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A greve geral desta sexta-feira mostra que o Brasil está unido contra o Michel Temer

Com adesão de dezenas de categorias de trabalhadores das mais diversas áreas, a greve geral desta sexta-feira 28 contra as reformas de Michel Temer, aprovado por apenas 4% dos brasileiros, deve paralisar todo o País e comprovar a tragédia do golpe, que está prestes a completar um ano. 
Nos 26 estados e Distrito Federal, já aderiram a que promete ser a maior greve que o País já viu desde a redemocratização professores estaduais, municipais e da rede privada, servidores públicos, motoristas, metroviários, petroleiros, metalúrgicos, comerciários, aeroviários, profissionais da Saúde, bancários, artistas, servidores da Justiça e muitos outros trabalhadores; numa importante demonstração de união, o País dirá em uníssona a Michel Temer: "Não às reformas". 
As centrais sindicais que organizam a manifestação pedem que a população que não pretende participar de protestos e piquetes não saia de casa amanhã (28). “Cada trabalhador deve fazer sua parte nesta luta contra a devastação preparada pelos defensores das propostas do governo. No dia 28, a parte que cabe a cada a cada um que não participará das manifestações é ficar em casa”, afirmou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Para esta sexta, estão previstos manifestações, travamento de vias, além da paralisação de dezenas de serviços em todo o país. O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, anunciou que os travamentos serão realizados tanto em avenidas como rodovias de todas as capitais. Uma marcha até a casa de Michel Temer vai sair as 17h do Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista. 
A greve geral ganhou uma aliada de peso na sua mobilização: a Igreja Católica. Num engajamento visto somente na Ditadura Militar, arcebispos, bispos e líderes católicos aderiram fortemente à paralisação e convocam fiéis nos quatro cantos do País a fazerem o mesmo. 
Petroleiros da Replan param por 24 horas
 Os petroleiros da Replan vão parar por 24 horas nesta sexta-feira (28), dia da greve geral, em protesto às reformas Trabalhista e da Previdência, ao projeto que libera a terceirização e à privatização e desmonte da Petrobrás. A paralisação de um dia foi aprovada pelos trabalhadores em assembleias realizadas entre os dias 4 e 18 de abril.
O Sindicato está orientando os trabalhadores a não irem à refinaria nesta sexta-feira. “Pedimos ao pessoal para ficar em casa e só sair às ruas se for para ir a alguma das diversas manifestações que estarão ocorrendo em Campinas e na região”, afirmou o diretor do Unificado Arthur “Bob” Ragusa. (Com o 247)
Confira a lista divulgada pela CUT das categorias que irão paralisar as atividades pelo País:

Léo Pinheiro apresenta provas na Lava jato das propinas nas obras do Rodoanel em São Paulo do governo do PSDB

O ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro apresentou à Justiça documentos que comprovam o pagamento de cerca de R$ 17 milhões em propinas referentes às obras do trecho 5 do Rodoanel, em São Paulo, segundo reportagem do Globo desta quinta.
Os pagamentos teriam sido efetuados entre 2008 e 2009 a uma empresa de locação de equipamentos que teria atuado como intermediária do esquema. A defesa de Pinheiro também apresentou documentos apontando pagamento de mais de R$ 13 milhões em propinas pelo Consórcio Novo Cenpes, que atuou nas obras de construção do Centro de Pesquisas da Petrobras, na Ilha do Fundão.
Segundo Pinheiro, os pagamentos das propinas referentes ao trecho 5 do Rodoanel foram realizados no período em que Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto, era diretor da Dersa. O engenheiro é apontado como operador de campanhas do PSDB. Apesar dos contratos terem sido assinados somente em 2006, delatores afirmam que Paulo Vieira foi o responsável por criar o cartel de empreiteiras que atuou em diversas obras em São Paulo entre os anos de 2004 e 2008.
Outros sete delatores ad Odebrecht também informaram, em seus depoimentos de delação premiada, que pagaram R$ 1,2 milhão em propinas ligadas às obras do Rodoanel. Eles também dizem que quando José Serra (PSDB) assumiu o governo paulista, Paulo Preto teria pedido o equivalente a 0,75% do valor dos contratos para evitar fazer alterações que prejudicassem as empreiteiras. Paulo Preto também teria pedido apoio às campanhas de Gilberto Kassab (PSD) e dos senadores José Serra (PSDB) e Aloysio Nunes (PSDB). Kassab, Serra e Aloysio negam as acusações.
Por meio de nota, Paulo Vieira de Souza nega as acusações e afirma que as delações não passam de "fábulas, mentiras e calúnias". (Com o 247)

Os eleitores devem marcar e não votar em deputados e senadores que estão votando contra os direitos

Do Blog do Amarildo

Os retrocessos no BNDES


Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit-Suisse, Ph.D. em Economia pela Universidade da Pensilvânia, deu o aval necessário para o que o jornal Valor deveria defender e o governo golpista fazer. Em artigo no início do ano (Valor, 17/01/17), já tinha anunciado essa pauta ao defender a atual diretoria do BNDES, que recebe críticas dos industriais. Fracionamento, devido a conflitos entre interesses diversos, nas hostes golpistas

“A atual diretoria do BNDES deu um passo importante para modernizar a instituição ao divulgar sua nova Política Operacional (PO) há duas semanas [início do ano]. As medidas anunciadas tornam os enquadramentos menos discricionários, o que tende a ser mais eficiente. O BNDES apontou que pretende conceder maiores incentivos a projetos de investimento com retornos para a sociedade superiores aos obtidos pelo investidor privado. [Critério de mercado — taxa interna de retorno superior ao custo de oportunidade (NTN-B) — como critério para investimentos de longo prazo em infraestrutura socialmente necessária?!]

