

"Quando é no voto, a gente ganha sempre". Esta foi a mensagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à acreana Gleici Damasceno, que, em plena Rede Globo, comemorou sua vitória no BBB com um grito de 'Lula livre'. Embora a Globo, que apoiou o golpe de 1964, tenha sido a principal máquina de propaganda usada no golpe de 2016, que derrubou a presidente Dilma Rousseff, substituída por um consórcio de corruptos, e também no sequestro do Poder Judiciário para que Lula fosse condenado sem provas e preso, a emissora dos Marinho não consegue conter o grito preso na garganta dos brasileiros.
Confira o momento em que a vencedora do Reality Show Big Brother Brasil, produzido e veiculado pela Rede Globo, gritou “Lula Livre” ao se reencontrar com a família. Acreana, Gleici Damasceno é militante de direitos humanos e foi avisada da prisão de Lula pelo seu irmão no momento de reencontro com a família. (Com o 247)

Deputado do PSDB e ex-ministro de Temer afirma que o PSDB tramou para derrubar a Dilma Rousseff

Peça-chave e voto decisivo no golpe que resultou no impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, o ex-ministro e deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) disse que o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o prefeito do Recife, Geraldo Jullio, vice-presidente nacional e primeiro-secretário do PSB, respectivamente, trataram diretamente com ele de formas para afastar Dilma da Presidência da República.
"Todos conhecem a posição coerente minha e de Mendonça (ex-ministro da Educação e deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE)), sempre fomos oposição ao PT e de Armando Monteiro em defesa de Lula. Mas Paulo Câmara e Geraldo Julio sentaram diversas vezes comigo e com Mendonça combinando como afastar a Dilma Rousseff e hoje buscam aliança com o PT que montou o jargão de golpistas. Vão ter que explicar essa situação. E se o MDB ficar com Paulo, o PT vai ter que se explicar porque se aliou numa coligação com o partido de Temer, então esse debate vai ser maravilhoso", disse Araújo ao Jornal do Commercio.
O tucano também ironizou o fato do PSBquerer lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como candidato ao Planalto. "É legitimo que todos possam numa democracia pleitear a candidatura à presidência, mas as pessoas também vão ter que dar a cara para dar explicações. Como explica que uma pessoa tenha pedido aposentadoria 11 anos antes do tempo?", perguntou. "Joaquim Barbosa vai ter que ir para o enfrentamento, vai ser questionado, sim", completou. (Com o 247)

Vencedora do Reality Show da Rede Globo de 2018 grita "Lula Livre"

A vencedora do Reality Show Big Brother Brasil, produzido e veiculado pela Rede Globo, gritou “Lula Livre” ao se reencontrar com a família. Acreana, Gleice Damasceno é militante de direitos humanos e foi avisada da prisão de Lula pelo seu irmão no momento de reencontro com a família. 
Leia mais aqui.

O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente o discurso de ódio e de preconceito da senadora Ana Amélia

Em nota, a Diretoria do Instituto da Cultura Árabe "repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS)" em crítica a um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Lula à rede de televisão Al Jazeera, quando relacionou a emissora a grupos terroristas.
"Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia", critica o texto. Leia a íntegra da nota:
Nota de repúdio às declarações da senadora Ana Amélia sobre os árabes
O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS) em sessão do Senado transmitida pela TV que, ao criticar um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede de televisão Al Jazeera, relacionou a emissora a grupos terroristas.
A Al Jazeera é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta. Além de praticar um jornalismo que serve de referência, entrevista e promove reportagens com líderes, artistas, intelectuais e ativistas que se identificam com a luta em defesa dos direitos humanos, respeitando a diversidade de opiniões.
Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia. A Constituição brasileira é clara quanto aos delitos de racismo e discriminação e quaisquer formas de sistemas religiosos e profissões de fé. Partindo de uma senadora da República, constitui-se em um constrangimento ainda maior para nossa a sociedade.
O Brasil historicamente é destino de imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles, os árabes. Os imigrantes sempre viram no país um local acolhedor para recomeçarem suas vidas. Seu legado está presente em todas as áreas do conhecimento e na construção do próprio país.
Temos certeza de que a sociedade brasileira em geral não aceita e não compactua com atos dessa natureza, que incitam crimes de ódio, abrindo-se as portas à barbárie.
O ICArabe, organização autônoma, laica, de caráter científico e cultural, trabalha desde sua concepção para desconstruir esses estereótipos, via promoção e divulgação da rica cultura árabe. Valorizamos o caminho da harmonia entre as comunidades e entre os povos e o respeito às diferenças. Acreditamos que a integração entre as culturas e o diálogo são essenciais, assim como o respeito aos direitos humanos de todas as pessoas, brasileiras ou não.
O incentivo a práticas preconceituosas, de qualquer natureza, e a difusão do discurso do ódio constituem atos hediondos e instrumentos de fragmentação e de segregação de um povo conhecido em todo mundo por sua união e amabilidade nas relações com todas as etnias de sua constituição.
Diretoria do Instituto da Cultura Árabe

