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Ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Sergipe, Lula afirma que a elite sempre negou educação para o povo

Em discurso no município de Lagarto, onde recebeu o título Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Sergipe, nesta segunda-feira, o ex-presidente Lula destacou os avanços do Brasil na educação superior no seu governo e no de Dilma Rousseff, sobretudo na região Nordeste.
"Das 18 universidades que criamos, sete ficam no Nordeste. E todas têm campus nas cidades do interior. O Nordeste hoje tem 20% dos alunos universitários do país, ultrapassando pela primeira vez a região Sul. Como vocês sabem, o número de universitários passou de três milhões para mais de oito milhões. E ainda é pouco. Esse país precisa compreender de uma vez que educação não é gasto, é investimento. E universidade não pode ser privilégio", disse Lula.
Ele criticou a falta de investimento em educação depois do golpe parlamentar que afastou Dilma em 2016. "A primeira universidade do Brasil só veio em 1930 e não foi nem para atender aluno, mas o rei da Bélgica, que exigia um Honoris Causa. Até a metade do século 20, a maioria da população brasileira Ainda era analfabeta. Negar o acesso à educação de qualidade sempre foi um jeito de perpetuar a desigualdade neste País. Foi por isso que investimos tanto em educação durante nosso governo".
Lula ainda destacou o emprenho do ex-governador Marcelo Déda pela educação em Sergipe.
"O Brasil precisa conhecer o sistema de Lagarto, que associa ensino e as políticas públicas de saúde. O coroamento desse processo é a atuação dos alunos no hospital universitário de Lagarto. Destaco também o impacto da instalação da universidade aqui em Lagarto, que movimenta mais de 100 milhões por ano no comércio local. A ideia de instalar o campus aqui em Lagarto jamais teria saído do papel se não fosse meu valoroso compadre, o ex-governador Marcelo Deda. Marcelo Deda tinha verdadeira inquietação em atender seus compromissos com o povo sergipano", lembrou o ex-presidente. (Com o 247)
Assista na íntegra o discurso do ex-presidente Lula: 

O PMDB vai mudar para MDB, mas vai continuar uma raposa

Do Blog do Amarildo

O ex-presidente Lula afirma que a Globo foi uma das principais articuladoras do golpe no Brasil em 2016


Do Brasil de Fato  - Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato enquanto percorre nove estados nordestinos de ônibus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comenta os motivos do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência e quem está por trás dessa conspiração. Lula comenta ainda a necessidade de o povo se manter em luta contra os retrocessos e por democracia, e seguir acreditando na política. Sobre a posição do governo Temer sobre a crise venezuelana, dispara: "É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela". Confira abaixo.

Na sua opinião, qual foi o motivo do golpe contra Dilma Rousseff?

Na verdade, as forças conservadoras nunca aceitaram o resultado das eleições de 2014. A direita se recusou a respeitar a escolha democrática da população. Um dia depois da eleição, já começou a sabotagem ao governo Dilma e a conspiração para derrubá-lo. Foi pauta-bomba em cima de pauta-bomba na Câmara e no Senado para inviabilizar a economia, para assustar investidores e consumidores, enquanto os projetos do governo, tão necessários ao país, não passavam ou eram completamente desfigurados. O que está cada vez mais claro, hoje, inclusive para muita gente que foi enganada pelas mentiras da imprensa, é que não foi um golpe só contra Dilma ou o PT. Foi um golpe contra a educação e a saúde públicas, contra os direitos dos trabalhadores e aposentados, para privatizar as empresas públicas e o pré-sal, para desnacionalizar a Amazônia. Um golpe contra o país.

Como o Sr. avalia o papel da mídia e, especialmente, da Globo no golpe?

Os grandes monopólios de comunicação foram decisivos para o golpe. A Rede Globo, em particular, foi um dos seus principais articuladores e a sua grande propagandista. O golpe não teria sido possível sem o ataque sistemático e a sórdida campanha de desmoralização que a Globo fez ao governo Dilma e ao PT. Para facilitar o golpe, ela ajudou a abafar as acusações contra os lideres golpistas (a blindagem a Aécio Neves é um exemplo flagrante disso), que só viriam a aparecer depois que a presidenta foi derrubada. A Globo não hesitou nem mesmo em se aliar a Eduardo Cunha para sabotar o governo e o protegeu de modo escandaloso até que ele terminasse o seu serviço sujo. Ela vendeu ao país a falsa ideia de que os problemas nacionais foram criados pelo PT, e que bastaria afastar o PT do governo – mesmo ferindo a lei e a democracia – para que o Brasil virasse uma maravilha. Hoje, com a mesma cara de pau, ela tenta convencer os trabalhadores e o povo pobre de que as pessoas vão viver melhor sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria.

O juiz Sérgio Moro condenou o Sr. na ação sobre o apartamento do Guarujá. O Sr. também está sendo alvo de outros processos. Por que essa perseguição da Justiça?

