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Do ex-presidente do Supremo, Ayres Brito: "Pois, é... Eu não teria prendido o Lula"

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto se manifestou contra a prisão do ex-presidente Lula. Segundo o colunista Lauro Jardim, no programa de Roberto D'Avila que vai ao ar nesta sexta-feira, 20, às 21h30, na Globonews, Ayres Britto foi perguntado sobre a prisão de Lula e respondeu assim:
"Pois, é... Eu não teria prendido o Lula."

A Globo prendeu o ex-presidente, mas não irá prender o desejo do povo brasileiro de ver o Lula livre

Embora tenha conseguido sequestrar o Poder Judiciário para levar adiante seu projeto de golpear a democracia e pender o ex-presidente Lula, a TV Globo não consegue aprisionar o que os brasileiros pensam e, muitas vezes, gritam.
Nesta sexta-feira 20, um caso emblemático provou isso. A vencedora do programa Big Brother Brasil (BBB), Gleisi Damasceno, do Acre, gritou "Lula livre", durante transmissão ao vivo, quando deixou a casa. O caso ganhou imensa repercussão nas redes sociais.
A conta de Lula no Twitter parabenizou a jovem, postando uma foto do ex-presidente com Gleici e a frase "Quando é no voto, a gente ganha sempre. Parabéns Gleici!".
Recentemente, outro caso envolvendo a Globo demonstrou que até seus funcionários veem com ressalvas a cobertura da emissora. O jornalista Chico Pinheiro, âncora do Bom Dia Brasil, teve um áudio vazado em que demonstra solidariedade a Lula e faz críticas a Sergio Moro e à própria cobertura da Globo.
A empresa tentou reprimir manifestações políticas de esquerda por meio de um comunicado do diretor de Jornalismo, Ali Kamel (Com o 247).

Lula diz para a vencedora do BBB18 que quado é no voto o PT sempre ganha

"Quando é no voto, a gente ganha sempre". Esta foi a mensagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à acreana Gleici Damasceno, que, em plena Rede Globo, comemorou sua vitória no BBB com um grito de 'Lula livre'. Embora a Globo, que apoiou o golpe de 1964, tenha sido a principal máquina de propaganda usada no golpe de 2016, que derrubou a presidente Dilma Rousseff, substituída por um consórcio de corruptos, e também no sequestro do Poder Judiciário para que Lula fosse condenado sem provas e preso, a emissora dos Marinho não consegue conter o grito preso na garganta dos brasileiros.
Confira o momento em que a vencedora do Reality Show Big Brother Brasil, produzido e veiculado pela Rede Globo, gritou “Lula Livre” ao se reencontrar com a família. Acreana, Gleici Damasceno é militante de direitos humanos e foi avisada da prisão de Lula pelo seu irmão no momento de reencontro com a família. (Com o 247)

Deputado do PSDB e ex-ministro de Temer afirma que o PSDB tramou para derrubar a Dilma Rousseff

Peça-chave e voto decisivo no golpe que resultou no impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, o ex-ministro e deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) disse que o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o prefeito do Recife, Geraldo Jullio, vice-presidente nacional e primeiro-secretário do PSB, respectivamente, trataram diretamente com ele de formas para afastar Dilma da Presidência da República.
"Todos conhecem a posição coerente minha e de Mendonça (ex-ministro da Educação e deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE)), sempre fomos oposição ao PT e de Armando Monteiro em defesa de Lula. Mas Paulo Câmara e Geraldo Julio sentaram diversas vezes comigo e com Mendonça combinando como afastar a Dilma Rousseff e hoje buscam aliança com o PT que montou o jargão de golpistas. Vão ter que explicar essa situação. E se o MDB ficar com Paulo, o PT vai ter que se explicar porque se aliou numa coligação com o partido de Temer, então esse debate vai ser maravilhoso", disse Araújo ao Jornal do Commercio.
O tucano também ironizou o fato do PSBquerer lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como candidato ao Planalto. "É legitimo que todos possam numa democracia pleitear a candidatura à presidência, mas as pessoas também vão ter que dar a cara para dar explicações. Como explica que uma pessoa tenha pedido aposentadoria 11 anos antes do tempo?", perguntou. "Joaquim Barbosa vai ter que ir para o enfrentamento, vai ser questionado, sim", completou. (Com o 247)

Vencedora do Reality Show da Rede Globo de 2018 grita "Lula Livre"

A vencedora do Reality Show Big Brother Brasil, produzido e veiculado pela Rede Globo, gritou “Lula Livre” ao se reencontrar com a família. Acreana, Gleice Damasceno é militante de direitos humanos e foi avisada da prisão de Lula pelo seu irmão no momento de reencontro com a família. 
Leia mais aqui.