A redução de subsídios e a maior seletividade nos empréstimos subsidiados são decisões corretas, embora ainda não esteja claro como o banco estabelecerá prioridades em função de fatores tão distintos quanto geração de empregos, aumento da produtividade, bem-estar social, entre outros critérios. [Ah, é… ]


A decisão de criar um departamento de mensuração e avaliação de resultados dos empréstimos é correta. O aumento da transparência nos critérios de financiamento e avaliação dos projetos permitirá melhor monitoramento por parte da sociedade, enquanto a simplificação dos procedimentos de concessão de empréstimos agilizará o acesso ao crédito com recursos públicos.

A nova PO estabelece uma participação máxima do BNDES de 80% do valor dos projetos, com a distribuição do financiamento entre TJLP e taxas de mercado definida de acordo com o tipo de projeto. A imposição desse limite é acertada, pois exigirá a presença de recursos privados.

O BNDES classificará os seus empréstimos, excluindo aqueles para infraestrutura e operações indiretas, em dois grupos.

O primeiro inclui projetos prioritários, em que a oferta de crédito em TJLP será de, no máximo, 60% ou 80% do valor do projeto.
  • O percentual máximo de 80%, correspondente a toda a participação do banco, será voltado, entre outros, à inovação, investimentos de MPMEs (i.e., empresas com receita operacional bruta anual de até R$ 300 milhões) e educação.
  • Já os financiamentos com máximo de 60% do valor do projeto em TJLP serão direcionados, por exemplo, para a indústria e os serviços difusores de tecnologia.
O segundo grupo oferecerá empréstimos de até 30% do valor do empreendimento – em TJLP para o aumento de capacidade produtiva, enquanto os demais financiamentos serão concedidos a taxas de mercado.
  • Mesmo em infraestrutura, poucos setores, como saneamento básico e energia solar, terão acesso ao financiamento do aporte total do banco em TJLP.
  • A maioria dos projetos de infraestrutura terá empréstimos em TJLP variando entre 0% (transmissão de energia elétrica) e 70% (e.g., energia eólica) do seu valor total.
A minha expectativa é de que os próximos anos sejam marcados pela redução da maioria desses percentuais. Do mesmo modo, seria ótimo se a próxima revisão anual da PO impusesse regras que reduzissem, gradativamente, a reincidência de empréstimos para as mesmas empresas. Pior do que subsidiar setores específicos é oferecer subsídios recorrentes para os mesmos beneficiários.
Foram excelentes as decisões da PO de:
  1. eliminar gradualmente o acesso a recursos públicos de atividades que causam prejuízos ambientais e
  2. estabelecer que as empresas que receberem financiamentos em TJLP acima de 50% do valor total dos empréstimos não mais possam distribuir dividendos e juros sobre capital próprio para além do mínimo legal de 25%.
Minha esperança é de que as próximas revisões da PO diminuam esse limite de 50% e estabeleçam que os subsídio concedidos pelo BNDES sejam transformados em instrumentos financeiros cujos preços variem de acordo com o valor das empresas. Isso seria uma forma de remunerar a sociedade de maneira direta pelo benefício advindo do subsídio obtido.

Em outra frente, espero que a diretoria do BNDES torne também mais transparentes as regras para inclusão e desmobilização de ativos na sua carteira de investimentos.


Um ponto passível de questionamento é a oferta de crédito subsidiado para capital de giro de R$ 13 bilhões. Não me parece que este seja o papel do BNDES, mesmo direcionando os recursos principalmente para MPMEs e limitando o financiamento ao menor valor entre R$ 70 milhões e 20% da receita operacional bruta anual da empresa.

A alegação de que esses recursos completariam um mercado desassistido pelo sistema financeiro não é muito robusta, uma vez que a concessão de crédito para capital de giro totalizou quase R$ 200 bilhões nos últimos 12 meses. Como as instituições financeiras têm excesso de liquidez aplicado em operações compromissadas, é razoável supor que uma oferta insuficiente de recursos para capital de giro é fruto de uma avaliação desfavorável dos bancos comerciais sobre a atual capacidade de pagamento de um conjunto de empresas.

Além disso, alocar recursos públicos subsidiados para capital de giro servirá, principalmente, para substituir fontes privadas de empresas de menor risco que já têm acesso a esse crédito e, provavelmente, não alcançará aquelas sem esse acesso. Não me parece uma alocação eficiente dos recursos públicos.

O governo federal poderia contribuir para tornar mais eficientes a economia e o papel do BNDES ao redefinir a TJLP para os novos empréstimos como uma função dos juros dos títulos de longo prazo do Tesouro. Isso:
  1. reduziria o subsídio concedido pelo setor público,
  2. aumentaria a potência da política monetária e
  3. permitiria que as empresas fizessem um hedge mais eficiente de seus empréstimos do banco de desenvolvimento.
O anúncio da PO também seria uma ótima oportunidade para o governo:
  1. incorporar à instituição a parte do BNB e do BASA com função de banco de fomento e
  2. transferir a gestão do FI-FGTS, caso seja mantido, também para o BNDES.
[Como é estúpida a visão de economista de O Mercado quanto às instituições de combate à desigualdade regional e ao financiamento habitacional subsidiado! Na verdade, quer colocar todo o sistema de financiamento sob o comando de sábios-tecnocratas neoliberais, seja no BNDES, seja no Banco Central, aliás, com este no topo da hierarquia.]

O foco em inovação da PO também vem ao encontro da minha defesa pela absorção da Finep pelo banco de desenvolvimento.