O jornalista Kennedy Alencar afirma corretamente que a senadora Ana Amélia é preconceituosa e tem total desconhecimento internacional

"Sobrou preconceito e faltou conhecimento internacional na avaliação da senadora Ana Amélia (PP-RS) a respeito da entrevista dada pela colega Gleisi Hoffmann (PT-PR) à Al Jazeera. Segundo Ana Amélia, Gleisi poderia ser enquadrada na Lei de Segurança Internacional por pedir apoio do mundo árabe a uma luta para libertar Lula, que seria um preso político, de acordo com o PT", escrev o jornalista Kennedy Alencar.
"A senadora gaúcha foi preconceituosa ao associar uma entrevista a uma rede de TV de grande prestígio internacional com algum tipo de convocação à violência estrangeira, sugerindo a busca de apoio de extremistas islâmicos. A reação de Ana Amélia estimulou uma onda de preconceito e xenofobia nas redes sociais".
Leia a íntegra no Blog do Kennedy Alencar

O senador Renan Calheiros pede o ex-presidente Lula livre

O senador Renan Calheiros (MDB" diz, através de vídeo, que o Senado não pode errar outra vez como fez no caso do flagrante forjado pelo Ministério Público Federal contra o senador Delcídio Amaral. Ele também reclama da proibição da juíza de Execução do Paraná de visita de senador com o argumento de não pertencer a determinada comissão.
Para Calheiros, o que se discute não são as condições da prisão de Lula, “o que precisamos saber é se a prisão é legal ou não, constitucional ou inconstitucional. É se podem prendê-lo ou não depois da segunda instância”.
“A condição da masmorra é consequência do descumprimento da Ordem Constitucional. O fundamental é sabermos agora é se alguns poucos podem se colocar acima da lei maior de um país. Se o STF vai ou não vai garantir a Constituição. Depois, se for o caso, e o Brasil pelas pesquisas espera que não sejam, pede-se para que façam como Sobral Pinto, que evocou a Lei de Proteção aos Animais na defesa dos perseguidos e presos políticos”, diz Renan.
Ele pediu, ainda, que as eleições de 2018 sejam transformadas em Constituinte, aprovar uma nova Ordem constitucional e a liberdade do ex-presidente Lula. (Com o 247)

Agora, passa a valer mais rigor nas punições para quem dirigir sob efeito de álcool ou drogas

Começam a valer nesta quinta-feira (19) as punições mais rigorosas aos motoristas embriagados ou sob o efeito de drogas que forem condenados por acidentes de trânsito.

De acordo com a nova determinação, que passa a valer 120 dias após a publicação oficial do texto, os motoristas responsabilizados por homicídio sem a intenção de matar (culposo) ou lesão corporal grave e gravíssima deverão cumprir reclusão de 5 a 8 anos e suspensão ou proibição de dirigir.

Até então, a pena máxima aos motoristas considerados culpados em casos do tipo estava fixada entre 2 e 4 anos. O prazo permitia que condenados por acidentes de trânsito com mortes sequer fossem para a cadeia.

A advogada Anna Julia Menezes, do departamento de Direito Penal do Braga Nascimento e Zilio Advogados, explica que o aumento da pena impede que o delegado estabeleça o pagamento de uma fiança dentro da delegacia para os casos envolvendo embriaguez.

“Agora não tem mais essa prerrogativa [do pagamento imediato da fiança]. O delegado tem que lavrar o auto de prisão em flagrante e comunicar o juiz, que decidirá ou não arbitrar a fiança para o acusado”, afirma Menezes.


O Código Brasileiro de Trânsito estabelece que a capacidade alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa é considerada em casos de concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar ou sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora.