O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente o discurso de ódio e de preconceito da senadora Ana Amélia

Em nota, a Diretoria do Instituto da Cultura Árabe "repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS)" em crítica a um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Lula à rede de televisão Al Jazeera, quando relacionou a emissora a grupos terroristas.
"Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia", critica o texto. Leia a íntegra da nota:
Nota de repúdio às declarações da senadora Ana Amélia sobre os árabes
O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS) em sessão do Senado transmitida pela TV que, ao criticar um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede de televisão Al Jazeera, relacionou a emissora a grupos terroristas.
A Al Jazeera é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta. Além de praticar um jornalismo que serve de referência, entrevista e promove reportagens com líderes, artistas, intelectuais e ativistas que se identificam com a luta em defesa dos direitos humanos, respeitando a diversidade de opiniões.
Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia. A Constituição brasileira é clara quanto aos delitos de racismo e discriminação e quaisquer formas de sistemas religiosos e profissões de fé. Partindo de uma senadora da República, constitui-se em um constrangimento ainda maior para nossa a sociedade.
O Brasil historicamente é destino de imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles, os árabes. Os imigrantes sempre viram no país um local acolhedor para recomeçarem suas vidas. Seu legado está presente em todas as áreas do conhecimento e na construção do próprio país.
Temos certeza de que a sociedade brasileira em geral não aceita e não compactua com atos dessa natureza, que incitam crimes de ódio, abrindo-se as portas à barbárie.
O ICArabe, organização autônoma, laica, de caráter científico e cultural, trabalha desde sua concepção para desconstruir esses estereótipos, via promoção e divulgação da rica cultura árabe. Valorizamos o caminho da harmonia entre as comunidades e entre os povos e o respeito às diferenças. Acreditamos que a integração entre as culturas e o diálogo são essenciais, assim como o respeito aos direitos humanos de todas as pessoas, brasileiras ou não.
O incentivo a práticas preconceituosas, de qualquer natureza, e a difusão do discurso do ódio constituem atos hediondos e instrumentos de fragmentação e de segregação de um povo conhecido em todo mundo por sua união e amabilidade nas relações com todas as etnias de sua constituição.
Diretoria do Instituto da Cultura Árabe

O jornalista Kennedy Alencar afirma corretamente que a senadora Ana Amélia é preconceituosa e tem total desconhecimento internacional

"Sobrou preconceito e faltou conhecimento internacional na avaliação da senadora Ana Amélia (PP-RS) a respeito da entrevista dada pela colega Gleisi Hoffmann (PT-PR) à Al Jazeera. Segundo Ana Amélia, Gleisi poderia ser enquadrada na Lei de Segurança Internacional por pedir apoio do mundo árabe a uma luta para libertar Lula, que seria um preso político, de acordo com o PT", escrev o jornalista Kennedy Alencar.
"A senadora gaúcha foi preconceituosa ao associar uma entrevista a uma rede de TV de grande prestígio internacional com algum tipo de convocação à violência estrangeira, sugerindo a busca de apoio de extremistas islâmicos. A reação de Ana Amélia estimulou uma onda de preconceito e xenofobia nas redes sociais".
Leia a íntegra no Blog do Kennedy Alencar

O senador Renan Calheiros pede o ex-presidente Lula livre

O senador Renan Calheiros (MDB" diz, através de vídeo, que o Senado não pode errar outra vez como fez no caso do flagrante forjado pelo Ministério Público Federal contra o senador Delcídio Amaral. Ele também reclama da proibição da juíza de Execução do Paraná de visita de senador com o argumento de não pertencer a determinada comissão.
Para Calheiros, o que se discute não são as condições da prisão de Lula, “o que precisamos saber é se a prisão é legal ou não, constitucional ou inconstitucional. É se podem prendê-lo ou não depois da segunda instância”.
“A condição da masmorra é consequência do descumprimento da Ordem Constitucional. O fundamental é sabermos agora é se alguns poucos podem se colocar acima da lei maior de um país. Se o STF vai ou não vai garantir a Constituição. Depois, se for o caso, e o Brasil pelas pesquisas espera que não sejam, pede-se para que façam como Sobral Pinto, que evocou a Lei de Proteção aos Animais na defesa dos perseguidos e presos políticos”, diz Renan.
Ele pediu, ainda, que as eleições de 2018 sejam transformadas em Constituinte, aprovar uma nova Ordem constitucional e a liberdade do ex-presidente Lula. (Com o 247)

Agora, passa a valer mais rigor nas punições para quem dirigir sob efeito de álcool ou drogas

Começam a valer nesta quinta-feira (19) as punições mais rigorosas aos motoristas embriagados ou sob o efeito de drogas que forem condenados por acidentes de trânsito.

De acordo com a nova determinação, que passa a valer 120 dias após a publicação oficial do texto, os motoristas responsabilizados por homicídio sem a intenção de matar (culposo) ou lesão corporal grave e gravíssima deverão cumprir reclusão de 5 a 8 anos e suspensão ou proibição de dirigir.

Até então, a pena máxima aos motoristas considerados culpados em casos do tipo estava fixada entre 2 e 4 anos. O prazo permitia que condenados por acidentes de trânsito com mortes sequer fossem para a cadeia.

A advogada Anna Julia Menezes, do departamento de Direito Penal do Braga Nascimento e Zilio Advogados, explica que o aumento da pena impede que o delegado estabeleça o pagamento de uma fiança dentro da delegacia para os casos envolvendo embriaguez.

“Agora não tem mais essa prerrogativa [do pagamento imediato da fiança]. O delegado tem que lavrar o auto de prisão em flagrante e comunicar o juiz, que decidirá ou não arbitrar a fiança para o acusado”, afirma Menezes.


O Código Brasileiro de Trânsito estabelece que a capacidade alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa é considerada em casos de concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar ou sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora.

