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Fernando Haddad vai registrar sua candidatura como Fernando Lula Haddad

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, nome do PT para disputar a presidência da República, vai registrar sua candidatura como Fernando Lula Haddad. A informação foi publicada pela coluna de Lauro Jardim.
Haddad foi o escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR), para concorrer ao Planalto, caso o "cacique" do partido seja impugnado pela Justiça Eleitoral. Depois que Lula foi preso, vários correligionários incorporaram o nome dele, como o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), e o deputado Paulo Teixeira (RS).
Pesquisa XP Investimentos apontou Haddad em segundo lugar na corrida presidencial, com 13% dos votos, quando associado ao ex-presidente. Em primeiro lugar está o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 21% dos votos.
No cenário com Lula, o ex-presidente vence com 31% dos votos, seguido por Bolsonaro, com 19% (Com o 247).

O jornalista Reinaldo Azevedo reafirma que até hoje paga um preço alto por ter dito que o ex-presidente Lula foi condenado sem provas

Durante participação na sabatina do candidato a vice-presidente na chapa de Lula, Fernando Haddad, no Banco BTG Pactual, o jornalista Reinaldo Azevedo reafirmou que Lula foi condenado sem provas, em um dos únicos casos na história em que o Ministério Público denuncia uma coisa e o juiz condena por outra. O jornalista diz ainda que paga um preço altíssimo por externar publicamente sua posição.
"Eu fico numa posição bem sui generis. Eu sou talvez um dos dez não esquerdistas que acredita que Lula foi condenado sem provas. Tenho escrito sobre isso, pagado um preço altíssimo por isso. Foi condenado sem prova para ser rápido. A denúncia do Ministério Público diz uma coisa, a sentença do juiz Sérgio Moro ignorou a denúncia e disse por escrito que a denúncia do MP embasava a condenação", disse Reinaldo. 
"Deve ser um dos únicos casos na história em que o Ministério Público denuncia uma coisa e o juiz condena por outra. Portanto, condenado sem prova. Isso não quer dizer que eu ache que o Lula é inocente, não estou entrando nesse mérito. Para o Estado de direito, interessa a prova e a prova não existe", acrescentou. (Com o 247)

Pesquisa é desastrosa para a candidatura do João Doria ao governo de São Paulo

Pesquisa CNT/MDA aponta um empate técnico entre o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, e Paulo Skaf (MDB), com 16,4% e 16,2%, respectivamente. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores em 75 municípios de 2 a 5 de agosto. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
De acordo com o levantamento, o governador Márcio França (PSB) atinge 5,0%, logo à frente de Luiz Marinho (PT), com 4,8%.
O Prof. Lisete Arelaro (PSOL) alcança 2,8%; Rodrigo Tavares (PRTB) e Toninho Ferreira (PSTU) têm 1,0%, seguidos por Rodrigo Chequer (Novo), com 0,9%.
Adriano Costa e Silva (DC) e Cláudio Fernando (PMN) atingem 0,4% cada.
Brancos e nulos somam 29,5% e indecisos, 21,4%.
Segundo turno
Na simulação de segundo turno, Doria perde para Skaf por 29,7% a 26,8%. Brancos e nulos somam 26,7% e indecisos, 16,8%.
No cenário contra Luiz Marinho, do PT, o tucano vence por  33,6% a 17,6%. Brancos e nulos somam 29,5% e indecisos, 19,3%.
Na disputa contra Márcio França, Doria também ganha por 31,2% a 20,6%. O percentual de brancos e nulos é de 29,9% e o de indecisos, 18,3%.
Em outra cenário, Márcio França vence Luiz Marinho por 25,2% a 15,3%. A porcentagem de brancos e nulos é de 34,1% e a de indecisos, 25,4%.
De acordo com o levantamento, Skaf ganha do governador por 30,8% a 17,9%. Neste caso, brancos e nulos somam 30,4% e indecisos, 20,9%.
Skaf também vence Luiz Marinho (35,6 x 13,2); brancos/Nulos, 29,9, e indeciso, 21,3.
O levantamento tem 95% de nível de confiança. (Com o 247)

Pesquisa já aponta o Fernando Haddad (PT) em segundo lugar como candidato do Lula para presidente da República