O juiz Moro, na sentença que me condenou, diz que o tal apartamento não é meu, mas que isso não importa. Responsáveis pela Lava Jato já disseram que não há provas contra mim, mas que eles têm a convicção pessoal de que eu sou culpado. Todo mundo sabe que um principio básico do direito, que é sagrado em todas as verdadeiras democracias, é que o ônus da prova cabe ao acusador, não ao acusado. Para outros, esse principio vale. Para mim, não. Minha inocência está mais do que provada nos autos, Minha inocência está mais do que provada nos autos, mas isso simplesmente não é levado em consideração. Tenho 40 anos de vida pública, de dedicação aos trabalhadores, aos pobres, ao país. Será este o meu crime? Ter tirado o Brasil do mapa da fome? Não posso me conformar com tanta arbitrariedade. Qual a razão dessa partidarização da justiça? Chego a pensar que os que deram o golpe não podem admitir que o Lula concorra novamente à Presidência...

Caso seja eleito, quais são as medidas que o Sr. tomará para melhorar a vida do povo e os rumos do país?

É cedo para falar como candidato, muito menos como eleito. Antes, precisamos impedir que os golpistas destruam os direitos sociais arduamente conquistados pelo povo brasileiro na última década. E impedir que eles privatizem a preço vil as empresas públicas. E também é preciso garantir que as próximas eleições sejam de fato livres e democráticas. Um novo governo, legítimo, que tenha uma visão progressista do país, pode perfeitamente tirar o Brasil do atoleiro em que ele esta hoje. Nós já governamos o país e provamos na prática que o Brasil pode ser uma nação soberana, com verdadeiro crescimento econômico, geração de empregos, distribuição de renda, inclusão social e ampliação das oportunidades educacionais em todos os níveis. Para isso, é preciso acreditar que as classes populares não são um problema, e sim uma solução. Quando os pobres da cidade e do campo puderem voltar a comprar é que o comércio vai vender e a indústria produzir e, com isso, o investimento vai retornar. Será muito importante também elegermos um Congresso melhor que o atual, com mais representantes dos trabalhadores, dos camponeses, das mulheres e dos jovens.

O que o Sr. recomenda em termos de organização e foco à Frente Brasil Popular para avançarmos na luta contra os retrocessos e por democracia?

A Frente é uma coisa extraordinária, porque reúne diferentes setores da sociedade para pensar o Brasil e lutar pela sua transformação. Ela tem sido fundamental na resistência aos retrocessos políticos e sociais. O foco da Frente está correto, combinando formulação e mobilização permanente. Penso que é muito importante também a gente explicar para a população o que estamos defendendo. É preciso dar esperança ao povo de que outro Brasil é possível e que, com um governo popular, dias melhores virão.

Por tudo isso que o Brasil tem vivido, muita gente não acredita mais na política. O que devemos fazer diante dessa desesperança?

A gente não tem o direito de desistir. A minha mãe me ensinou isso. A gente tem sempre que lutar. Tenho 71 anos e não quero desistir. Não desisti de sobreviver ao nascer em uma região onde muitas crianças morrem antes de completar cinco anos. Não desisti de organizar os trabalhadores durante a ditadura. Construí com meus companheiros o maior partido político da América Latina e fui presidente do Brasil por dois mandatos. Se eu consegui tudo isso sem diploma universitário, sem pai rico, por que alguém jovem deve desistir? Se você acha que a política está­ ruim, entre na política e tente ser você mesmo o militante ou dirigente político que você sonha para o Brasil.

Hoje, quem são os principais adversários para termos um país com justiça social, solidário e com oportunidade para todos?

Eu acho que hoje tem muita gente ressentida no Brasil, muita gente que está de mau humor, achando que o egoísmo vai resolver alguma coisa. Tem muito empresário que quer tirar direitos dos trabalhadores e aposentados sem perceber que se o trabalhador e o aposentado não tiverem dinheiro, não vão consumir o que ele produz. A grande força da nossa economia é o mercado interno. Então ele pode achar que vai se dar bem sendo inimigo dos trabalhadores e no final as vendas dele vão cair. Tem gente que se ressente da melhora de vida dos mais pobres e quer um país para poucos, só para um terço da população. Tem gente que defende quase a volta da escravidão. Essas pessoas precisam entender que isso não é bom nem para elas, porque um país para poucos é um país fraco, inseguro, instável. Um país assim não atrai nem investidor estrangeiro, atrai só parasita em busca de riqueza rápida, que vem extrair recursos naturais ou comprar empresas baratas. Uma sociedade solidária não é apenas uma questão de justiça – ainda que isso seja o mais importante – mas também de necessidade. Quando os pobres e os trabalhadores melhoram de vida, toda a sociedade vida.

Muitas vezes os políticos ficam decidindo a vida dos brasileiros e do país fechados em escritórios em Brasília. O Sr. já fez muitas viagens pelo interior do Brasil, em caravanas como esta agora no Nordeste. O que o Sr. aprendeu sobre o nosso povo nessas experiências?