[Eu não disse?!]
A atual diretoria do BNDES já realizou a tarefa mais difícil, ao remodelar sua política de crédito, no processo de adaptação da instituição aos tempos atuais. Isso aumenta a minha convicção de que outros avanços virão nos próximos anos.”

[E assim caminha o Brasil: O Mercado clama, a Imprensa proclama e o Estado sob o comando de neoliberais executa…]

O Senado aprova projeto de abuso de autoridade



Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
Com 54 votos favoráveis e 19 contrários, o Senado aprovou o texto-base do substitutivo do senador Roberto Requião ao Projeto de Lei 85/2017, que define os crimes de abuso de autoridade. Com o resultado, o projeto segue agora para análise pela Câmara dos Deputados. O texto foi aprovado por unanimidade hoje (26) pela manhã na Comissão de Constituição e Justiça e seguiu para o plenário nesta tarde.
Polêmica
Durante a breve discussão e plenário, vários senadores questionam trechos do projeto e se posicionam contra a matéria. Foram apresentadas quatro emendas ao texto, mas todas foram consideradas prejudicadas após a aprovação do texto.
"Eu quero me manifestar claramente, enfaticamente, contrário a esse projeto, sobretudo neste momento da história do Brasil. Claro que este país precisa de cinco séculos para acabar com o abuso de autoridade, mas não para cercear o trabalho de juízes, do Ministério Público, da polícia, o que tudo indica que é a finalidade neste momento. É um equívoco aprovarmos esse projeto neste momento", declarou o senador Cristovam Buarque (PPS-DF).
O substitutivo de Requião só conseguiu consenso depois que senadores de vários partidos condicionaram o apoio ao texto à aprovação de uma emenda do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que alterou a redação do Artigo 1º do texto, que trata do chamado crime de hermenêutica, que significa punir o agente por divergência na interpretação da lei. Para parte dos senadores, a redação anterior do projeto abria brecha para enquadrar juízes e promotores, por exemplo, no crime de hermenêutica. O tema também foi alvo de críticas de procuradores integrantes da Operação Lava Jato
Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as alterações acatadas por Requião na CCJ mais cedo representaram avanços importantes no projeto. Entretanto, na opinião dele, "o projeto ainda traz alguns dispositivos que trazem comprometimento à atuação, em especial, da magistratura".
"Embora tenha melhorado, e muito, eu ainda considero que traz algumas distorções centrais. E eu lembro que estamos votando o substitutivo do senador Requião. É melhor que o primeiro texto? É, mas ainda traz graves ameaças ao funcionamento da magistratura e do Ministério Público. E o que eu considero mais grave: ele é inoportuno, porque o momento histórico que nós vivemos não impõe a necessidade desse debate neste instante", afirmou Randolfe.
Outros senadores, no entanto, defendem o projeto e o acordo feito mais cedo em torno do texto aprovado na comissão. Para o senador Jorge Viana (PT-AC), o debate em torno da Lei de Abuso de Autoridade foi "manipulado", para fazer a opinião pública crer que ela ocorre em situação de enfrentamento contra a Lava Jato.
"Foi muito difícil chegar a esse entendimento", disse Viana. "Eu testemunhei o empenho nos últimos dias e semanas. Ontem a noite até hoje de manhã, procurando falar com líderes, ouvir membros do Ministério Público, do Judiciário, líderes desta Casa, para tentar alcançar uma mediação. Muita gente teve que ceder em suas posições", completou, lembrando que a atual lei ainda em vigor foi feita durante o período da ditadura militar. No mesmo tom, o senador José Agripino Maia (DEM-RN), disse que o senador Requião produziu um texto "que traduz equilíbrio".

O jornalista Jânio de Freitas diz que o governo de Michel Temer é uma aberração e defende a greve geral

Janio de Freitas, em sua coluna nesta quita-feira, subiu o tem das críticas a Michel Temer e sua administração.
"'Governo Temer' é só uma expressão da preguiça mental aliada a defeitos muito piores. Trata-se, na verdade, da aberração Temer. Jamais –portanto nem na venenosa fase de Roberto Campos como ideólogo e artífice da ditadura– este país de desatinos viveu, em tão pouco tempo, um assalto tão violento e extenso a direitos de mais de quatro quintos da sua população e às potencialidades do próprio país.
Mesmo na Síria atual, nem toda em guerra, algumas coisas melhoram. Os países são composições tão complexas e contraditórias que, neles, nunca tudo segue na mesma direção. Foi o caso inegável da ditadura militar. É o caso deste transe que permite a Henrique Meirelles, Michel Temer e aos economistas do lucro fácil a comemoração, como no mês passado, de uns quantos números aparentemente consagratórios, mas já de volta à realidade torpe.
Nem poderia ser diferente. O que Meirelles tem a oferecer e a subserviência Temer subscreve, ambos a título de combate à crise, é um país manietado, com a vitalidade reprimida, aprisionado na desinteligência de um teto obrigatório de gastos que, no entanto, para baixo vai até à imoralidade de cortar gastos da educação e da saúde.
As greves e os demais protestos previstos para amanhã, não importa a dimensão alcançada, justificam-se já pelo valor simbólico: há quem se insurja, neste país de castas, contra a espoliação de pequenas e penosas conquistas que fará mais injusta e mais árdua a vida de milhões de famílias, crianças, mulheres, velhos, trabalhadores da pedra, da graxa, da carga, do lixo, do ferro –os que mantêm o Brasil de pé. E, com isso, à revelia permitem que as Bolsas, a corrupção e outras bandalheiras vicejem.
(...)
Já se sabe, portanto, de quem a aberração Temer tira para dar a quem. É a lógica da aberração Temer: já que do povo não obtém popularidade, dele tomar o que possa.
Antes país dos desatinos, agora é o país das aberrações. Afinal, sob protestos, que têm à disposição um futuro convidativo."