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a corretora XP Investimentos mostra que o nome do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) é citado como candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto, Haddad já assume a segunda posição em intenções de voto. 
Segundo o levantamento, ao ser apontado como candidato do ex-presidente, Haddad salta para 13%, e fica atrás apenas de Bolsonaro, que registra 20%. O terceiro lugar é dividido entre Marina e Alckmin, com 9% cada um.
Na pesquisa anterior, divulgada na sexta-feira (3), o ex-prefeito aparece com 2% das intenções de voto quando seu nome não é ligado a Lula. Ele fica atrás de Jair Bolsonaro (PSL, com 22%), Marina Silva (Rede, 11%), Ciro Gomes (PDT, 10%), Geraldo Alckmin (PSDB, 10%), Alvaro Dias (Podemos, 5%), e empatado com Manuela D'Ávila (PCdoB) e Henrique Meirelles (MDB).
A pesquisa, registrada no TSE como BR-06820/2018, ouviu 1.000 pessoas por telefone entre os dias 30 de julho e 1º de agosto. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos. As informações são do UOL
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (6) nas redes sociais de Lula, Haddad disse ter certeza que "o brasileiro vai estar cada vez mais engajado nessa campanha". "Se Deus quiser, a Justiça vai ser feita, e ele vai estar entre nós." (Com o 247)

Agora, é Lula e Manuela. Caso Lula não possa ser candidato, será Haddad e Manuela

O complexo acordo da coligação encabeçada pelo ex-presidente Lula, com apoio do PCdoB, do Pros e do PCO, já definiu a chapa principal, que será Lula e Manuela, caso os direitos políticos de Lula não sejam cassados numa nova etapa do golpe de 2016, ou Fernando Haddad e Manu, caso Lula seja declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral; "Quero reiterar que vamos com Lula até as últimas consequências", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), nesta madrugada. (Com  o 247)
 Leia, abaixo, reportagem da Reuters:
BRASÍLIA (Reuters) - A Executiva Nacional do PT definiu o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para a vaga de vice na chapa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas apontou a até então candidata do PCdoB à Presidência, Manuela D'Ávila, como futura vice a partir do momento em que a situação jurídica de Lula se resolver, com ou sem a impugnação da sua candidatura.
Depois de um negociação que durou o dia inteiro dentro da própria Executiva do PT e com o PCdoB, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, anunciou a indicação de Haddad como vice de Lula neste momento, mas indicou que Manuela ocupará o posto futuramente, na primeira admissão, ainda que velada, de que Lula pode ter sua candidatura impugnada.
Segundo Gleisi, nas reuniões com o PCdoB, entre idas e vindas, os partidos definiram uma "tática eleitoral que assegure a manifestação do presidente Lula como candidato".
"Quero reiterar que vamos com Lula até as últimas consequências, mas discutimos uma estratégia até a regularização da situação eleitoral do presidente, que é que a vocalização da sua campanha seria feita através de um companheiro do PT pela proximidade com o presidente e da identificação com o PT", disse Gleisi em um pronunciamento, já no início da madrugada de segunda-feira.
"Decidimos ambas direções colocar nesse momento como candidato a vice o companheiro Fernando Haddad para fazer a representação do presidente Lula durante esse processo até tão logo se estabilize juridicamente a situação", acrescentou.
A fala de Gleisi foi o mais perto que o PT chegou de admitir publicamente que Lula provavelmente não será candidato já que deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, depois de uma cobrança do PCdoB por uma posição mais clara de que participaria do processo.
Até então, o PT apenas tinha pedido que Manuela desistisse da candidatura para esperar uma definição do registro de Lula, sem garantias de que realmente assumiria a vaga de vice.
"Eu quero dizer formalmente que o presidente Lula pediu que eu convidasse o PCdoB para integrar sua chapa e fazendo um convite formal a Manuela D'Ávila para ser candidata a vice-presidente", disse Gleisi.
A solução encontrada pelos partidos permite colocar Manuela como futura vice seja com a impugnação de Lula, em que Haddad assume a cabeça de chapa e a candidata comunista fica com a vice, seja na pouco provável hipótese do ex-presidente ser autorizado a concorrer. Nessa caso, Haddad sairia de cena e Manuela ficaria com a vice.
Na semana passada, o partido havia oferecido a posição à candidata comunista, e Haddad assumiria um papel, daí como cabeça de chapa, apenas com a provável impugnação de Lula. No entanto, o ex-presidente vetou a ideia e pretendia empurrar a decisão sobre a coligação até 15 de agosto, data limite de registro das candidaturas.
No entanto, o temor de que essa decisão terminasse por inviabilizar o registro como um todo, já que a interpretação do Tribunal Superior Eleitoral este ano é de que todas as coligações e candidatos precisam constar das atas das convenções a serem apresentadas até esta segunda, mudou a estratégia do partido.
O PT passou então a tentar convencer o PCdoB a aceitar um acordo sem promessa concreta porque, na visão de uma fonte, qualquer coisa além disso seria admitir que Lula não seria candidato. Os comunistas, no entanto, endureceram a conversa e chegaram a anunciar durante a tarde deste domingo um nome para vice de Manuela, o sindicalista Adilson Araújo.
Dentro do próprio PT a discussão foi dura. Parte da Executiva ainda defendia que entregasse a vice diretamente a Manuela para que não se perdesse a coligação. Prevaleceu a posição de Lula que, em uma carta, pedia que Haddad fosse indicado para que a defesa da sua campanha ficasse nas mãos de um petista, mas se insistisse em um acordo com o PCdoB.
As negociações entraram noite adentro e um acordo só foi fechado perto da meia-noite.
Nos últimos minutos, o PT conseguiu atrair para sua aliança, além do PCdoB e o PROS.
"Nós estamos fazendo o desenho da frente que foi possível construir, entendendo a necessidade de um pacto das candidaturas de nosso campo", disse a presidente do PCdoB, deputada Luciana Santos.
"Como disse Gleisi, Fernando Haddad segue como porta-voz de Lula até que sejam resolvidas as pendências legais para, mais tarde, o PCdoB assumir o posto de vice, assim como temos sido parceiros do PT há anos", acrescentou.
A intenção dos partidos é que Haddad e Manuela viagem o país defendendo a candidatura de Lula. Haddad, como vice, pretende representar o ex-presidente em entrevistas de que Lula não pode participar.