O privilégio para Geraldo Alckmin

A razão doma os sentimentos ou a irracionalidade e o caos

Rolf Dobelli, no posfácio do livro “A arte de pensar claramente”, cita Ralph Waldo Emerson: “Coletivamente, é fácil viver de acordo com representações alheias. Na individualidade, é fácil viver de acordo com as próprias representações. Contudo, notável é apenas aquele que preserva sua independência na coletividade.”
Existe uma teoria quente e outra fria da irracionalidade. A quente é a de Platão: o cavaleiro conduz os cavalos que galopam desenfreadamente. O cavaleiro representa a razão, e os cavalos a galope, as emoçõesA razão doma os sentimentos. Quando isso não dá certo, irrompe a irracionalidade. Sentimentos entram em ebulição. Na maioria das vezes, a razão os mantém sob controle. Só que, de vez em quando, a irracionalidade irrompe e ela é quente. Com a razão, de fato, tudo fica em ordem, ela não tem defeitos, só que, muitas vezes, as emoções são mais fortes.
Durante séculos essa teoria quente da irracionalidade ficou em voga. Para Freud, os sentimentos (o Id) são controlados pelo Ego e pelo Superego. Mas mesmo com toda compulsão e com toda disciplina, é ilusório acreditar que conseguimos controlar nossas emoções inteiramente através do pensamento— tão ilusório quanto a tentativa de controlar mentalmente o crescimento de nosso físico.
Em contrapartida, a teoria fria da irracionalidade ainda é recente. Após a guerra, verificou-se que dificilmente os sentimentos eram exteriorizados nos postos de comando do regime nazista. Predominavam decisões frias, que conduziram aos erros humanitários do nacional-socialismo. Racionalidade infalível? Aparentemente, não.
De acordo com uma teoria fria da irracionalidadeo pensamento de per si não é puro, mas sujeito a erros. E isso em todas as pessoas. Mesmo as mais inteligentes sempre acabam esbarrando nas mesmas armadilhas do pensamento. E os erros não são distribuídos de modo aleatório. Dependendo do erro de pensamento, caminhamos sistematicamente em uma direção bem determinada – e errada. Isso torna nossos erros prognosticáveise, portanto, corrigíveis até certo grau. Até certo grau — não completamente.
Durante algumas décadas, as origens desses erros de pensamentopermaneceram obscuras. Por que justamente o cérebro tem de produzir um lapso após o outro?
O pensamento é um fenômeno biológico. Foi formado pela evolução. A biologia eliminou toda dúvida. Fisicamente, e isso inclui o cérebro, somos caçadores e coletores.
No entanto, o que mudou de maneira marcante desde então foi o ambiente em que vivemos. Em tempos primitivos, o ambiente era simples e estável. Vivívamos em pequenos grupos de cerca de cinquenta pessoas. Não havia nenhum progresso técnico ou social considerável.
Somente nos últimos 10 mil anos o mundo começou a alterar-se maciçamente— surgiram a agricultura, a pecuária, as cidades e o comércio internacional, e desde a industrialização o ambiente já não nos lembra quase nada daquele para o qual nosso cérebro foi otimizado.
Atualmente, quem passeia por um shopping durante uma hora vê mais pessoas do que nossos antepassados viram em toda a sua vida. É impossível saber como será o mundo daqui a dez anos. Nos últimos 10 mil anos, criamos um mundo que não esperávamos.
Tornamos tudo mais complexo e interdependente. O resultado é um surpreendente bem-estar material, mas, por infelicidade, também doenças da civilização e, justamente, os erros de pensamento. Se a complexidade continuar a aumentar — deve acontecer mais interações entre novos componentes do sistema —, esses erros de pensamento serão cada mais frequentes e mais graves.
Por exemplo, em um ambiente de caçadores e coletoresa atividade compensava mais do que a reflexão. Ter uma reação extremamente rápida era questão de sobrevivência, ao passo que longas meditações eram desvantajosas. Compensava errar em uma direção bem determinada. Quem funcionasse de outra forma desaparecia do patrimônio genético.
Nós, Homines sapientes atuais, somos os descendentes daqueles que tendem a sair correndo atrás dos outros. Entretanto, esse comportamento intuitivo é desvantajoso no mundo moderno. O mundo atual recompensa a reflexão acurada e a ação independente. Quem já caiu em uma publicidade enganosa da bolsa de valores sabe disso.
Psicologia Evolucionária ainda é, em ampla medida, uma teoria, mas uma teoria muito convincente. Ela esclarece a maioria dos erros de pensamento — embora não todos. Aparentemente, já viemos ao mundo com alguns erros instalados, e eles nada têm a ver com a “mutação” de nosso ambiente.
Como isso se explica? A evolução não nos “otimiza” em sentido absoluto. Enquanto os homo sapiens foram mais adequados ao meio ambiente do que outras raças humanas, por exemplo, a dos Neandertais, seus descendentes sobreviveram.