Relator da reforma trabalhista é investigado no Supremo por causa de fraudes em empresa terceirizada

O relator do projeto de reforma trabalhista na Câmara, deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), está sendo investigado em um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela suspeita de envolvimento com uma empresa terceirizada acusada de forçar funcionários demitidos a renunciarem às verbas rescisórias e a devolver a multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
De acordo com denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT), a empresa Preservice Recursos Humanos teria se apropriado de maneira irregular de R$ 338 mil devidos a mais de 150 trabalhadores. A empresa, que foi multada em mais de R$ 500 mil, recorreu ao STF. O inquérito investiga indícios de que o parlamentar tucano era sócio de Francisco das Chagas de Souza Ribeiro, diretor da Preservice.
Marinho nega a suspeita. "Não mantenho quaisquer vínculos com a empresa Preservice Recursos Humanos Ltda, não possuindo, portanto, responsabilidades trabalhista e societária relativas a essa empresa", disse o parlamentar por meio de nota. Na nota, Marinho destaca, ainda, que a sua ação na relatoria do projeto da reforma "não guarda relação com interesses específicos defendidos por quaisquer empresas ou grupos empresariais".
De acordo com o MPT, a Preservive atuou como prestadora de serviços junto à Secretaria da Educação de Natal (RN) e com a aproximação do término do contrato, em 2012, os funcionários foram informados que seriam desligados e quem quisesse ser recontratado uma empresa terceirizada teria que devolver o valor da multa de 40% do FGTS. Muitos trabalhadores também foram obrigados a assinar a rescisão com data retroativa, de maneira a fraudar o aviso prévio não trabalhado. A empresa foi condenada a pagar uma multa de R$ 500 mil, mas recorreu da decisão da primeira instância junto ao STF.
O deputado também é suspeito de atuar em favor de Chagas em licitações. (Com o 247)

Um dos donos de empresa envolvida na corrupção do PSDB é marido da jornalista Eliane Catanhêde, da Globo

Os jornais de hoje trazem sem grande destaque uma notícia que de alguma forma pode ser a ponta do iceberg de um grande esquema de corrupção do PSDB paulista.
O delator Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht, teria entregado aos investigadores da Lava uma planilha na qual relaciona recursos da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo a um pagamento de R$ 2 milhões para a GW Comunicação, empresa que entre seus sócios tinha o marqueteiro Luiz Gonzáles, responsável por campanhas dos tucanos desde a época de Mário Covas até mais recentemente com Serra e Geraldo Alckmin.
A GW fez praticamente todas as campanhas para governo do Estado, Prefeitura e mesmo para presidência da República. Depois, com outra empresa, a Lua Branca, seus sócios operavam a conta publicitária desses governos. Isso por si só já era de certa forma um escândalo, mas ninguém falava nada.
E um dos fundadores da GW, segundo depoimento do próprio, em fevereiro de 2004 ao Memória Globo, foi o jornalista Gilnei Rampazzo, um dos Gs da empresa.
Gilnei é marido de Eliane Catanhêde, comentarista da Globo News e articulista de O Estado de S. Paulo que, quando da condução coercitiva de Eduardo Guimarães, comemorou no twitter.
O esquema da denúncia da propina é da mesma época que Gilnei dizia pertencer à GW no Memória Globo. Ou seja, 2004.
Segundo o noticiário de hoje, nos documentos entregues à Lava Jato, o delator não detalhou nem a forma e nem como os valores foram repassados à agência. Apenas informou que foram “localizados pagamentos para a empresa GW”.
Mas um relatório produzido com base no material apreendido com Benedito Júnior em uma das fases da Lava Jato, a Polícia Federal lista uma troca de e-mail entre ele, Marcelo Odebrecht e Fabio Gandolfo, então diretor da empreiteira em São Paulo.
Com o título de DGI (sigla para propina, segundo a PF), a mensagem de 30 de agosto de 2004 aborda a programação de pagamento de R$ 2 milhões relacionados a obra da linha 2 do Metrô com as expressões “comunicação=GW”, “careca=amigo PN”.
Amigo PN e careca seriam a mesma pessoa. Ou seja, José Serra, então vizinho de Pedro Novis (PN), ex-presidente da Odebrecht.
O que Cantanhêde tem a ver com isso? Até que se prove o contrário, nada. A despeito de serem casados, deve-se partir da premissa de que ela e Gilnei têm vida própria e cada qual responde pelos seus atos. Mas o estardalhaço com que a comentarista trata o envolvimento de outros personagens em casos de corrupção não lhe deviam permitir o silêncio agora. Nem muito menos o esconde-esconde da mídia, que não citou em momento algum essa relação de parentesco.
Trecho final do depoimento de Gilnei ao Memória Globo, em 2004:
“Posteriormente, no início dos anos 1990, junto com os jornalistas Luiz GonzálesWoile Guimarães e Wianey Pinheiro, Gilnei Rampazzo fundou a GW Comunicação. É casado, há mais de 30 anos, com a jornalista Eliane Cantanhêde, com quem tem duas filhas.