Os erros da reforma trabalhista e o que fazer para que a economia brasileira volte a crescer e gerar emprego

Por Luiz Gonzaga Beluzzo

O “ajuste” empreendido entre 2014 e 2015 tipifica um crime de lesa-inteligência executado com a cumplicidade dos repetidores da mídia.   

A política de Joaquim Levy promoveu interação perversa entre o choque de tarifas, a subida da taxa de juro, a desvalorização do real e o corte dos investimentos públicos. Em um primeiro momento, essa Santa Aliança determinou a elevação da inflação em simultâneo à contração do nível de atividade. O encolhimento do circuito de formação da renda levou inexoravelmente, à derrocada da arrecadação pública e à contração do crédito. 

As fábricas se encharcaram de capacidade ociosa. Endividadas em reais e em moeda estrangeira, as empresas foram constrangidas a ajustar seus balanços diante das perspectivas de queda da demanda e do salto do serviço da dívida. Para cada uma delas é racional dispensar trabalhadores, funcionários, assim como, diante da sobra de capacidade, procrastinar investimentos que geram demanda e empregos em outras empresas. Para cada banco individualmente era recomendável subir o custo do crédito e racionar a oferta de novos empréstimos. 

Os consumidores, bem, os consumidores reduzem os gastos. Uns estão desempregados e outros com medo do desemprego. Assim, o comércio capota, não vende e reduz as encomendas aos fornecedores que acumulam estoques e cortam ainda mais a produção. As demissões disparam. A arrecadação míngua, sugada pelo redemoinho da atividade econômica em declínio. Isso enquanto a dívida pública cresce sob o impacto dos juros reais e engorda ainda mais os cabedais do rentismo caboclo.

O mergulho depressivo iniciado entre o crepúsculo de 2014 e a aurora de 2015 pode ser apresentado como um exemplo do fenômeno que as teorias da complexidade chamam de “realimentação positiva” ou, no popular, “quanto mais cai, mais afunda”.
Aqui entre a reforma trabalhista, inspirada em uma visão tosca do funcionamento de uma economia capitalista “de mercado”. Na ladeira da depressão, cientistas tristes desceram na contramão, empenhados em ressaltar as benesses decorrentes da reforma trabalhista.

Uns afirmam que os efeitos recessivos do ajuste econômico poderiam ser suavizados pela elevação do trabalho informal. Seus “testes empíricos” indicam que os resultados do ajuste são melhores em economias com alto grau de informalidade, pois conferem ao desempregado a “possibilidade de manter” o nível de consumo (?) no exercício de uma atividade informal. 