Aprendi que o povo brasileiro é de uma força e de uma grande generosidade, e que não se pode governar o país de Brasília, da Avenida Paulista ou da zona sul do Rio de Janeiro. Para alguém que vive nessas regiões, um programa como o Luz Para Todos pode não significar nada. Mas ele levou energia, trouxe para o século 21 milhões de brasileiros. Sem luz, um jovem não pode estudar. Sem se alimentar, com uma boa merenda na escola, o jovem não pode estudar. Criamos o Programa de Aquisição de Alimentos, que apoia o agricultor local e reforça a merenda com comida saudável, hoje isso está sendo destruído. A criança tem que comer, mas também tem que ter roupa para ir à escola. O Bolsa Família exige para o recebimento do benefício que a criança frequente a sala de aula. Sem transporte, um jovem da zona rural não pode estudar. Criamos o programa Caminhos da Escola, que levou ônibus escolares pelo interior do Brasil. Sem água, como se pode viver, ainda mais estudar? Instalamos milhões de cisternas no sertão. E se não tem faculdade próxima, como estudar? Ampliamos as universidades, os institutos federais de ensino, as escolas técnicas, levando elas para o interior. Foram centenas de novas extensões universitárias em todos os estados do país. A Bahia tinha só uma universidade federal hoje tem quatro. Eu conheço pessoalmente o tamanho desse país, que ele não é pequeno, e quem o governa não pode ter a mente nem a alma pequena. Tem que ouvir o povo, colocar o pé na estrada, conversar, procurar soluções, dar força para a sociedade civil. E tem que abrir o palácio ao povo, fazer a sociedade civil participar da construção das soluções para o país.

Como o Sr. avalia as ameaças do governo dos EUA diante da situação da Venezuela? Como o Brasil deveria ter atuado no processo de paz na Venezuela?

É inadmissível que Donald Trump faça ameaças militares à Venezuela. Aliás, a qualquer país, em qualquer região do planeta. A Venezuela tem direito à sua autodeterminação. É o povo venezuelano que deve decidir livremente o destino do país. Se há uma crise institucional, que se busque superá-la por meio do diálogo e da negociação política, mas respeitando sempre os governantes que foram eleitos pelo voto popular, dentro das regras democráticas, como era o caso do presidente Hugo Chávez e é o caso do presidente Nicolás Maduro. Em 2003, quando a Venezuela vivia uma crise semelhante, eu mesmo propus a formação de um grupo de países amigos da Venezuela, bastante plural, que acabou contribuindo para o restabelecimento da normalidade e da paz. Hoje, infelizmente, o Brasil não tem nenhuma autoridade moral para ajudar. É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela. Quando tivermos novamente um governo democrático e popular, o Brasil voltará a colaborar, sem interferências indevidas na soberania dos vizinhos, para consolidar a paz e a estabilidade democrática na América do Sul.

O cantor Raimundo Fagner diz que o Aécio Neves lhe deve explicações

O cantor cearense Raimundo Fagner, um dos maiores nomes da música brasileira, cobrou um pedido de desculpas do senador Aécio Neves (PSDB), presidente afastado do PSDB. 
Em entrevista ao jornalista Sérgio Martins, da Veja, demonstrou ter se sentido enganado pelo tucano. "Aécio não apenas me decepcionou, mas foi muito triste. Sou amigo dele e essa amizade nunca vai deixar de existir. Mas o que eu me envolvi com ele, o que eu acreditei...o que eu subi em palanque para ele, desde a campanha dele para deputado. Me envolvi em todas as suas campanhas, as pessoas acharam até estranho porque ele era um garoto e eu já era um nome consagrado", reclamou Fagner. 
"Eu emprestei muito esse trabalho para o Aécio. Para mim, foi uma punhalada. Eu não merecia isso porque emprestei o meu respeito e pisou na bola legal. Aécio me deve desculpas pessoalmente", disse o cantor. (Com o 247)

O ex-presidente Lula afirma que volta ao mapa da fome porque para o governo de Michel Temer pobre não é gente