Do Renato Rovai

Deputados corruptos votam hoje pela mudança da CLT e tira direitos dos trabalhadores brasileiros

Quando todos os brasileiros já sabem que Cunha/Temer/Odebrecht compraram deputados e quem são eles, o silêncio cúmplice da mídia tradicional apenas ratifica os danos que a reforma trabalhista representa para os trabalhadores e os direitos trabalhistas. O que fazer?
A Globo, como sempre, foi além e defendeu abertamente esse estupro contra os trabalhadores ao chamá-lo de “modernização das leis trabalhistas”. Faço este registro em parágrafo separado para que fique na história. O tempo muda os ventos e certamente, em breve, vamos precisar lembrar o que a Globo fez e faz contra o Brasil e os brasileiros.
O texto do relator Rogério Marinho (PSDB-RN) foi aprovado ontem pela comissão especial da Câmara e será votado no Plenário nesta quarta-feira. Tudo às pressas, tudo como ladrões de galinha, roubando rápido para não serem apanhados.
Já falamos aqui no Cafezinho que esta reforma trabalhista é pior do que a reforma previdenciária, pois ela antecipa a impossibilidade de qualquer pessoa chegar à aposentadoria. Chega a ser mais grave ainda, pois destrói a CLT, a Justiça do Trabalho, os Sindicatos e tira do trabalhador a possibilidade de dizer não ao empregador.
Os partidos progressistas e trabalhistas que, certamente, são contra esta reforma absurda também serão atingidos no médio prazo. Reduzida a capacidade de organização dos trabalhadores, as relações trabalhistas no Brasil voltam ao século dezenove. As consequências serão danosas para os trabalhadores.
O negociado sobre o legislado é o fim da Justiça do Trabalho. Advogados e juízes também sofrerão um impacto negativo muito grande. Todos os outros pontos desta reforma nefasta já são amplamente conhecidos.
É uma questão apenas de lutar para que ela seja revogada imediatamente, pois aprovada é praticamente certo de que será. A Greve Geral do dia 28, dois dias após a vergonha de hoje, será uma excelente oportunidade para que estes deputados corruptos que foram comprados por Cunha e Temer sejam expostos de todas as maneiras. Sem piedade! Até que recuem e revoguem este absurdo contra os trabalhadores.
A outra maneira de dizer não à reforma já foi ensinada pelo Levante da Juventude quando fez protestos na porta da Rede Globo. A Globo é a maior inimiga do Brasil e dos brasileiros. É ela que deve ser o foco de todos os protestos. Sempre! A família mais rica do Brasil e os deputados corruptos não podem decidir o destino dos trabalhadores.

Saiba se o seu perfil combina com o seu emprego

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Recentemente, foi noticiado, que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê aumento da taxa de desemprego no Brasil para 12,4% em 2017, quase 1 ponto percentual maior do que em 2016. Desta forma, estima-se que o Brasil terá 13,6 milhões de desempregados até o fim deste ano. Esses números, com certeza assustam qualquer um, afinal de contas, não há estabilidade em nenhuma área. Por conta disso, muitas pessoas têm buscado uma oportunidade de recolocação no mercado de trabalho e muitos ainda estão em busca do seu primeiro emprego.
Mas, para as pessoas que estão empregadas, como será que elas estão vendo essa situação?
Qual é a sua situação atual? Está insatisfeito com o seu emprego e pensa em procurar outro?
Quer saber que tipo de emprego combina com você?

É um momento de reflexão em todos os sentidos. Então, aproveite e faça o TESTE a seguir para identificar se o seu perfil combina com o seu emprego. Clique aqui para fazer o TESTE!

Pesquisa da Ipsos mostra que Michel Temer empatou com o Eduardo Cunha no posto de político mais odiado do Brasil

Uma nova pesquisa comprovou aquilo que as ruas já mostram: Michel Temer empatou com o ex-deputado Eduardo Cunha no posto de  político mais odiado do Brasil.
A desaprovação a Michel Temer saltou nove pontos em um mês e agora, pela primeira vez desde sua posse, iguala-se à taxa do ex-deputado Eduardo Cunha, personalidade pública mais rejeitada do Brasil em reiteradas pesquisas.
Conforme levantamento da Ipsos realizado no início de abril, 87% dos brasileiros desaprovam a forma como Temer vem atuando. Em relação a Cunha, hoje preso pela Lava-Jato, as menções negativas alcançam 90%. Como a margem de erro é de três pontos, trata-se de um empate técnico.
"A aprovação a Temer também sofreu mudança relevante no período de um mês. Caiu de 17% para 10% (em outubro de 2016, em seu melhor momento, chegou a 31%). Nesse quesito, porém, ele aparece melhor que Cunha, aprovado por apenas 2%.
A Ipsos, que faz esse monitoramento mensalmente, ouviu 1.200 pessoas em 72 municípios entre 1º e 12 de abril. O noticiário sobre as reformas já era intenso. As entrevistas, no entanto, foram feitas antes da divulgação das delações da Odebrecht, que atingiram Temer e vários outros políticos da situação e da oposição.
No capítulo de avaliação do governo federal, a pesquisa também traz más notícias para o presidente. Os brasileiros que julgam a administração como boa ou ótima somam apenas 4%, a menor taxa desde a posse. É numericamente o mesmo patamar apurado no pior período da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, entre setembro de novembro de 2015.
Na ponta oposta, a taxa dos que avaliam o governo atual como ruim ou péssimo sobe mês a mês. Era de 59% em janeiro e fevereiro, passou para 62% em março, atingiu 75% em abril." (Com o 247)

Ciro Gomes convoca os trabalhadores brasileiros para a greve geral na sexta-feira contra o governo Temer

Candidato à presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes utilizou suas redes sociais para convocar a população a participar da greve geral marcada para esta sexta-feira (28) em todo o País, em protesto contra medidas do governo Temer, especialmente as reformas Trabalhista e da Previdência. 
“A Nação precisa lutar unida contra a injustiça e os privilégios! VAMOS PARAR O BRASIL E MOSTRAR O VALOR DE NOSSO POVO!”, escreveu o ex-governador do Ceará, nesta terça-feira (25), no Facebook.
Na capital cearense, os protestos estão marcados para a manhã de sexta na Praça Clóvis Beviláqua, no Centro da cidade. (Com o 247)