Outros, compungidos, insistem em celebrar uma rápida queda do salário real. Na visão de suas doutrinas quanto maior e mais rápida for a queda do salário real, menor será o aumento do desemprego.

A propósito da “flexibilização” do mercado de trabalho, Robert Reich, secretário de Trabalho no governo Clinton, publicou uma carta aberta aos republicanos, endereçando-a aos capitães da indústria americana e titãs de Wall Street: “Você se esqueceu que os seus trabalhadores são também consumidores. Assim, ao mesmo tempo em que você empurrou os salários para baixo, também espremeu seus consumidores, tão apertados que eles dificilmente podem comprar o que você vende”.

Reich tenta explicar que os salários, ademais de custo para as empresas, são também fonte de demanda, que a formação da renda e da demanda agregadas dependem da disposição de gasto dos empresários com salários e outros meios de produção que também empregam assalariados. Ao decidir gastar com o pagamento de salários e colocar sua capacidade produtiva em operação ou decidir ampliá-la, o coletivo empresarial avalia a perspectiva de retorno de seu dispêndio imaginando o dispêndio dos demais.

As decisões “racionais” do ponto de vista microeconômico, prestam homenagem às falácias de composição que infestam os modelos macroeconômicos: o que parece bom para o ‘agente individual’, seja ele empresa, banco ou consumidor, é danoso para o conjunto da economia. 

Saída para o próximo governo
Entre 2003 e 2010, o Brasil valeu-se da dotação de recursos naturais - água, energia, terras agricultáveis, base mineral – e do dinamismo do agronegócio para assumir uma posição defensiva no comércio mundial. A situação benigna das commodities provocou o descuido com a persistência dos fatores que determinaram o encolhimento e a perda de dinamismo da indústria: câmbio valorizado, tarifas caras dos insumos de uso geral e carga tributária onerosa e kafkiana.

O Brasil está em condições de restabelecer uma macroeconomia da reindustrialização usando de forma inteligente as vantagens que possui e as promessas que se revelaram recentemente nas áreas de petróleo e gás. Não basta concentrar os esforços na manutenção de um câmbio real competitivo ou esperar que a queda dos juros produza automaticamente a recuperação do investimento industrial.
  
No Brasil dos anos 59, 60 e 70 havia sinergia – como em qualquer outro país – entre o investimento público, então comandado pelas empresas estatais, e o investimento privado. A crise da dívida externa quebrou as empresas públicas encalacradas no endividamento em moeda estrangeira. 

Depois da estabilização de 1994, apesar dos avanços na área fiscal, os governos sucessivos se empenharam, mas não conseguiram administrar de forma eficaz os gastos de capital. Seria desejável aprimorar gestão do gasto público e avançar na constituição de um orçamento de capital para orientação das estratégias de investimento privado.

O volume elevado de investimento público em infraestrutura é importante para formação da taxa de crescimento. Não só: também é decisivo para a política industrial fundada na formação de “redes de produtividade” entre as construtoras e seus fornecedores: encomendas para os provedores nacionais e critérios de desempenho para as empresas encarregadas de dar resposta à demanda de equipamentos, peças e componentes.

Na China prevalece o pensamento estratégico, hoje em desuso no Brasil. Lá, como já foi cá, o setor produtivo estatal funciona como um provedor de externalidades positivas para o setor privado. A sinergia público-privado ocorre em três frentes: 1) O investimento público (sobretudo nas áreas de energia, transportes e telecomunicações) corre na frente da demanda corrente; 2) as empresas do governo oferecem insumos generalizados (bens e serviços) em condições e preços adequados; e, 3) nelas se abrigam centros de inovação tecnológica.

O desenvolvimento econômico chinês é um caso explícito de simbiose entre o Estado e a iniciativa privada. O Estado planeja, financia em condições adequadas, produz insumos básicos com preços baixíssimos e exerce invejável poder de compra. Na coordenação entre o Estado e o setor privado está incluída a “destruição criativa” da capacidade excedente e obsoleta mediante reorganizações e consolidações empresariais, com o propósito de incrementar a “produtividade” do capital. 

A iniciativa privada dá vazão a uma voraz sede de acumulação de capital através de investimentos em ativos tecnológicos, produtivos e comerciais.

*Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular do Instituto de Economia (IE)- da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fundador da Faculdade de Campinas (FACAMP). Foi secretário de Políticas Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987) e de Ciência e Tecnologia de São Paulo (1988-1990) e consultor pessoal de economia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Do GGN)

Os erros da reforma trabalhista e o que fazer para que a economia brasileira volte a crescer e e diminuir o desemprego

Por Luiz Gonzaga Beluzzo
O “ajuste” empreendido entre 2014 e 2015 tipifica um crime de lesa-inteligência executado com a cumplicidade dos repetidores da mídia.   
A política de Joaquim Levy promoveu interação perversa entre o choque de tarifas, a subida da taxa de juro, a desvalorização do real e o corte dos investimentos públicos. Em um primeiro momento, essa Santa Aliança determinou a elevação da inflação em simultâneo à contração do nível de atividade. O encolhimento do circuito de formação da renda levou inexoravelmente, à derrocada da arrecadação pública e à contração do crédito. 
As fábricas se encharcaram de capacidade ociosa. Endividadas em reais e em moeda estrangeira, as empresas foram constrangidas a ajustar seus balanços diante das perspectivas de queda da demanda e do salto do serviço da dívida. Para cada uma delas é racional dispensar trabalhadores, funcionários, assim como, diante da sobra de capacidade, procrastinar investimentos que geram demanda e empregos em outras empresas. Para cada banco individualmente era recomendável subir o custo do crédito e racionar a oferta de novos empréstimos. 
Os consumidores, bem, os consumidores reduzem os gastos. Uns estão desempregados e outros com medo do desemprego. Assim, o comércio capota, não vende e reduz as encomendas aos fornecedores que acumulam estoques e cortam ainda mais a produção. As demissões disparam. A arrecadação míngua, sugada pelo redemoinho da atividade econômica em declínio. Isso enquanto a dívida pública cresce sob o impacto dos juros reais e engorda ainda mais os cabedais do rentismo caboclo.
O mergulho depressivo iniciado entre o crepúsculo de 2014 e a aurora de 2015 pode ser apresentado como um exemplo do fenômeno que as teorias da complexidade chamam de “realimentação positiva” ou, no popular, “quanto mais cai, mais afunda”.
Aqui entre a reforma trabalhista, inspirada em uma visão tosca do funcionamento de uma economia capitalista “de mercado”. Na ladeira da depressão, cientistas tristes desceram na contramão, empenhados em ressaltar as benesses decorrentes da reforma trabalhista.
Uns afirmam que os efeitos recessivos do ajuste econômico poderiam ser suavizados pela elevação do trabalho informal. Seus “testes empíricos” indicam que os resultados do ajuste são melhores em economias com alto grau de informalidade, pois conferem ao desempregado a “possibilidade de manter” o nível de consumo (?) no exercício de uma atividade informal. 
Outros, compungidos, insistem em celebrar uma rápida queda do salário real. Na visão de suas doutrinas quanto maior e mais rápida for a queda do salário real, menor será o aumento do desemprego.
A propósito da “flexibilização” do mercado de trabalho, Robert Reich, secretário de Trabalho no governo Clinton, publicou uma carta aberta aos republicanos, endereçando-a aos capitães da indústria americana e titãs de Wall Street: “Você se esqueceu que os seus trabalhadores são também consumidores. Assim, ao mesmo tempo em que você empurrou os salários para baixo, também espremeu seus consumidores, tão apertados que eles dificilmente podem comprar o que você vende”.
Reich tenta explicar que os salários, ademais de custo para as empresas, são também fonte de demanda, que a formação da renda e da demanda agregadas dependem da disposição de gasto dos empresários com salários e outros meios de produção que também empregam assalariados. Ao decidir gastar com o pagamento de salários e colocar sua capacidade produtiva em operação ou decidir ampliá-la, o coletivo empresarial avalia a perspectiva de retorno de seu dispêndio imaginando o dispêndio dos demais.
As decisões “racionais” do ponto de vista microeconômico, prestam homenagem às falácias de composição que infestam os modelos macroeconômicos: o que parece bom para o ‘agente individual’, seja ele empresa, banco ou consumidor, é danoso para o conjunto da economia. 
Saída para o próximo governo
Entre 2003 e 2010, o Brasil valeu-se da dotação de recursos naturais - água, energia, terras agricultáveis, base mineral – e do dinamismo do agronegócio para assumir uma posição defensiva no comércio mundial. A situação benigna das commodities provocou o descuido com a persistência dos fatores que determinaram o encolhimento e a perda de dinamismo da indústria: câmbio valorizado, tarifas caras dos insumos de uso geral e carga tributária onerosa e kafkiana.
O Brasil está em condições de restabelecer uma macroeconomia da reindustrialização usando de forma inteligente as vantagens que possui e as promessas que se revelaram recentemente nas áreas de petróleo e gás. Não basta concentrar os esforços na manutenção de um câmbio real competitivo ou esperar que a queda dos juros produza automaticamente a recuperação do investimento industrial.  
No Brasil dos anos 59, 60 e 70 havia sinergia – como em qualquer outro país – entre o investimento público, então comandado pelas empresas estatais, e o investimento privado. A crise da dívida externa quebrou as empresas públicas encalacradas no endividamento em moeda estrangeira. 
Depois da estabilização de 1994, apesar dos avanços na área fiscal, os governos sucessivos se empenharam, mas não conseguiram administrar de forma eficaz os gastos de capital. Seria desejável aprimorar gestão do gasto público e avançar na constituição de um orçamento de capital para orientação das estratégias de investimento privado.
O volume elevado de investimento público em infraestrutura é importante para formação da taxa de crescimento. Não só: também é decisivo para a política industrial fundada na formação de “redes de produtividade” entre as construtoras e seus fornecedores: encomendas para os provedores nacionais e critérios de desempenho para as empresas encarregadas de dar resposta à demanda de equipamentos, peças e componentes.
Na China prevalece o pensamento estratégico, hoje em desuso no Brasil. Lá, como já foi cá, o setor produtivo estatal funciona como um provedor de externalidades positivas para o setor privado. A sinergia público-privado ocorre em três frentes: 1) O investimento público (sobretudo nas áreas de energia, transportes e telecomunicações) corre na frente da demanda corrente; 2) as empresas do governo oferecem insumos generalizados (bens e serviços) em condições e preços adequados; e, 3) nelas se abrigam centros de inovação tecnológica.
O desenvolvimento econômico chinês é um caso explícito de simbiose entre o Estado e a iniciativa privada. O Estado planeja, financia em condições adequadas, produz insumos básicos com preços baixíssimos e exerce invejável poder de compra. Na coordenação entre o Estado e o setor privado está incluída a “destruição criativa” da capacidade excedente e obsoleta mediante reorganizações e consolidações empresariais, com o propósito de incrementar a “produtividade” do capital. 
A iniciativa privada dá vazão a uma voraz sede de acumulação de capital através de investimentos em ativos tecnológicos, produtivos e comerciais.
*Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular do Instituto de Economia (IE)- da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fundador da Faculdade de Campinas (FACAMP). Foi secretário de Políticas Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987) e de Ciência e Tecnologia de São Paulo (1988-1990) e consultor pessoal de economia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Do GGN)