Uma segunda explicação paralela para a obstinação de nossos erros de pensamento cristalizou-se no final dos anos 1990. Nosso cérebro constrói-se sobre a reprodução, e não sobre a descoberta da verdade. Em outros termos: utilizamos nosso pensamento primariamente para convencer os outros. Quem convence os outros garante seu próprio poder e, com isso, adquire acesso a mais recursos. Por sua vez, esse acesso aos recursos é uma vantagem decisiva para o acasalamento e a criação dos descendentes.
Ao pensarmos, não estamos primariamente preocupados com a verdade. O argumento pueril de Rolf Dobelli para isso é que  romances são muito mais vendidos do que os livros de não ficção, apesar de a veracidade dos últimos ser infinitamente maior.
Por fim, uma terceira explicação diz que decisões intuitivas — mesmo que não totalmente racionais — são melhores em determinadas circunstâncias. É disso que se ocupa a chamada pesquisa em heurística. Para muitas decisões faltam as informações necessárias. Por isso, elas são obrigadas a fazer uso de um pensamento abreviado e das “regras gerais de bolso” [rule of thumb: um princípio geral baseado mais na experiência que na teoria, de fácil aplicação, mas não necessariamente preciso, para aferir ou calcular alguma coisa].
Por exemplo, com quem você deveria se casar? Essa decisão não acontece de maneira racional. Se for confiar apenas no pensamento, vai ficar solteiro para sempre. Em resumo, muitas vezes decidimos intuitivamente e justificamos nossa escolha a posteriori. Muitas decisões (trabalho, cônjuge, investimento) são tomadas de maneira inconsciente. Frações de segundo mais tarde construímos uma justificativa, o que nos dá a impressão de que decidimos conscientemente.
Nosso pensamento é, antes, comparável a um advogado do que a um cientista, ao qual importa a pura verdade. Advogados são bons para construir a melhor justificativa para uma conclusão já estabelecida.
Muito mais importante do que a hipótese das funções dos “hemisférios esquerdo e direito do cérebro” é saber a diferença entre o pensamento intuitivo e aquele racionalAmbos têm seu legítimo campo de aplicação. O pensamento intuitivo é rápido, espontâneo e poupa energia. O pensamento racional é lento, cansativo e consome muitas calorias (em forma de glicose no sangue).
Obviamente, o racional pode passar para o intuitivo. Quando você pratica um instrumento, aprende nota por nota e ordena a cada dedo o que fazer. Com o tempo, você domina o teclado ou as cordas de maneira intuitiva. Você vê uma partitura, e suas mãos tocam como que sozinhas.
É o que se chama de “círculo de competência”: compreensão intuitiva ou maestria. Infelizmente, o pensamento intuitivo também se lança onde não alcançamos maestria — e isso antes de a razão meticulosa poder intervir para corrigir. E, em seguida, ocorrem os erros de pensamento.
Para terminar esse estudo com uma série de posts resumindo do livro de Rolf Dobelli, “A arte de pensar claramente”, três observações.
Em primeiro lugar, a lista dos erros de pensamento presentes neste livro não está completa.
Em segundo, não se trata aqui de distúrbios patológicos. Apesar dos erros de pensamento, podemos conduzir nosso dia a dia sem problemas. Na verdade, não há sistema de saúde nem sequer medicamento que possa livrar-nos de eventuais erros.
Em terceiro, a maioria dos erros de pensamento está inter-relacionada. Tudo no cérebro está conectado. Projeções neuronais conduzem de uma região cerebral a outra. Não há uma única região cerebral que esteja isolada.
A vantagem de colecionar e descrever erros de pensamento não é conseguir viver sem erros de pensamento. Evitar os erros de pensamento não é uma meta absoluta.
Pode-se adotar a seguinte regra prática: em situações cujas possíveis consequências são grandes, como em decisões privadas ou comerciais importantes, tentar decidir da maneira mais sensata e racional possível. Pegar a lista de erros de pensamento e os ler, um após o outro, fazendo uma lista de checagem.
Esbocei uma lista com um diagrama de decisões de fácil consulta, com a qual podemos avaliar profundamente decisões importantes. Em situações cujas consequências são pequenas é comum renunciar à otimização racional e deixar-se levar pela intuição.
Pensar com clareza é dispendioso. Por isso, quando o possível prejuízo é pequeno, não quebre a cabeça e aceite os erros. Você vai viver melhor assim. Enquanto conseguirmos conduzir a vida com alguma segurança e prestarmos atenção quando o caso for decisivoa natureza parece não se preocupar muito se nossas decisões são perfeitas ou não.