Leia abaixo reportagem da Rede Brasil Atual sobre a Greve Geral desta sexta-feira, 28:
Greve geral cresce e vai parar transporte, escolas, bancos e indústria em todo o país
A três dias da greve geral contra a 'reforma' da Previdência, a 'reforma' trabalhista e a terceirização irrestrita, propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB), dezenas de categorias de trabalhadores confirmam participação na paralisação de 28 de abril. O transporte coletivo por ônibus, metrô e trens será um dos setores com maior participação na mobilização, com paralisações já confirmadas na região metropolitana de São Paulo e mais 17 capitais. Bancários, urbanitários, servidores da saúde pública, professores, metalúrgicos e comerciários também confirmaram adesão à greve.
Em relação aos motoristas e cobradores de ônibus, as atividades vão ser paralisadas por 24 horas nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, São Luís, Cuiabá, Campo Grande, Teresina, Natal, Recife, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Rio Branco, Maceió, Manaus e Macapá.
Em São Paulo, 17 cidades da região metropolitana e toda a Baixada Santista vão ter o transporte coletivo paralisado, incluindo o sistema intermunicipal, executado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Guarulhos, Itaquaquecetuba, Arujá, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Osasco, Ribeirão Pires, São Caetano, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Mauá, Rio Grande da Serra, Embu-Guaçu, São Lourenço da Serra, Itapecerica da Serra e Osasco são as cidades metropolitanas que já tiveram a greve aprovada em assembleias de trabalhadores.
Na capital paulista, o Sindicato dos Motoristas vai realizar assembleia nesta quarta-feira (26), às 16h. Mas o indicativo da categoria também é de adesão à greve por 24 horas. Os trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) das linhas 9-Esmeralda (Grajaú-Osasco) e 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi) também realizam assembleia amanhã. Já as linhas 7-Rubi (Jundiaí-Luz), 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra), 11-Coral (Luz-Estudantes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) aprovaram paralisação de 24 horas.
Os metroviários também vão cruzar os braços por 24 horas nas cidades de Brasília, Belo Horizonte, Teresina, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, as linhas 1-Azul, (Jabaquara-Tucuruvi), 2-Verde (Vila Madalena-Vila Prudente), 3-Vermelha (Corinthians/Itaquera-Palmeiras/Barra Funda), 5-Lilás (Capão Redondo-Adolfo Pinheiro) e 15-Prata (Vila Prudente-Oratório) ficarão paralisadas o dia todo, a partir da zero hora de sexta-feira.
Os professores da rede pública de Alagoas, Bahia, Brasília, Paraná, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo (municipal e estadual) também vão parar na sexta-feira. Docentes da rede privada de Alagoas, Pernambuco, Piauí, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais também aprovaram adesão à greve. O mesmo vale para professores das universidades federais e estaduais de todo o país.
Os estabelecimentos de saúde – hospitais, unidades básicas, prontos-socorros –, onde a paralisação não pode ser de 100% dos trabalhadores, vão funcionar com escala semelhante à de final de semana, priorizando o atendimento a emergências. Trabalhadores desse setor nos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, Tocantins e São Paulo (inclusive na capital) vão parar.
Pilotos, copilotos e comissários de voo declararam estado de greve em assembleias realizadas na segunda-feira (24) em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. A categoria vai decidir na quinta-feira (27) se paralisa ou não as atividades. Já os aeroviários (funcionários que atuam no check-in, auxiliar de serviços gerais, mecânicos de pista, entre outros cargos) aprovaram a paralisação nacional de 24 horas nos aeroportos internacionais Franco Montoro, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e Gilberto Freyre, em Pernambuco.
Também vão paralisar as atividades os bancários (em 22 estados), metalúrgicos (sete estados), comerciários (seis estados), eletricitários, químicos, petroleiros e trabalhadores de saneamento básico e dos Correios. Os servidores públicos das demais áreas, inclusive do Judiciário, vão ter paralisações em todas as capitais e dezenas de cidades médias. Trabalhadores do Porto de Santos também aprovaram a greve.
As propostas do governo Temer são rechaçadas pela maioria da população. Pesquisa Vox Populi divulgada no dia 13 indica que 93% dos brasileiros são contra a reforma da Previdência e 80% contra a terceirização.

Por que o apoio do BNDES dado à indústria, como gigantesco custo fiscal para os brasileiros, não surtiu efeito?


Cristiano Romero, editor-executivo do Valor, em sua coluna do dia 12 de abril de 2017, continua defendendo, aliás como fazia a oposição na campanha eleitoral de 2014, que a crise mundial não existiu!

“Entre 2010 e 2016, a produção industrial recuou quase 20% no Brasil, enquanto, no mesmo período, cresceu 20% no mundo. Isso mostra que os obstáculos que impedem o florescimento da indústria no país são domésticos. Curiosamente, nunca o BNDES apoiou tanto direta e indiretamente a indústria quanto no período mencionado. Depois de 2012 e considerando inflação média de 7% ao ano, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) chegou a conceder empréstimos com juro negativo (abaixo da inflação) de 4,5%.