O privilégio para Geraldo Alckmin

A razão doma os sentimentos ou a irracionalidade e o caos

Rolf Dobelli, no posfácio do livro “A arte de pensar claramente”, cita Ralph Waldo Emerson: “Coletivamente, é fácil viver de acordo com representações alheias. Na individualidade, é fácil viver de acordo com as próprias representações. Contudo, notável é apenas aquele que preserva sua independência na coletividade.”
Existe uma teoria quente e outra fria da irracionalidade. A quente é a de Platão: o cavaleiro conduz os cavalos que galopam desenfreadamente. O cavaleiro representa a razão, e os cavalos a galope, as emoçõesA razão doma os sentimentos. Quando isso não dá certo, irrompe a irracionalidade. Sentimentos entram em ebulição. Na maioria das vezes, a razão os mantém sob controle. Só que, de vez em quando, a irracionalidade irrompe e ela é quente. Com a razão, de fato, tudo fica em ordem, ela não tem defeitos, só que, muitas vezes, as emoções são mais fortes.
Durante séculos essa teoria quente da irracionalidade ficou em voga. Para Freud, os sentimentos (o Id) são controlados pelo Ego e pelo Superego. Mas mesmo com toda compulsão e com toda disciplina, é ilusório acreditar que conseguimos controlar nossas emoções inteiramente através do pensamento— tão ilusório quanto a tentativa de controlar mentalmente o crescimento de nosso físico.
Em contrapartida, a teoria fria da irracionalidade ainda é recente. Após a guerra, verificou-se que dificilmente os sentimentos eram exteriorizados nos postos de comando do regime nazista. Predominavam decisões frias, que conduziram aos erros humanitários do nacional-socialismo. Racionalidade infalível? Aparentemente, não.
De acordo com uma teoria fria da irracionalidadeo pensamento de per si não é puro, mas sujeito a erros. E isso em todas as pessoas. Mesmo as mais inteligentes sempre acabam esbarrando nas mesmas armadilhas do pensamento. E os erros não são distribuídos de modo aleatório. Dependendo do erro de pensamento, caminhamos sistematicamente em uma direção bem determinada – e errada. Isso torna nossos erros prognosticáveise, portanto, corrigíveis até certo grau. Até certo grau — não completamente.
Durante algumas décadas, as origens desses erros de pensamentopermaneceram obscuras. Por que justamente o cérebro tem de produzir um lapso após o outro?
O pensamento é um fenômeno biológico. Foi formado pela evolução. A biologia eliminou toda dúvida. Fisicamente, e isso inclui o cérebro, somos caçadores e coletores.
No entanto, o que mudou de maneira marcante desde então foi o ambiente em que vivemos. Em tempos primitivos, o ambiente era simples e estável. Vivívamos em pequenos grupos de cerca de cinquenta pessoas. Não havia nenhum progresso técnico ou social considerável.
Somente nos últimos 10 mil anos o mundo começou a alterar-se maciçamente— surgiram a agricultura, a pecuária, as cidades e o comércio internacional, e desde a industrialização o ambiente já não nos lembra quase nada daquele para o qual nosso cérebro foi otimizado.
Atualmente, quem passeia por um shopping durante uma hora vê mais pessoas do que nossos antepassados viram em toda a sua vida. É impossível saber como será o mundo daqui a dez anos. Nos últimos 10 mil anos, criamos um mundo que não esperávamos.
Tornamos tudo mais complexo e interdependente. O resultado é um surpreendente bem-estar material, mas, por infelicidade, também doenças da civilização e, justamente, os erros de pensamento. Se a complexidade continuar a aumentar — deve acontecer mais interações entre novos componentes do sistema —, esses erros de pensamento serão cada mais frequentes e mais graves.
Por exemplo, em um ambiente de caçadores e coletoresa atividade compensava mais do que a reflexão. Ter uma reação extremamente rápida era questão de sobrevivência, ao passo que longas meditações eram desvantajosas. Compensava errar em uma direção bem determinada. Quem funcionasse de outra forma desaparecia do patrimônio genético.
Nós, Homines sapientes atuais, somos os descendentes daqueles que tendem a sair correndo atrás dos outros. Entretanto, esse comportamento intuitivo é desvantajoso no mundo moderno. O mundo atual recompensa a reflexão acurada e a ação independente. Quem já caiu em uma publicidade enganosa da bolsa de valores sabe disso.
Psicologia Evolucionária ainda é, em ampla medida, uma teoria, mas uma teoria muito convincente. Ela esclarece a maioria dos erros de pensamento — embora não todos. Aparentemente, já viemos ao mundo com alguns erros instalados, e eles nada têm a ver com a “mutação” de nosso ambiente.
Como isso se explica? A evolução não nos “otimiza” em sentido absoluto. Enquanto os homo sapiens foram mais adequados ao meio ambiente do que outras raças humanas, por exemplo, a dos Neandertais, seus descendentes sobreviveram.