Fernando Haddad afirma que o Lula é o candidato e que a esquerda deve ficar unida no segundo turno

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, hoje um dos homens mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenador de seu programa para a Presidência da República, não admite em nenhum momento que o PT pode abrir mão de Lula em uma chapa presidencial, mas defende que a esquerda precisa decidir já se estará unida mais à frente nas eleições deste ano.
Nos últimos meses, com o aval do próprio Lula, o ex-prefeito tem conversado diretamente com nomes como o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, e o presidente do PSB, Carlos Siqueira, para "deixar os canais abertos", mesmo que, no momento, o PT não admita outro candidato que não seja o ex-presidente.
"Não há garantia de ter um candidato único de esquerda? Não. Mas no segundo turno, se houver um candidato de esquerda vamos estar todos juntos? Temos que ter certeza disso já. E eu penso que estaremos juntos", disse à Reuters, em sua primeira entrevista desde a prisão de Lula, e uma das poucas concedidas nos últimos meses.
Haddad defende a necessidade de uma união do que chama de "centro-esquerda" desde seu período na prefeitura, especialmente depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em um quadro de absoluta fragmentação em todos os espectros políticos.
"Está se confirmando um quadro que eu mesmo julgava improvável, e que talvez ainda se reverta, que é de fragmentação tanto da direita quanto da esquerda. Você tem aí mais de dez nomes colocados (para a disputa presidencial) e isso se expressa nas pesquisas. Com exceção do presidente Lula, ninguém tem mais de 20 por cento de intenções de voto", avaliou.
Apesar da dificuldade de arregimentar apoios para um governo extremamente mal avaliado como o atual, de Michel Temer, Haddad considera que é preciso ter cuidado com a ideia de que a direita —que, segundo ele, hoje se intitula centro— irá continuar dividida.
"Porque a direita tem um projeto que é a base de sustentação do governo Temer —e não estamos falando apenas do MDB, mas sobretudo DEM e PSDB, que são sócios desse condomínio que governou o país por três anos e vão tentar manter esse projeto em curso pós 2018", disse.
O ex-prefeito ressalta que a esquerda também está dividida, especialmente pelo risco de Lula não poder ser candidato. Isso pode ser revertido, disse, com a confirmação do ex-presidente como candidato ou pelo apoio do PT a algum outro candidato de centro-esquerda. Uma terceira hipótese, afirmou, é uma outra candidatura própria do PT.
"A terceira hipótese é o PT lançar candidato em função da preferência eleitoral que tem, que chega a 20 por cento, somado ao prestígio do presidente Lula e sobretudo ao candidato que ele indicar. O quadro não está definido, o momento atual é de fragmentação e isso deve prosperar por semanas, até meses, dois, até três, mas ainda há condições de reversão", afirmou.
DOIS PROJETOS
Haddad defende que as próximas eleições vão levar para o eleitor a polarização que tem marcado o país, em uma decisão entre projetos de centro-esquerda e de centro-direita.
"Na verdade só há dois projetos no páreo. Há detalhes a respeito dos dois que podem ser motivo de divergência, mas existe um projeto antissocial e antinacional, representado pela centro-direita, e um projeto social pela centro-esquerda. E está muito claro na cabeça das pessoas", disse.
"O desafio da direita é apresentar um candidato que siga com essas reformas que eles estão patrocinando desde 2016 sem dizer que são herdeiros do governo Temer. Nosso desafio é menor. Somos todos oposição a essa agenda do governo Temer que é altamente concentradora de renda."
Emissário de Lula para conversas com outros partidos de centro-esquerda, Haddad ressalta que não há tratos concretos de aliança porque o PT está fechado, ainda, na candidatura do ex-presidente, mesmo com a admissão que o quadro está mais difícil.
Ainda assim, o ex-prefeito teve a benção de Lula para conversas que têm a intenção de não fechar portas para uma futura aliança.
"A conversa com Ciro Gomes, com Siqueira (Carlos, presidente do PSB)... minha relação com Guilherme Boulos é muito próxima desde a prefeitura. Essa tarefa de manter canais de diálogo desobstruídos é uma orientação, é uma prática do presidente Lula desde o sindicato dos metalúrgicos, e essa diretriz está mantida, de estreitarmos laços", explicou Haddad.
"Porque há o primeiro turno, o segundo e há o governo. Então é importante desde já estarmos muito próximos. Meu desenho é que a centro-esquerda ganha a eleição. É preciso conversar. São três etapas. Pode ser que as pessoas se reúnam na primeira, na segunda, mas certamente têm que estar preparadas para se reunir na terceira."
"UNIDADE ABSOLUTA"
Nas semanas que antecederam a prisão de Lula, Haddad foi um dos interlocutores mais constantes do ex-presidente. É visto como um "plano B" no PT, o nome para substituir o ex-presidente na urna com a cada vez mais certa impugnação da candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou para compor uma chapa com um dos partidos aliados, se o PT aceitar, pela primeira vez, ceder a cabeça de chapa.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o próprio Lula já admitiu, a um pequeno grupo de petistas mais próximos, pouco antes de sua prisão, que Haddad talvez tivesse que começar a se preparar para assumir a candidatura. O ex-prefeito, no entanto, nega que essa discussão tenha realmente começado.
"O PT está unido em torno dessa causa que representa o presidente Lula. A unidade em torno da figura dele é absoluta, não há dissidência em torno disso. Repito que eu não participei de nenhuma reunião, de nenhuma instância onde foi aberta essa discussão", disse.
É fato que Lula foi levado para Curitiba sem deixar claro os rumos que o partido deveria tomar. Enquanto esteve em São Paulo, Lula deu aval para conversas com possíveis aliados. Conseguiu unir em torno de si nomes como Manuela D'Ávila, pré-candidata à Presidência pelo PCdoB, e Guilherme Boulos, pré-candidato pelo PSOL e, na interpretação de alguns, chegou a apontá-los como possíveis herdeiros políticos.
No entanto, isolado em Curitiba, pelas restrições impostas pela execução penal, Lula não tem conseguido transmitir ao partido os rumos que pretende dar a sua candidatura, de Haddad ou de quem quer que seja.
O próprio Haddad, coordenador da sua campanha, ainda não conseguiu ver o ex-presidente. Apesar de ser advogado, inscrito na OAB, o ex-prefeito ainda não conseguiu ser incluído na lista da defesa para ter acesso ao ex-presidente —o que pode acontecer nesta semana.
Perguntado se Lula e o partido têm consciência de que o cenário mais provável é que o presidente não dispute a eleição, Haddad diz que nem Lula, nem o PT são "ingênuos".
"O partido não é ingênuo, tem quase 40 anos de vida. Sabe dos riscos e tomou essa decisão. É uma decisão de toda a Executiva. Eu reconheço que é um partido diferente, talvez outro partido já tivesse tomado outra decisão. Mas não foi a decisão que o PT tomou", disse.
"O presidente também não é ingênuo. Ele sabe o que está em curso. Há várias declarações públicas dele, dizendo que não deram o golpe para depois permitir que ele volte à Presidência. Ele disse isso publicamente. Mas a posição dele é de insistir enquanto houver recursos à mão." (Com o 247)