A produção da indústria brasileira está hoje no mesmo patamar de janeiro de 2004. Mesmo que se confirmem as expectativas do mercado até 2021, o tempo perdido não será recuperado nesse horizonte. Trata-se de uma tragédia que precisa ser estudada sob dois prismas:
  1. por que o gigantesco apoio dado pelo BNDES, com custo fiscal altíssimo e que será cobrado das gerações de contribuintes até 2060, não surtiu o efeito esperado; e
  2. o que deve ser feito para que o Brasil volte a ter uma indústria dinâmica.
A primeira conclusão que se tira da experiência vivida na última década é que não basta crédito barato para impulsionar a indústria. Um estudo, ainda inédito, feito por um grupo de técnicos do BNDES ilumina o tema. Detalha a atuação do banco oficial desde a crise mundial de 2009 e faz sugestões de reformas a serem realizadas para aumentar a produtividade da economia.

Fatores cíclicos e estruturais contribuíram para o mau desempenho desde 2010. Entre os cíclicos, deve-se mencionar a política monetária contracionista que vigorou no país em boa parte desse período, além da queda dos termos de troca (a relação entre preços de exportação e de importação) da economia brasileira.
Aqui, um parêntesis: o estudo passa ao largo do efeito paralisante que a Nova Matriz Econômica, o experimento do governo Dilma que explica o desastre dos últimos anos, teve sobre o ímpeto dos empresários. [A NMM não é uma obsessão para os defensores da volta da VMN? Culpa por terem defendido a política econômica neoliberal do Joaquim Levy, assim como defendem sem nenhum pudor a continuidade pelo Henrique Meirelles?!]
Fatores cíclicos, como o nome diz, passam – os juros estão em queda, com boa chance de chegarem ainda este ano ao menor patamar da história em termos reais, e os termos de troca tiveram boa recuperação desde o início do ano passado. Já os fatores estruturais, estes são bem mais difíceis de serem transformados, embora o atual governo venha tentando avançar em alguns temas. :0
Estudiosos mostram evidências de que a baixa produtividade da economia brasileira é fator primordial para a perda de competitividade da indústria. Amparado em dados levantados por Régis Bonelli, do Ibre-FGV, o estudo revela que, desde 1997, o crescimento médio da produtividade do trabalho na indústria de transformação tem sido negativo (-1,3%). “Confrontada com a dos Estados Unidos, que podem ser considerados a fronteira tecnológica, a produtividade industrial brasileira não só é muito inferior em nível, como também decresce comparativamente desde 1980. Ou seja, há claramente uma deficiência estrutural da indústria nacional que perpassa os diversos ciclos econômicos mais recentes.”
Nem a massiva atuação do BNDES entre 2009 e 2015 conseguiu alterar esse quadro. Os números impressionam: os desembolsos cresceram 86,3% entre a média do período 2003-2008 e a média de 2009-2015. A carteira de crédito saltou, na média dos dois períodos, de 5,9% para 9,9% do PIB. Como se sabe, isso só foi possível graças à transferência de mais de R$ 500 bilhões (quase 10% do PIB) do Tesouro ao BNDES, em forma de empréstimo subsidiado.
“Uma característica marcante do PSI é que ele ocorre sob um diferencial equalizado de taxas de juros. Isso quer dizer que o BNDES empresta seus recursos cobrando uma taxa de juros, mas os clientes do banco pagam uma taxa de juros inferior à cobrada pelo BNDES. A diferença entre as duas taxas é equalizada pelo Tesouro. Ou seja, a atuação recente do BNDES teve (e ainda terá, enquanto durarem os contratos em aberto) consequências fiscais relevantes que devem ser consideradas”, pondera o estudo.

Entre 2009 e 2015, os desembolsos do PSI somaram R$ 357 bilhões. Outros programas de equalização do BNDES atingiram R$ 13,4 bilhões no mesmo período. O que chama a atenção no PSI são as baixas taxas de juros: em 51% dos recursos liberados, o juro foi inferior a 5%, o que implica taxa real negativa, uma vez que a inflação esteve sempre acima de 5% no período, com exceção de 2009.
“Em 2013, em particular, quase 80% das operações realizaram-se com taxas inferiores a 4%. Em alguns casos (11,5% do total entre 2009 e 2015), a taxa de juros cobrada foi de 2,5%. Considerando uma taxa de inflação média de 7% no pós-2012, isso implica taxa real de juros negativa média de 4,5% em determinadas operações. Além disso, é importante mencionar que as operações do PSI tinham taxas fixas de juros”, revela o texto.
Outras características do PSI:
  1. as operações com prazo inferior a cinco anos somam 57,1% do total desembolsado;
  2. aquelas com prazo entre oito e 31 anos somam 23,1% do total.
São prazos dilatados para os padrões do Brasil, especialmente quando se observa o juro cobrado – a lógica econômica diz que, quanto maior o prazo de uma operação, maior é o risco envolvido, portanto, mais altos devem ser os juros. [Esta é a lógica de mercado curto-prazista, não a de financiamento em longo prazo de investimento em infraestrutura.]
Na prática, além de imputar ao país um custo fiscal que nos acompanhará por décadas, tirando recursos de áreas onde o Estado não pode faltar, o PSI jogou todo o risco das operações no colo da sociedade.
Não deve surpreender ninguém o fato de que 48,7% dos recursos do PSI foram para grandes empresas. Setorialmente, a indústria ficou com 1/3 dos recursos – R$ 125,7 bilhões entre 2009 e 2015. Dos subsetores, o que mais recebeu dinheiro barato do PSI foi a indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias (19,2%), um segmento onde pontuam multinacionais com acesso a crédito barato no exterior e ao mercado de capitais. [Ora, por que ela nunca — mesmo na Era Neoliberal (1988-2002) — o acessou aqui?]
Os números mostram que não faltou crédito para estimular a indústria desde 2009. Faltou o resto, e o resto é muito mais difícil de fazer porque exige vontade política, enfrentamento de grupos organizados que existem apenas para defender privilégios corporativos, liderança, visão de Estado. O “resto” inclui:
  1. reformular o sistema tributário;
  2. reformar as leis trabalhistas;
  3. melhorar o ambiente de negócios;
  4. abrir a economia;
  5. melhorar radicalmente a qualidade da educação;
  6. criar condições para o investimento privado em infraestrutura e em inovação;
  7. melhorar a gestão das empresas”.
Só?! Tão fácil… Por que os golpistas ainda não o fizeram como o jornal Valor anunciou que fariam? Falta “vontade política”?