Uma segunda explicação paralela para a obstinação de nossos erros de pensamento cristalizou-se no final dos anos 1990. Nosso cérebro constrói-se sobre a reprodução, e não sobre a descoberta da verdade. Em outros termos: utilizamos nosso pensamento primariamente para convencer os outros. Quem convence os outros garante seu próprio poder e, com isso, adquire acesso a mais recursos. Por sua vez, esse acesso aos recursos é uma vantagem decisiva para o acasalamento e a criação dos descendentes.
Ao pensarmos, não estamos primariamente preocupados com a verdade. O argumento pueril de Rolf Dobelli para isso é que  romances são muito mais vendidos do que os livros de não ficção, apesar de a veracidade dos últimos ser infinitamente maior.
Por fim, uma terceira explicação diz que decisões intuitivas — mesmo que não totalmente racionais — são melhores em determinadas circunstâncias. É disso que se ocupa a chamada pesquisa em heurística. Para muitas decisões faltam as informações necessárias. Por isso, elas são obrigadas a fazer uso de um pensamento abreviado e das “regras gerais de bolso” [rule of thumb: um princípio geral baseado mais na experiência que na teoria, de fácil aplicação, mas não necessariamente preciso, para aferir ou calcular alguma coisa].
Por exemplo, com quem você deveria se casar? Essa decisão não acontece de maneira racional. Se for confiar apenas no pensamento, vai ficar solteiro para sempre. Em resumo, muitas vezes decidimos intuitivamente e justificamos nossa escolha a posteriori. Muitas decisões (trabalho, cônjuge, investimento) são tomadas de maneira inconsciente. Frações de segundo mais tarde construímos uma justificativa, o que nos dá a impressão de que decidimos conscientemente.
Nosso pensamento é, antes, comparável a um advogado do que a um cientista, ao qual importa a pura verdade. Advogados são bons para construir a melhor justificativa para uma conclusão já estabelecida.
Muito mais importante do que a hipótese das funções dos “hemisférios esquerdo e direito do cérebro” é saber a diferença entre o pensamento intuitivo e aquele racionalAmbos têm seu legítimo campo de aplicação. O pensamento intuitivo é rápido, espontâneo e poupa energia. O pensamento racional é lento, cansativo e consome muitas calorias (em forma de glicose no sangue).
Obviamente, o racional pode passar para o intuitivo. Quando você pratica um instrumento, aprende nota por nota e ordena a cada dedo o que fazer. Com o tempo, você domina o teclado ou as cordas de maneira intuitiva. Você vê uma partitura, e suas mãos tocam como que sozinhas.
É o que se chama de “círculo de competência”: compreensão intuitiva ou maestria. Infelizmente, o pensamento intuitivo também se lança onde não alcançamos maestria — e isso antes de a razão meticulosa poder intervir para corrigir. E, em seguida, ocorrem os erros de pensamento.
Para terminar esse estudo com uma série de posts resumindo do livro de Rolf Dobelli, “A arte de pensar claramente”, três observações.
Em primeiro lugar, a lista dos erros de pensamento presentes neste livro não está completa.
Em segundo, não se trata aqui de distúrbios patológicos. Apesar dos erros de pensamento, podemos conduzir nosso dia a dia sem problemas. Na verdade, não há sistema de saúde nem sequer medicamento que possa livrar-nos de eventuais erros.
Em terceiro, a maioria dos erros de pensamento está inter-relacionada. Tudo no cérebro está conectado. Projeções neuronais conduzem de uma região cerebral a outra. Não há uma única região cerebral que esteja isolada.
A vantagem de colecionar e descrever erros de pensamento não é conseguir viver sem erros de pensamento. Evitar os erros de pensamento não é uma meta absoluta.
Pode-se adotar a seguinte regra prática: em situações cujas possíveis consequências são grandes, como em decisões privadas ou comerciais importantes, tentar decidir da maneira mais sensata e racional possível. Pegar a lista de erros de pensamento e os ler, um após o outro, fazendo uma lista de checagem.
Esbocei uma lista com um diagrama de decisões de fácil consulta, com a qual podemos avaliar profundamente decisões importantes. Em situações cujas consequências são pequenas é comum renunciar à otimização racional e deixar-se levar pela intuição.
Pensar com clareza é dispendioso. Por isso, quando o possível prejuízo é pequeno, não quebre a cabeça e aceite os erros. Você vai viver melhor assim. Enquanto conseguirmos conduzir a vida com alguma segurança e prestarmos atenção quando o caso for decisivoa natureza parece não se preocupar muito se nossas decisões são perfeitas ou não.