Joaquim Barbosa destruiu o José Genoíno e premiou o Roberto Jefferson

O próprio Joaquim Barbosa contou à repórter Mônica Bergamo. Encontrou-se, por acaso, com Frei Betto, durante uma palestra numa universidade americana, em 2003. Trocaram cartões. Pouco tempo depois foi chamado para uma sabatina com o ministro Márcio Thomaz Bastos. Passou. Pronto. Lula, que nem o conhecia, o nomeou primeiro ministro negro do STF, confiando nos critérios e no bom senso de Frei Betto e no maior advogado do Brasil.
Dois anos depois, Barbosa comandou o processo apelidado Mensalão, que condenou três figuras exponenciais do partido que o levou à meca do Judiciário: José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha.
As provas condenatórias eram ridículas. Contra Dirceu, Barbosa alegou "domínio do fato", aquele conceito alemão segundo o qual se o cara é o chefe ele é o culpado de tudo. Genoíno, preso por ter assinado um documento sem ler, foi preso e mais tarde absolvido, depois de ser exposto à humilhação e execração públicas. João Paulo foi condenado por uma suposta propina de 50 mil reais.
As brilhantes carreiras políticos dos três foram brutalmente interrompidas. Genoíno está em exílio voluntário em seu país. De João Paulo não se ouve falar. Dirceu vive sob a espada de Dâmocles de uma nova ordem de prisão.
O principal delator do Mensalão, deputado Roberto Jefferson, que assumiu ter recebido ilegalmente ao menos 4 milhões de reais, corrupto confesso, portanto, passou uma breve temporada na cadeia, saiu e continua na política e no comando do PTB, dando as cartas no governo Temer, fazendo sabe-se lá o que nos bastidores dos ministérios.
Com essas credenciais, as de um juiz que destruiu inocentes, mas deixou livre para agir o verdadeiro corrupto, Barbosa pretende pedir votos à plateia aturdida, na esperança de que tenha esquecido o que ele fez na década passada.
Barbosa premiou Jefferson quando nem vigorava a lei da delação premiada. (Por Alex Solnik, no 247)

Procuradora do Ministério Público de Portugal afirma que a condenação do ex-presidente Lula "suscita várias perplexidades"