Por Claudia Motta, da Rede Brasil Atual
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (19) que o Brasil está sem governo e que políticas públicas que vinham mudando a qualidade de vida da população do Nordeste vêm sendo abandonadas. Em ato político que marcou a passagem da Caravana Lula pelo Brasil por Feira de Santana, a 100 quilômetros de Salvador, Lula fez a defesa de políticas públicas para o Semiárido e para a agricultura familiar durante os períodos de seu governo e de Dilma Rousseff. “Saímos de quase R$ 2 bilhões de financiamento da agricultura familiar para R$ 30 bilhões, quando a Dilma deixou o governo. Valorizamos o pequeno produtor, demos crédito para ele evoluir na sua capacidade produtiva”, disse.
Ao se referir aos períodos prolongados de seca que caracterizam grande parte das áreas do Nordeste, Lula citou 1,4 milhão de cisternas construídas na região nas gestões petistas e enfatizou que nenhum governo pode se resignar diante de obstáculos climáticos. Ironizou a falta de atitude de poderes públicos – “nunca vi o governo do Canadá dizer que ia acabar com a neve; eles estabeleceram uma política de convivência com o inverno rigoroso” – e afirmou que a preocupação com a vida das pessoas precisa pautar as políticas de Estado. “Começamos a provar que ninguém precisa morrer de sede se tiver um governo responsável. A água é mais que um direito, é uma necessidade e o Estado não tem o direito de permitir que as pessoas se submetam a indústria de caminhões pipa”, destacou.
“Governar qualquer um governa, cuidar do povo é que é difícil. Olhar para uma pessoa pobre, humilde e enxergá-la como um ser humano que precisa de carinho. É para essa gente que um Estado governa, é para essa gente que temos de dar atenção, não para os grandes empresários da vida”, disse, ovacionado pela multidão que tomava a Praça Estação da Música. “Se você der R$ 20 para uma pessoa humilde, ela fica agradecida e vai levar comida para dentro de casa. O rico vai abrir uma conta bancaria e fazer investimento lá no exterior”, comparou. “Nós podemos consertar esse país. A gente tinha saído do Mapa da Fome da ONU e agora voltamos. Porque para essa gente que governa o país, pobre não é gente, pobre é estatística. Quando vê estatística com 14 milhões de desempregados, aquilo é só um número. Para nós são seres humanos. Por isso estou fazendo essa caravana.”
A iniciativa de percorrer 25 cidades dos nove estados do Nordeste tem a finalidade, ressalta o ex-presidente, de “conversar com o povo”. “Ouvir, aprender e levar tudo que a gente ouvir e o que recebe de documento para fazer um programa para construir o futuro de vocês”, afirmou a centenas de agricultores que ocupavam o espaço vindos de cidades vizinhas. “Nosso programa não será feito com base em pesquisa eleitoral, mas naquilo que o povo brasileiro quer para o Brasil. Porque o que nós percebemos, é que o país está quebrado”, disse.
Feira de Santana foi a última cidade do estado a ser visitada pela caravana que começou na sexta-feira (17) em Salvador e passou por Cruz das Almas e São Francisco do Conde. “A verdade é que nós não temos governo. Mas temos de ter clareza que para o Brasil voltar a andar, a gente precisa, nesse momento de crise, levantar a cabeça, não desanimar. O Brasil tem jeito, esse país é extraordinário e já provou que através da agricultura familiar a gente pode sustentar a alimentação de 204 milhões de pessoas. O que nós queremos é saber quem é que está plantando feijão, arroz, alface, cenoura, pimentão, pepino, quem está criando peixe. É isso que sustenta esse país. É isso que dá dignidade a vocês”, destacou Lula.
Neste domingo (20), a caravana chega Sergipe, onde permanecerá por três dias. Antes de chegar à capital, Aracaju, o ex-presidente passará por Estância, Lagarto, Itabaiana e Nossa Senhora da Glória. 
Sintonia
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Gisélia e o companheiro: orgulho de trabalhar na roça. Auana emocionada: 'Antes, a gente, pobre, trabalhava para os outros'

Muitos camponeses que acompanhavam o ato público diziam estar ali para ver e matar a saudade do seu “ex”. Para Auana, trabalhadora rural de Conceição da Feira, era também a realização de um sonho: vê-lo. “Antes, a gente, pobre, trabalhava para os outros. Hoje, pobre pode ser patrão. Antes, a gente tomava conta do gado do rico, hoje podemos comprar o nosso. Rico e pobre trabalhando lado a lado. Isso é emocionante. Por isso eu sou fã de Lula”, diz, sem conter o choro.
Com um cesto cheio de verduras da sua horta orgânica para entregar ao ex-presidente, Giselia, do distrito de Ijaíba, comunidade de São Domingos, era só orgulho de sua trajetória de vida. “Tenho orgulho de trabalhar na roça, lavradora, produzir alimentos 100% naturais, sem agrotóxicos. Sou de uma família humilde. Minha mãe sempre trabalhou na roça, me criei na roça. Minha mãe levava a gente, ficávamos na cabana, embaixo do sol, no carro de mão. Isso foi um exemplo de vida.”
A ligação com a terra e seus valores é patrimônio familiar. “Fui amadurecendo, passo a passo no solo. Hoje sou casada, tenho duas filhas e vou passando para elas a importância de um agricultor, para que elas aprendam a valorizar o rural. A importância de crescer e se orgulhar do DNA delas, de lavradora”, conta Giselia. 
Essa relação também faz parte da história de Maria Natividade, mãe de cinco, avó de outros cinco, moradora de uma fazenda no município baiano de Inhambupe. “Sou trabalhadora rural, filha de trabalhador rural, nunca saí da agricultura familiar, nunca trabalhei de empregada para ninguém, vivo da agricultura”, diz. 
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A 'margarida' Maria Natividade: 'Estamos passando dificuldade, mas o sol vai voltar a brilhar. E a gente vai à luta'
Integrante do movimento Marcha das Margaridas, Maria foi uma das delegadas à Conferência de Mulheres, em maio de 2016, detidas num avião em Brasília sob a “acusação” de fazer manifestação em defesa do governo Dilma na aeronave. “Eu estava com minhas amigas. Sofremos, mas como trabalhadoras rurais fomos à luta e ficamos até o final do evento. Voltamos para casa todas em paz.”Plantadora de feijão, milho, batata, abóbora, amendoim e laranja, ela expressa reconhecimento em relação a suas conquistas. “A vida do agricultor familiar melhorou muito, ganhamos conhecimento, a gente chega a todos os lugares. Tenho um filho de São Paulo, ele tá voltando e eu espero que ele se encaixe aqui com a gente, porque o lugar dele é aqui na zona rural, onde ele nasceu. Estamos passando um pouquinho de dificuldade agora, mas tudo isso é uma chuva, vai passar e o sol vai brilhar. E a gente vai à luta, vamos continuar plantando porque, se a roça não planta, a cidade não janta.” 
Agricultura familiar sustenta 90% dos municípios do Brasil