Os vinte pontos sobre o acordo entre o PT e o PSB. Acordo que enfraquece a esquerda e ajuda os da direita

Por Breno Altman
1. A divisão do campo progressista entre quatro candidaturas (Lula, Ciro, Manuela e Boulos) sempre foi o maior problema para garantir a presença competitiva da esquerda no segundo turno ou até mesmo a vitória na primeira volta.
2. A melhor solução, por óbvio, seria o agrupamento dessas quatro forças em uma única chapa. Mas esse cenário não foi possível.
3. Para começo de conversa, a política do PSOL não passa pela questão da unidade eleitoral, mas por conquistar seu próprio espaço. Jamais esteve nas contas de Boulos e seus apoiadores uma coalizão ampla das forças populares, a não ser no segundo turno.
4. A candidatura de Ciro Gomes (PDT) também parte do objetivo fundamental, anunciado pelo próprio candidato, de superar a “hegemonia petista”. O ex-governador jamais escondeu que seu plano não era uma aliança de esquerda, mas de centro-esquerda, para a qual desejava atrair o PSB e o PCdoB, buscando apoio também entre partidos de centro-direita.
5. A indicação do ex-presidente, disparadamente a mais potente, poderia estabelecer a unidade por força gravitacional, mas as ameaças sobre seu direito de concorrer tornam inseguro o cenário para eventuais aliados, que estão estressados pela tática petista de esticar a corda e manter a candidatura de Lula mesmo sob chuvas e trovoadas.
6. O PCdoB, por sua vez, ficou entra a cruz e a caldeirinha, espremido entre Lula e Ciro Gomes. Parcialmente seduzido por uma política que transferisse à centro-esquerda o comando do que denominam de “frente ampla”, esse partido lançou a candidatura de Manuela D’Ávila, se esforçando para construir uma ponte entre as duas táticas do campo progressista, fundamentalmente encarnadas por PT e o PDT.
7. O PSB, comprometido com o golpe contra a presidente Dilma Rousseff e os momentos iniciais do governo Temer, acabou por se transformar em um arquipélago de grupos regionais, depois da fracassada tentativa de transformar Joaquim Barbosa em opção centrista. Cabe-se registrar, a bem da verdade, que frações mais à esquerda dessa agremiação conseguiram tirá-la do governo golpista e fazê-la votar contra as reformas liberais.
8. Tantas pressões centrípetas, portanto, tornaram inviável a unidade desejada. Como o espaço político da esquerda se situa entre 45 e 55% dos votos, bastante natural que o PT de tudo fizesse para garantir a máxima concentração de votos e alianças para seu candidato. O mesmo tratou de fazer Ciro Gomes. A diferença é que, à direita e à esquerda, o pedetista fracassou na empreitada, ao contrário do PT.
9. Nas circunstâncias narradas, não resta dúvidas que o PT colheu importante vitória: a candidatura de Ciro Gomes está potencialmente desidratada, expressivas seções estaduais do PSB marcharão com o PT e o PCdoB deverá fechar rapidamente uma aliança formal. Essa é a complexa dialética da eleição em dois turnos: antes do embate final entre campos antagônicos, tende a ocorrer disputa acirrada para definir quem irá liderar cada campo na rodada decisiva. Isso poderia ser evitado por um pacto unitário prévio, dessa vez impraticável pelos motivos já expostos.
10. O resultado alcançado aparentemente dá mais desenvoltura e musculatura à candidatura Lula ou a qualquer outra do PT, na prática superando parcialmente a divisão do bloco de esquerda. Não por unidade consensual, como seria melhor, é verdade, mas pela preponderância e enraizamento do partido de Lula.
11. Essa solução, contudo, não está livre de graves tensões. Diversas pressões e hesitações provavelmente levaram o PT a pagar caro por algo que caminhava a ter gratuitamente: a neutralidade do PSB, com vários de seus departamentos estaduais apoiando Lula ou qualquer outro candidato petista.
12. Os comandantes da legenda socialista jogaram com inteligência, ameaçando fechar com Ciro Gomes se o PT não abrisse mão da candidatura em Pernambuco, território fundamental da agremiação. Também acenaram com a retirada da candidatura de Márcio Lacerda para governador em Minas Gerais, o que supostamente facilitaria a campanha pela reeleição do petista Fernando Pimentel. Para completar, o comando do PCdoB também exigiu apoio aos socialistas pernambucanos, com os quais possuem tradicional relacionamento, ao ponto da presidente da sigla, Luciana Santos, ser companheira de chapa do governador Paulo Câmara.