Veja quem vai aderir à greve geral de 28 de abril no Brasil


As principais centrais sindicais do Brasil convocaram uma greve geral para a sexta-feira 28, na tentativa de demonstrar força e mobilização contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência propostas pelo governo de Michel Temer e a lei de terceirização, sancionada pelo presidente.

A expectativa é que categorias como petroleiros, metalúrgicos, bancários, metroviários, motoristas de transporte público, professores das redes pública e particular e trabalhadores da construção civil engrossem a paralisação, em várias cidades, contra as reformas, consideradas prioritárias para o governo, mas rechaçadas pela população. A reforma da Previdência, por exemplo, é rejeitada por 93% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela CUT e publicada no último dia 13.

A greve está sendo convocada por oito centrais sindicais: CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB. Juntas, elas representam mais de 10 milhões de trabalhadores. Além de centrais opositoras ao atual governo, como a CUT, ligada ao PT, a paralisação contará também com aquelas tidas como aliadas de Michel Temer, como a Força Sindical.

Adesão no transporte
Setores importantes, como o de transportes, também participarão do ato. Os pilotos e comissários de voo de todo o País decidiram na segunda-feira 24, em assembleia, decretar estado de greve para pressionar o governo e parlamentares a fazer mudanças no texto da reforma trabalhista que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Uma nova reunião da categoria está marcada para a quinta-feira 27, quando os profissionais decidirão se paralisam suas atividades ou encerram o movimento.

Os aeronautas reclamam principalmente do trecho da reforma que trata do trabalho intermitente, permitindo a convocação apenas para trabalhos esporádicos, sem contratação permanente. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Rodrigo Spader, como as empresas aéreas têm períodos de altos e baixos na movimentação, o trabalho intermitente poderia ser aplicado, prejudicando os empregados do setor.

“Nos períodos de baixa nós seriamos dispensados do nosso trabalho e seríamos chamados somente quando a aeronave voasse novamente. Então isso atingiria tanto pilotos de pequenas aeronaves como de grandes empresas.”

No Rio de Janeiro, trabalhadores dos ônibus urbanos da capital, do BRT, dos VLTs, do transporte intermunicipal, do fretamento de turismo e do transporte escolar decidiram paralisar suas atividades contra as atividades.

Em São Paulo, os trabalhadores do transporte coletivo municipal e intermunicipal de 21 cidades da região metropolitana cruzarão os braços. Condutores da Baixada Santista, ferroviários de quatro linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e metroviários também decidiram paralisar as atividades por 24 horas.

Com a adesão do Sindicato dos Rodoviários do ABC, o movimento grevista deverá atingir empresas de ônibus de todas as cidades da região.

Categorias filiadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, que inclui aeroviários, rodoviários, portuários e agentes de trânsito também afirmaram que cruzarão os braços.

Rodoviários
Rodoviários de Santos (SP) aprovam greve no dia 28 (Foto: Força Sindical)
Motoboys e mototaxistas, representados pelo Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxista Intermunicipal do Estado de São Paulo (SindimotoSP), confirmaram a adesão ao movimento grevista e também participarão da manifestação convocada para o mesmo dia no Largo da Batata, na capital paulista.

Escolas particulares
Em São Paulo, os professores da rede pública também devem participar das atividades grevistas. Engrossam o movimento o sindicato dos professores das escolas particulares cariocas e paulistanas, entre elas, unidades educacionais que atendem à classe média e alta, como o colégio Santa Cruz, São Luís e Escola Viva. Há pelo menos uma década não ocorre uma adesão desta magnitude a uma greve. Os docentes paralisarão também em outros estados, como Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Alagoas.

A Federação dos Trabalhadores em Segurança e Vigilância Privada (Fetravesp) pediu para que os vigilantes paralisem as atividades em São Paulo e participem da manifestação convocada para o Largo da Batata, na região oeste da cidade.

Funcionários do segmento de vigilância e segurança do Distrito Federal estão em greve desde quarta-feira 19, após assembleia realizada no dia anterior e que contou com quase 8 mil trabalhadores.

Os trabalhadores dos Correios devem antecipar o começo da greve para a quarta-feira 26, a partir das 22 horas, e pretendem manter a paralisação por tempo indeterminado. Além da pauta geral contra as reformas, os trabalhadores incluem entre as reivindicações demandas específicas da categoria, como a defasagem salarial e o congelamento de contratações de funcionários, vigente desde 2011.

Protagonistas de greves históricas, como a de 1978-79 no ABC, os metalúrgicos farão parte dos atos e também das paralisação. Bancários do Rio de Janeiro, São Paulo, Osasco e região não trabalharão no dia 28 de abril, em adesão à greve geral.

Largo da Batata
Soma-se ao movimento grevista a convocação de atos políticos em repúdio às reformas propostas por Temer. Em São Paulo, os manifestantes estão sendo direcionados para concentração no Largo da Batata, na região oeste, a partir das 17h. A expectativa é que o ato caminhe para a casa de Michel Temer em São Paulo, localizada no bairro Alto de Pinheiros.