A agricultura familiar tem a gestão da propriedade compartilhada pela família, que tem na atividade produtiva agropecuária a principal fonte geradora de renda.

O agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, ao mesmo tempo seu local de trabalho e moradia. A diversidade produtiva também é marca desse setor.

Segundo dados do Censo Agropecuário de 2006, 84,4% do total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem a grupos familiares. São aproximadamente 4,4 milhões, sendo que a metade na região Nordeste.

A agricultura familiar, de acordo com o censo, é a base econômica de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes; responde por 35% do produto interno bruto nacional; e absorve 40% da população economicamente ativa do país. São esses orgulhosos brasileiros, com DNA de lavradores, os responsáveis pela produção de 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 21% do trigo do Brasil. Na pecuária, estão com 60% da produção de leite, além de 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos do país. Por isso, não duvide: se a Dona Marina Natividade não planta, a cidade não janta mesmo!

O ex-presidente Lula afirma que é o povo quem vai decidir se ele vai ou não disputar a presidência da República

Em mais uma etapa de seu giro pelo Nordeste, desta vez no município de Estância, em Sergipe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o mote de sua caravana – o de que eleição sem Lula é fraude.
"Quero que eles saibam que quem vai decidir se eu posso ser candidato ou não são vocês. Se vocês acharem que não, eu me aquieto", disse Lula, enfatizando que caberá ao povo brasileiro lutar contra o tapetão judicial que visa impedir que ele concorra em 2018.
Uma das estratégias da direita brasileira é impedir a volta de Lula por meio de uma condenação judicial em segunda instância.
Lula também mandou um recado a Michel Temer.
"Se você quiser mexer com aposentadoria, Temer, mexa na sua. Eles não sabem o que significa aposentadoria rural num município pequeno."
Temer se antecipou aos 55 anos e hoje, depois de conquistar o poder por meio de um golpe parlamentar, tenta promover uma reforma da Previdência que atinge duramente a população mais pobres – especialmente do Nordeste, onde é menor a expectativa de vida. (Com o 247)
Confira, abaixo, alguns dos tweets de Lula:
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Evaristo Costa aciona a Justiça contra a Globo

Fora da Globo desde o final do mês passado, o ex-âncora do Jornal Hoje Evaristo Costa ainda não assinou seus documentos rescisórios com a emissora até o momento. As informações são do jornalista Ricardo Feltrin, do UOL.
Está havendo impasse em relação ao valor da verba a ser paga. O jornalista não ficou satisfeito com o oferecido e acionou um advogado trabalhista para lidar com a situação.
É esse advogado que está em contato com a emissora nos últimos dias. O contrato oficialmente terminaria, segundo o próprio jornalista, em outubro. Ou seja, até lá existe possibilidade de um acordo amistoso.
Eva (como é chamado pelos fãs) viajou para o Reino Unido no último fim de semana para se juntar à família, que alugou por um ano uma casa em Cambridge, onde sua mulher vai estudar.
A Globo não comenta a situação trabalhista de seus funcionários ou ex-funcionários.
Com 40 anos, Evaristo trabalhou na Globo por quase 20. Desses, por cerca de 14 anos teria trabalhado em regime de Pessoa Jurídica (PJ).
Caso haja agravamento nesse impasse (com a rescisão) isso certamente jogará por terra qualquer possibilidade de retorno do jornalista à Globo, no futuro.

Limite

A poucos amigos da Globo, Evaristo confidenciou na semana passada, antes de viajar, que decidiu sair da emissora e mudar de país porque não suportava mais o assédio em sua vida privada. Além disso afirmou estar “esgotado” com o trabalho na emissora.
Segundo Evaristo, nos últimos tempos não era mais possível sair com sua mulher (Amália Stringhini) e filhas em nenhum local público, porque rapidamente já ocorriam aglomerações e confusão.
Sua mulher, segundo revelou aos colegas, foi quem mais o incentivou a deixar a Globo.
Ela não suportava mais a falta de sossego e privacidade. “Ela não via mais a hora disso acabar”, revelou o jornalista a um amigo.