13. Se o PT permanecesse na sua resolução anterior, de reivindicar adesão formal do PSB à candidatura de Lula para qualquer pacto nos estados, o que poderia acontecer? Das duas concessões socialistas, uma se perderia: a candidatura de Márcio Lacerda continuaria a competir com Pimentel, abrindo espaço importante para Ciro Gomes no segundo colégio eleitoral do pais. A neutralidade dos socialistas, porém, estava pouco em questão, pois é profunda a divisão do PSB entre defensores de Lula, de Ciro e até de Alckmin.
14. Preocupada com a situação de Minas Gerais e o fator PCdoB, além de oscilante frente ao potencial blefe socialista, a direção petista cedeu na negociação. Trocou a retirada da candidatura de Marilia Arraes em PE pela neutralidade nacional do PSB, a desistência de Márcio Lacerda e, de quebra, o apoio socialista a Márcia Tiburi no Rio de Janeiro, além de outros estados nos quais coalizões já estavam construídas (Paraíba e Amapá, por exemplo).
15. A liderança petista, no entanto, talvez tenha olhado de forma desatenta para suas próprias fileiras. Já furiosa com a resolução do PT cearense, que indiretamente permitiu aliança com o senador golpista Eunício de Oliveira (MDB), grande parte da militância se revoltou contra o sacrifício de Marília, esperança pernambucana que caminhava para o favoritismo eleitoral e que entusiasma, por sua juventude e combatividade, toda a pátria da estrela vermelha. Por outro lado, produz tremendo e justificável mal-estar a sucessão de acordos, diretos ou indiretos, com personalidades envolvidas com o bloco golpista.
16. A situação é bastante preocupante: talvez unido como nunca em sua história, desde a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o PT está agora assolado por uma onda de rebelião e divisão que pode levar à paralisia partidária, a poucos dias do registro da candidatura Lula e da batalha mais decisiva que já enfrentou. Como era de se esperar, o Encontro Estadual do PT em Pernambuco manteve candidatura própria, por 230 votos a um, colocando o Diretório Nacional contra a parede, entre a intervenção que somente agravará a crise interna e a ruptura do acordo com o PSB.
17. Também entre os socialistas a encrenca é pesada, com Márcio Lacerda botando banca e anunciando resistência judicial, o que embute o risco de embaralhar o pacto com o PT. Mesmo que fracasse, deverá pular para o lado dos tucanos mineiros ou embarcar na campanha de Ciro.
18. Se essa confusão toda foi criada para ajudar Pimentel em Minas, ainda por cima o tiro pode sair pela culatra: muitos analistas avaliam que a retirada de Márcio Lacerda teria efeito inverso do desejado, pois interpretam que sua postulação funciona como anteparo entre o voto antipetista e a adesão ao tucano Anastasia. Sem Lacerda, o senador tucano poderia crescer e levar a eleição até mesmo no primeiro turno.
19. Mesmo tendo obtido avanço tático relevante, com o deslocamento do PSB e do PCdoB para sua órbita de alianças, o PT atravessa forte tempestade interna, que não era inevitável caso o olhar partidário ultrapassasse a planilha da matemática eleitoral. O tempo urge e esse clima precisa ser imediatamente superado.
20. O cardápio de alternativas, no entanto, é restrito. Acatar a decisão pernambucana e deixá-la ativa, ao menos até que se resolva o imbróglio socialista em Minas, serviria de paliativo. Revogar a resolução do PT cearense, restabelecendo a candidatura ao Senado de José Pimentel, passaria sinal positivo. Imediatamente consolidar a aliança com o PCdoB, oferecendo a vice-presidência para Manuela D’Ávila, representaria fato animador. Trazer Marilia para a coordenação da campanha de Lula também poderia expressar gesto mais alvissareiro para a militância enfurecida. O que importa, para o bem da candidatura de Lula e o futuro do PT, é que sua direção se movimente com energia para resolver a confusão criada por decisões que contradizem a linha de combate que vem sendo liderada pela senadora Gleisi Hoffmann. (No 247)