A procuradora do Ministério Público de Portugal Rita Mota Sousa disse, em um artigo publicado no diário português Jornal de Notícias, que a condenação do ex-presidente Lula "suscita várias perplexidades". "A mais notável é porque não estão claramente identificados os factos provados. Toda a decisão é uma redonda motivação", destaca.
"Tenho para mim que Sérgio Moro levou o conceito de prova indiciária demasiado longe. Nenhuma das provas é suficientemente consistente e conclusiva", diz Rita. "E, tal como muitas vezes se repete pelos tribunais, melhor fora um culpado em liberdade do que um inocente preso", finaliza. 
Leia a íntegra do artigo aqui ou abaixo: 
O Brasil não é para principiantes
De tanto ouvir dizer que Lula da Silva tinha sido condenado sem provas decidir ler a sentença.
A lei brasileira ensombra o julgamento imparcial pois permite que Sérgio Moro seja o juiz na instrução e no julgamento. A falta de distanciamento mostra-se na sentença de Moro, sendo vários os momentos em que se diz "ofendido" com a defesa, ou se refere a "interferências inapropriadas do defensor", denotando ânimo e falta de distanciamento indesejáveis num juiz.
A decisão de Moro suscita várias perplexidades. A mais notável é porque não estão claramente identificados os factos provados. Toda a decisão é uma redonda motivação. Lula desconhece rigorosamente as circunstâncias em que lhe dizem que praticou o crime. É ler para crer.
Outra perplexidade: as notícias da Globo são consideradas matéria probatória. Aliás, dão-se por provados factos noticiados pela Globo - sem qualquer confirmação da sua veracidade, e só porque foram noticiados pela Globo. No ponto 376 diz-se: "Releva destacar que, no ano seguinte à transferência do empreendimento imobiliário para a OAS Empreendimentos, o Jornal O Globo, publicou matéria da jornalista Tatiana Farah, mais especificamente em 10/03/2010, com atualização em 01/11/2011, com o seguinte título "Caso Bancoop: tríplex do casal Lula está atrasado (...)". E no ponto seguinte: "a matéria em questão é bastante relevante do ponto de vista probatório".
Notícias da Globo são convocadas noutros pontos da sentença como determinantes para prova da propriedade do apartamento, sedo-lhes mesmo atribuído o valor de documentos.
Isto não é de somenos, se pensarmos que se trata de um dos jornais mais lidos no Brasil. Ora, Sérgio Moro atribuiu grande peso ao facto de funcionários do prédio, sem nunca justificarem porquê, terem declarado que viam em Lula o proprietário do apartamento. Impor-se-ia ao julgador perguntar se não poderia ser assim em virtude das sucessivas notícias da Globo que repetidamente o afirmaram.
Um outro eixo central da condenação são as mensagens transcritas.
As duas primeiras conversas são de fevereiro de 2014. A primeira decorreu entre Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, respetivamente o empreiteiro e o engenheiro da OAS e ambos arguidos:
Paulo Gordilho: "O projeto da cozinha do chefe tá pronto se marcar com a Madame pode ser a hora que quiser".
Léo Pinheiro: "Amanhã as 19h. Vou confirmar. Seria bom tb ver se o de Guarujá está pronto".
Paulo Gordilho: "Guarujá também está pronto".
Léo Pinheiro: "Em princípio amanhã as 19h".
Paulo Gordilho: "Léo. Está confirmado? Vamos sair de onde a que horas?".
Léo Pinheiro: "O Fábio ligou desmarcando. Em princípio será as 14h na segunda. Estou vendo. Pois vou para o Uruguai"
Paulo Gordilho:" Fico no aguardo. Leo Pinheiro: OK" .
A segunda decorreu entre pessoa não identificada e Leo Pinheiro:
- Ok. Vamos começar qdo. Vamos abrir 2 centro de custos: 1.º zeca pagodinho (sítio) 2.º zeca pagodinho (Praia)
-Ok.
- É isto, vamos sim.
- Dr. Léo o Fernando Bittar aprovou junto a dama os projetos tanto de Guarujá como do sítio. Só a cozinha Kitchens completa pediram 149 mil ainda sem negociação. Posso começar na semana que vem. E isto mesmo?
- Manda bala.
- Ok vou mandar.
- Ok. Os centros de custos já lhe passei?
- Conversando com Joilson ele criou 2 centros na investimentos. 1. Sítio 2. Praia. A equipe vem de SSA são pessoas de confiança que fazem reformas na oas. Ficou resolvido eles ficarem no sítio morando. A dama me pediu isto para não ficarem na cidade.
- Ok.
A terceira mensagem é de agosto de 2014, e foi trocada entre o empreiteiro e um executivo da OAS:
Marcos Ramalho: "Dr. Léo. A previsão de pouso será por volta das 9.40, alguma orientação quanto ao horário do compromisso. Obs.: Reinaldo acredita que chegará no local que o Senhor indicado por volta das 10.30".
Leo Pinheiro: "Avisa para a Cláudia (sec) do nosso Amigo para que o encontro passe para as 10.30 no mesmo local".
Marcos Ramalho: "Ok. Leo Pinheiro: Avisou?".
Marcos Ramalho: "Falei com Priscila. Ela tentou transferir no celular de Claudia, mas ela está no banho e ficou de me ligar em 15 minutos. Pelo horário ela já deve está me ligando. Aviso o Senhor assim que falar com ela".
Leo Pinheiro: "É urgente".
Marcos Ramalho: "Dr. Léo. Alterado para 10.30. Falei com Claudia e agora falei o Fábio (filho)".
Marcos Ramalho: "Dr. Léo. Segue o celular de Dr. Fábio. 04111999739606".
Leo Pinheiro:" Avisa para o Dr. Paulo Gordilho".
Marcos Ramalho: "Acabei de avisar Dr. Paulo Gordilho".
Marcos Ramalho: "Dr. Léo, Dra. Lara só pode atender o senhor as 14.30. Deixei confirmado e fiquei de dar OK pra ela assim que falasse com o Senhor".
O teor das mensagens é simplesmente anódino. A segunda delas será a mais comprometedora. Mas Sérgio Moro não explica por que razão conclui que Lula da Silva é "zeca pagodinho", limitando-se a concluir que é assim. De todo o modo, estas mensagens não são suficientes para se concluir que o apartamento foi oferecido a Lula da Silva, que nem sequer intervém em nenhuma daquelas comunicações.
O elemento de prova crucial foi o depoimento de Léo Pinheiro, que aceitou colaborar com a investigação para ter a sua pena reduzida. Fê-lo perante a perspectivava de passar, pelo menos, mais 26 anos preso.
Este arguido foi detido pela primeira vez em novembro de 2014. Em junho de 2016, já em prisão domiciliária, dispôs-se à colaboração premiada. Esta disponibilidade é contemporânea com a sua primeira condenação, por sinal ditada por Moro, em 16 anos e 4 meses de prisão efetiva. A proposta de colaboração foi rejeitada.
Em setembro de 2016, Sérgio Moro ordena a prisão carcerária de Léo Pinheiro, que entretanto também vira a sua pena agravada para nada menos do que 26 anos de prisão. Em abril de 2017 Léo Pinheiro muda de advogados e propõe nova colaboração, desta vez confessando ter oferecido a Lula da Silva o apartamento tríplex. A proposta de colaboração foi, então, aceite.
Atualmente, e ainda sem qualquer acordo de colaboração premiada concluído, a pena de Léo Pinheiro no processo Lula passou de 10 anos a 3 anos de prisão - em regime semi-aberto e grande parte da qual já cumprida. A colaboração trouxe-lhe enorme benefício, sendo a diferença entre passar o resto da sua vida preso ou apenas uma pequena parte. Quando o prémio é desta grandeza será muito tentador contar o que a acusação quer ouvir. O julgador não pode deixar de ter presente esta lei da vida.
Em termos de documentos, a prova queda-se com a cópia carbono de "Proposta de adesão sujeita à aprovação" assinada por D. Marisa em 12/04/2005 relativamente à aquisição do apartamento 174 (o "apartamento tipo"); e com o original daquele documento, que foi rasurado para o numero 141 (correspondente ao tríplex), ambos apreendidos em casa de Lula.
Entre 2009 e 2014 o apartamento foi visitado duas vezes pela família de Lula de Silva, que não acompanhou os trabalhos de remodelação. Não será plausível que as remodelações tenham sido feitas para seduzir o ex-presidente à aquisição do imóvel? Na altura, Lula era uma figura de prestígio mundial, cuja presença garantiria valor não só ao imóvel, mas até a toda a área. Por outro lado, não sendo Lula, em 2014, presidente do Brasil, por que razão haveria o empreiteiro de se sentir obrigado a remodelar-lhe o apartamento?
Tenho para mim que Sérgio Moro levou o conceito de prova indiciária demasiado longe. Nenhuma das provas é suficientemente consistente e conclusiva. Não afirmo a inocência de Lula. Mas entendo que a sua culpa não ficou suficientemente demonstrada para a condenação. E, tal como muitas vezes se repete pelos tribunais, melhor fora um culpado em liberdade do que um inocente preso.