Capitalismo

De fato, em seu Instagram, Amália se declarou aliviada com o “fim do hospício” (sem especificar do que estava falando).
“Estou tão feliz, finalmente consegui me livrar do hospício. Prostituição capitalista e falsa que não fazia bem a mim e minhas filhas”, postou, recebendo muitas críticas de internautas.
Em outro post, ela diz ao marido para “não ter medo de suportar” (o que iriam enfrentar), e que ele “não está sozinho”.
A decisão de deixar a Globo teria ocorrido logo depois de Amália ter sofrido um AVC, no final do ano passado. Ela se recuperou totalmente. (Como o Pragmatismo Político)

Luis Nassif mostra em detalhes a influência dos Estados Unidos no golpe no Brasil em 2016

Por Luis Nassif, no GGN

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.
A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.
E aí entram os princípios básicos, copiados das estratégias de guerra:
Etapa 1 - Ataques da artilharia: a guerra de desgaste, de exaurir antecipadamente o inimigo por meio de ataques diuturnos de artilharia.
Etapa 2 – a guerra psicológica, visando conquistar corações e mentes das populações dos países adversários contra suas tropas.
Etapa 3 – a primeira ofensiva, juntando o avanço dos tanques de guerra com ações táticas de Infantaria, visando impedir o inimigo de realizar determinadas operações
Etapa 4 – simultaneamente à Etapa 3, táticas de dividir as forças adversárias para ataca-las uma de cada vez.
Etapa 5 - Vencida a guerra, ocupar o país com um governo local que, ante um quadro de destruição ampla, ganhará legitimidade inicial com suas propostas de reconstrução. Por isso a destruição tem papel central na conquista do território, seja no decorrer da guerra ou no desmonte posterior.
Etapa 6 – a batalha decisiva. A aceitação ou não, da população do país, do modelo imposto pela guerra.
Vamos, agora, analisar o Caso Brasil.

Etapa 1 – os ataques de artilharia

Tem a função de fustigar os inimigos diuturnamente, de maneira a tirar seu fôlego e preparar o terreno para o início da batalha e o avanço da infantaria.
Quem acompanha as sutilezas do jornalismo pátrio percebeu nítida mudança no estilo editorial a partir do advento do Instituto Millenium que ajudou a definir um tipo de jornalismo de guerra mais sofisticado, e ser o ponto de convergência dos jornalistas que atendiam à demanda dos grupos jornalísticos por guerreiros.
Até então, a mídia atuava atabalhoadamente com factoides inverossímeis, dentro do que ficou conhecida como a era do jornalismo de esgoto.
A partir de determinado momento – e, especialmente, das notícias geradas pela AP 470, do mensalão – os ataques mudam de enfoque. Em vez do linguajar agressivo, cobertura intensiva do material fornecido pelo Ministério Público Federal e pelo relator Joaquim Barbosa, em linguagem aparentemente neutra, mas sempre incluindo frases-padrão. Em qualquer matéria, mesmo sem ligação alguma com a AP 470, qualquer menção ao PT era acompanhada de frases–padrão, tipo “partido que foi acusado de corrupção pelo STF”, e outros termos similares, repetidos exaustivamente. Instituiu-se método na campanha midiática.

Etapa 2 – a conquista de corações e mentes

Nas manifestações de junho de 2013 ocorreu a primeira explicitação do mal-estar coletivo com o início da crise. Antes, houve um trabalho crescente dos grupos de ultradireita nas redes sociais, se sobrepondo à jovem militância de esquerda que ficou rendida, sem informações e sem argumentos do lado de um governo, incapaz de articular um discurso político.
Factoides de apagão, de epidemias, ataques ao Enem, à organização  Copa do Mundo, tudo ficava sem resposta, sem informações do governo, deixando o campo aberto para o golpismo.
Os primeiros organizadores de encontros, jovens de extração de esquerda, foram jogados ao mar pela própria esquerda.
Sem competidores, os movimentos estimulados pelo exterior ganharam fôlego e o comando das ruas passou para grupos, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem prá Rua, bancados financeiramente e com know-how de grupos empresariais norte-americanos, como os irmãos Koch, e brasileiros, como Jorge Paulo Lehman.
O know-how consistia na habilidade em criar agentes políticos do nada, valendo-se apenas das novas formas de comunicação e organização das redes sociais. Pelo extremo baixo nível das lideranças, percebe-se a enorme facilidade em se criar protagonistas para conduzir os movimentos de manada nas redes sociais
A Rede Globo levou dois dias para perceber que os aliados tinham assumido a iniciativa. Imediatamente seus comentaristas se alinharam em defesa das manifestações, depois de a terem desancado impiedosamente no início.
Nos links abaixo, algumas matérias explicativas desses movimentos de bilionários organizando a militância:
É movimento que repete o fenômeno da direita empresarial norte-americana nos anos 60, com grupos como o W.R.Grace, de irlandeses católicos fundamentalistas, investindo em cruzadas em países da América Latina.
Leia aqui sobre os Grace e sua Campanha Pelo Rearmamento Moral:

Etapa 3 – o ataque com tanques e infantaria

A conquista de corações e mentes foi relativamente simples. Havia o dado concreto do mal-estar econômico. Bastou forçar nas relações de causalidade com Dilma e o PT, trabalho facilitado pela incapacidade de ambos de entender o momento e enfrentar o jogo tanto no campo político quanto da comunicação.
As manifestações de rua acionaram a bomba de efeito retardado, que catapultou a guerra para a etapa decisiva.
As ações que permitiram transformar um pequeno processo de Curitiba em um escândalo do Rio de Janeiro, capaz de derrubar um governo em Brasília, foram alimentadas pelo DHS, o poderoso Departamento do governo dos EUA, que surge a partir dos atentados às Torres Gêmeas, organizando as ações de 23 departamentos internos na luta contra o terrorismo e as organizações criminosas. Quando os EUA definem o combate à corrupção como ponto central de sua nova geopolítica, o DHS assimila o novo pacto comn o mundo corporativo dos EUA.
Ele se torna o ponto de contato com Ministérios Públicos em todo mundo, no modelo da cooperação internacional, ao mesmo tempo em que novas leis anticorrupção são aprovadas por organismos internacionais. A primeira aproximação com o Brasil foi no caso Banestado. A partir daquele episódio, estreitam-se as relações do DHS com o juiz Sérgio Moro e o grupo de procuradores que assume a Lava Jato.
Leia aqui sobre o DHS.:

Provavelmente vem do DHS o know-how de estratégias político-midiáticas da Lava Jato, a organização das informações em sites, a criação de perfis de procuradores e, mais à frente, a utilização política dos vazamentos. Antes disso, a seleção de procuradores e delegados que atuaram de forma harmônica.
Junto com o bombardeiro de tanques, ocorreram também operações táticas de infantarias, com a divulgação de conversas gravadas da presidente e a sincronização da agenda policial com a agenda política do impeachment.

Etapa 4 – a divisão das forças inimigas

A corrupção política contaminou todos os partidos, sem exceção. As delações dos executivos de empreiteiras forneceram um amplo arsenal para a Lava Jato, podendo selecionar os alvos a serem atingidos.
A atuação da Lava Jato visou três objetivos centrais, todos diretamente relacionados com os interesses norte-americanos, dificultando radicalmente o retorno ao modelo combatido:
·       Inviabilizar rapidamente as multinacionais brasileiras que competiam com grupos norte-americanos no exterior;
·       Derrubar o governo Dilma e, com ele, a legislação do pré-sal;
·       Inabilitar Lula politicamente.
Para que nada se interpusesse no caminho, tratou de poupar Michel Temer, principal personagem do escândalo da Eletronuclear, assim como Eduardo Cunha, que só foi preso depois de consumado o impeachment. E foi por isso que a maioria absoluta dos delatores conseguiu a libertação bastando, para tanto, as palavrinhas mágicas: Lula ou Dilma sabia.
Agora, uma checagem minuciosa mostra um trabalho relapso, muito mais focado na quantidade que na qualidade das delações. Mas obedecia à estratégia de comunicação, de não dar um minuto de folga aos inimigos (PT e Lula). Cada declaração, mesmo vazia e sem provas, alimentava o noticiário diário, insuflava o clamor das ruas e atraía adesões do Judiciário.

Etapa 5 – a ocupação do território inimigo

A estratégia pós-impeachment consistiu em implementar rapidamente um conjunto radical de medidas visando fazer terra arrasada do modelo econômico vigente. Antes mesmo do impeachment já haviam sido fincadas as bases do acordo com os coronéis do PMDB, em torno da tal Ponte Para o Futuro. A ponto do próprio Temer, em evento nos EUA, afirmar que Dilma caiu por não ter aderido aos pontos da tal Ponte.
É evidente que havia um documento, que foi entregue pessoalmente aos líderes do PMDB por representantes do tal do mercado.
Provavelmente, a cabeça por trás da Ponte para o Futuro, e do trabalho de demolição do orçamento, foi Marcos Lisboa, espécie de menino de ouro do liberalismo pátrio e ponto de contrato entre os grupois de mercado, os políticos do PMDB re a alta burocracia pública, graças ao contatos desenvolvidos em seu tempo de assessor do ex-Ministro Antônio Pallocci.
Nas eleições de 2002, foi indicado para Jorge Paulo Lehman pelo economista brasileiro, Scheinkman, diretor do prestigioso departamento de macroeconomia da Universidade de Chicago. Lehman tentou enganchá-lo na campanha de Ciro Gomes. Com a eleição de Lula, Lisboa acabou indo para a equipe de Antônio Palocci onde, saliente-se, realizou um belo trabalho de reformas microeconômicas.
No discurso que fez no evento do Jota-Insper, na sexta passada, há todas as impressões digitais das principais maldades em tramitação na Câmara, inclusive a que obriga o devedor inadimplente que devolve o bem a continuar devedor. Para Lisboa, economia saudável é que a permite ao banco tirar a máquina do empresário inadimplente, ainda que uma máquina parada seja menos eficaz para a economia que uma empresa produzindo; que permite ao banco punir o mutuário inadimplente. Para ele, a inadimplência é um ato de vontade do devedor, não contingências da economia. É um autêntico defensor da eugenia social e corporativa.
Todo o estoque de projetos, a começar da PEC do Teto e, a partir dela,  o desmonte de todas as políticas sociais e a ocupação de todos os territórios do Estado, do aparelhamento da Funai à Eletronuclear, do Inmetro ao TSE (Tribunal Superior eleitoral) o.Simultaneamente, lança  um conjunto de medidas estruturais, que destroem o modelo anterior de Estado, para que a Nova Ordem possa ser a única alternativa visível.
A contribuição externa  se deu no aconselhamento da estratégia da Ponte para o Futuro e do conjunto de leis atuais.