Uma das maiores traições da história do Brasil: O PT trai o Ciro Gomes

Por Gustavo Castañon
 Está confirmado o que vinha denunciando aqui há meses, sendo chamado de mentiroso por petistas. PT entregou a cabeça de Marília Arraes não para ter um aliado, mas somente para tirar um aliado de Ciro Gomes e jogar fora o tempo de TV do PSB. Tempo de TV que a esquerda não tem para denunciar a entrega do país, de nossas empresas, de nossa soberania, a destruição de nossa indústria, de nossos empregos. No momento mais dramático de nossa história.
É a prova cabal do descompromisso do PT com o povo brasileiro e com o futuro de nossas crianças, com a educação popular, com uma campanha propositiva, educativa e programática que eles jamais fizeram e querem impedir o país de assistir.
A esquerda brasileira assiste a tudo parada, cuidando de questiúnculas locais e interesses partidários.
Ninguém pensa generosamente no país.
Só o PDT tem se sacrificado para sozinho apresentar uma alternativa a nação desconsiderando seus interesses locais e eleitoreiros.
O PT destruiu a esquerda brasileira.
Não deixemos que ele destrua o país.
A candidatura de Ciro se torna a heróica resistência de quem quer um projeto de nação contra a devastação moral da política nacional.
Juntem-se a nós.
Quem julgará isso tudo é o povo brasileiro e a história. (Por Gustavo Castañon, no 247)