Centrais sindicais afirmam que o Primeiro de Maio será de mobilização pelo ex-presidente Lula

Em entrevista ao Site Tutaméia, dos jornalistas Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, o dirigente da Intersindical, Edson Carneiro Índio, afirma que o primeiro de maio será de mobilização nacional pela liberdade do ex presidente Lula. Para Índio, a deformação da CLT, a terceirização e as privatizações são ações que prejudicam o trabalhador e que devem ser enfrentadas a partir da liderança e da liberdade de Lula.
“As mais importantes centrais sindicais do país vão realizar, neste Primeiro de Maio, um Ato Nacional unitário pela libertação do presidente Lula, em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. O anúncio foi feito por Edson Carneiro Índio, dirigente da Intersindical, em entrevista ao TUTAMÉIA; ele mesmo iria, nesta quarta-feira, fazer com outros dirigentes sindicais uma visita de solidariedade ao presidente Lula.
Leia mais aqui. (Com o 247)

Aécio Neves sai da vida pública pelas portas do fundo

Não há nada a lamentar nos 5 a 0 e no 4 a 1 da primeira turma do STF, que transformaram Aécio Neves em réu em duas acusações de corrupção. 
Num país onde a democracia é um regime em construção, Aécio foi o aventureiro que assumiu a liderança do golpe de 2016 na primeira fase. Tentou bloquear o segundo mandato de Dilma Rousseff e, mais tarde, promover um impeachment sem crime de responsabilidade que atirou o país no abismo institucional em que se encontra. Sua herança aqui é única. 
Não há nada a comemorar, porém. Aécio foi derrotado num julgamento no qual já era um bagaço sem suco. A decisão representa um novo passo na direção de um regime de exceção, que tem no ministro Luiz Roberto Barroso, uma das principais estrelas da primeira turma do STF. Dois dias antes, em Harvard, Barroso fez um pronunciamento de avestruz diante de notórios sinais de mobilização e indisciplina militar no país.
"Eu era um militante contra o regime militar e me opus fortemente a ele, mas, se há uma parte do Brasil que não deu nenhum problema nos últimos 30 anos, foram os militares", disse Barroso, em Harvard. "
"Não há razão para temê-los" e "duvido que eles queiram estar lá de novo"acrescentou Barroso, para afirmar, um pouco adiante: "O que você pode sentir é que os militares, como todo mundo no Brasil, estão preocupados e querem mudar as coisas para melhor. Como eu também", avaliou.
A derrota de Aécio Neves ocorre nesse ambiente inglório, num filme onde não há mocinhos para aplaudir além daqueles homens e mulheres que resistem com todas as forças na defesa da democracia e da soberania do país. 
Em retrospecto histórico, Aécio assume o lugar do lamentável Adhemar de Barros, duas vezes governador de São Paulo e um politico lendário da política brasileira na segunda metade do século passado. Adhemar foi um dos principais articulares civis do golpe contra o governo Goulart, em 1964. Com auxilio da mulher, Leonor Mendes de Barros, coube-lhe organizar a Marcha com Deus pela Família pela Liberdade. Dois anos depois, acabou cassado, acusado de corrupção. Desmoralizado pela própria incoerência, não encontrou quem o defendesse.
Deixou o padrão de político associado ao lema "rouba mas faz". Ao menos na conjugação do segundo verbo, foi mais ativo do que Aécio, em função de uma coleção de obras públicas pioneiras na época, como o Hospital das Clínicas, a Via Anchieta, o primeiro projeto do metrô paulistano, conjunto que explica o aparecimento de algo conhecido como "ademarismo".    
Como ocorreu com Adhemar em 1966, Aécio deixa a política pela porta dos fundos, como um homem público que não esteve a altura de suas responsabilidades nem foi capaz de responder as oportunidades raras que recebeu, como neto de Tancredo Neves, um dos grandes políticos brasileiros do século XX.  (Por Paulo Moreira Leite, no 247)