O papel da mídia

A exemplo da estratégia pós-millenium, o papel da mídia é vocalizar um conjunto de slogans vazios:
A equipe econômica é brilhante. A frase é repetida por Ministros do Supremo, empresários etc. A maioria absoluta dos quais jamais tinha ouvido falar antes, ou depois, dos membros da equipe econômica.
Se reformar a Previdência, o país sai da crise. Não há nenhuma relação de causalidade. Para chegar a esse ponto de terra arrasada – parte da estratégia de desmonte do Estado anterior – acabaram com a demanda, criaram enorme capacidade instalada, aumentaram as taxas reais de juros, todas medidas pró-cíclicas.
Sobre essa retórica, prepararei um artigo à parte.

Etapa 6 – a batalha decisiva

O teste final serão as eleições de 2018. E, aí, há uma ampla confusão e disputa entre os diversos grupos hegemônicos que dependem de três balas de prata para enfrentar Lula.
A primeira dificudade é a identificação de um candidato competitivo, capaz de levar adiante o desmonte.
O clube dos bilionários do golpe abriu os olhos para o risco de confundir sua imagem com a da organização comandada por Michel Temer. E entendeu que a aprovação de reformas, sob o jugo de Temer, tirará grande parte da sua legitimidade. Além de comprometer qualquer tentativa futura de protagonismo político.
Aí entram em cena os conflitos de interesse.
Os caciques do PSDB continuarão sendo escandalosamente blindados pelo algoritmo do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, politicamente, estão liquidados.
Tasso Jereissatti pretendeu tirar o PSDB dessa rota suicida. Mas passou a enfrentar a pressão da banda fisiológica do partido, liderada pelo chanceler Aloysio Nunes. Sem financiamento empresarial e sem governo, parte relevante das atuais lideranças tucanas será varrida do mapa. Daí a insistência em permanecer no barco de Temer  
Por outro lado, o clube não dispõe de um nome competitivo para 2018. Marina Silva não tem fôlego. E Geraldo Alckmin não representa novidade alguma no panorama político.
Por tudo isso, o clube – mais a ala mercadista do PSDB, puxada por FHC – provavelmente jogará suas fichas na candidatura de João Dória Jr, apesar das imensas ressalvas que manifestam em relação a ele. Será uma novidade, mas dificilmente será competitivo.
Com o definhamento do PSDB, o antipetismo se tornou totalmente invertebrado.

O distrital misto

Sem uma liderança minimamente esclarecida, tenta-se, agora, esse aborto do modelo político ditrital misto  como última tentativa de sobrevida à atual bancada de deputados. E aí sobressai uma ameaça cada vez mais presente na política atual: a entrada de várias organizações criminosas no jogo.
O narcotráfico mostrou um poder assustador no episódio da helicoca, no qual a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não moveram uma palha para apurar as ligações do dono do helicóptero, senador José Perrela, com o tráfico. O helicóptero foi devolvido dias depois para o dono, em outra atitude inédita.
Por outro lado, a extraordinária influência da Fenatran – a suspeitíssima federação de transporte urbano do Rio de Janeiro – no STF, através do Ministro Gilmar Mendes, acende outra luz amarela.
Finalmente, a tentativa de legalizar novamente o bingo abrirá nova frente de influência para o crime organizado.
O México é aqui e, ao contrário das suspeitas iniciais, o que mais se assemelha ao PRI mexicano não é o PT, mas esse amálgama que sai do golpe, com os primeiros indicios de parceria com o crime organizado.
O PSDB acena com o parlamentarismo, caso consiga o poder. É mais fácil Gilmar Mendes declarar suspeição em qualquer processo, do que a bandeira do parlamentarismo eleger um presidente.
O próximo presidente será eleito denunciando o saco de maldades produzido pelo atual governo, em parceria com o PSDB e com o mercado.
Por todos esses condicionantes, mais que nunca dependerão de ações no Judiciário para inviabilizar a oposição. Afinal, por mais que seja estreita a colaboração com os EUA, não poderão contar com a 7a Cavalaria contra os índios de Lula.